Tecto e Omnia avançam com data centers em Fortaleza com até 320 MW

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A nova onda de investimentos em data centers no Ceará começa a ganhar forma com projetos que combinam conectividade internacional e estratégias distintas de suprimento energético. Durante painel no Intersolar Summit Brasil Nordeste 2026, executivos destacaram como energia, localização e acesso a cabos submarinos passaram a ser determinantes para a implantação dessas infraestruturas.

O avanço dos projetos ocorre em meio à estratégia do Ceará para consolidar-se como hub de infraestrutura digital e energética. O estado reúne cerca de 12 data centers em operação, aproximadamente 16 cabos submarinos ativos e um pipeline de 2,7 GW em novos projetos, apoiado em forte potencial de geração renovável — especialmente solar e eólica — e expansão de infraestrutura elétrica e de conectividade.

Tecto aposta em expansão modular e integração à rede

A Tecto Data Centers vem ampliando sua presença em Fortaleza com unidades conectadas ao hub de cabos submarinos da Praia do Futuro. O data center Mega Lobster foi projetado para atingir até 20 MW de capacidade, com crescimento modular conforme a demanda.

A proximidade com a estação de cabos submarinos (CLS) garante baixa latência e conexão direta com rotas internacionais, característica cada vez mais relevante para aplicações de nuvem e inteligência artificial.

Durante o painel, o CEO da companhia, Tito Costa, afirmou que o Ceará reúne os elementos que hoje definem a competitividade do setor. “Energia, conectividade e localização formam a tríade que define onde os investimentos vão acontecer”.

Segundo o executivo, a expansão da inteligência artificial vem alterando rapidamente a escala dos projetos e a densidade energética exigida pelos clientes. “O data center deixou de ser apenas infraestrutura de TI. Hoje ele é infraestrutura energética e digital ao mesmo tempo”.

No modelo da empresa, o suprimento energético ocorre por meio da rede elétrica, com contratação no mercado e crescente incorporação de fontes renováveis, movimento impulsionado pela exigência de clientes globais por operações sustentáveis.

Costa também abordou o consumo hídrico dos empreendimentos, tema recorrente nas discussões sobre infraestrutura digital. “A água que a gente usa para resfriar o data center é a mesma água. Ela fica circulando e sendo reutilizada dentro do sistema.” Segundo ele, os novos projetos vêm sendo desenhados para maximizar eficiência energética e hídrica simultaneamente.

Omnia estrutura projeto de grande escala com energia eólica dedicada

Já a Omnia Data Centers desenvolve, no Complexo do Pecém, um projeto de data center em escala inédita no país, associado ao TikTok.

A iniciativa deve iniciar com demanda entre 200 MW e 300 MW, com expansão prevista em fases ao longo dos próximos anos. A primeira etapa será abastecida por energia eólica dedicada desenvolvida em parceria com a Casa dos Ventos, garantindo fornecimento renovável em larga escala para o empreendimento.

Durante o painel, o CEO da Omnia, Rodrigo Abreu, destacou que o projeto nasce integrado à lógica energética desde sua concepção. “Não faz mais sentido pensar data center separado da estratégia de energia”.

Segundo ele, a previsibilidade energética passou a ser elemento crítico para grandes plataformas digitais globais. “Hoje, a discussão não é apenas onde existe conectividade, mas onde existe capacidade energética para suportar crescimento em larga escala”.

Abreu também ressaltou que o modelo do Pecém foi estruturado em conjunto com a estratégia renovável da Casa dos Ventos. “A parceria com a Casa dos Ventos permite que o projeto já nasça conectado a uma solução energética renovável em escala.”

Para as próximas fases, o projeto pode incorporar outras fontes renováveis, como solar, além de instrumentos de certificação de energia limpa, como I-RECs, embora essas alternativas ainda estejam em avaliação.

Ceará emerge como plataforma energética e digital

Os projetos reforça o posicionamento do Ceará como um polo emergentes para data centers no Brasil, combinando infraestrutura de conectividade — com dezenas de cabos submarinos — e acesso a energia renovável competitiva.

Nesse contexto, o estado passa a atrair investimentos que exigem não apenas baixa latência, mas também grandes volumes de energia com previsibilidade e sustentabilidade, em linha com a expansão de aplicações intensivas em processamento, como inteligência artificial.

O resultado é uma mudança de escala no setor: projetos que já nascem com demanda equivalente à de cidades e exigem planejamento integrado entre geração, rede e consumo.

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