O Ceará vem estruturando, ao longo dos últimos anos, uma estratégia coordenada para se posicionar como hub de data centers no Brasil, apoiado em três pilares centrais: conectividade internacional, abundância de energia renovável e planejamento econômico direcionado à atração de cargas eletrointensivas. Durante painel no Intersolar Summit Brasil Nordeste 2026, representantes do governo estadual detalharam como essa combinação vem se traduzindo em projetos concretos e números de escala global.
Um dos principais ativos do estado está na infraestrutura digital. Fortaleza concentra cerca de 16 cabos submarinos ativos, conectando diretamente o Brasil a mercados como Estados Unidos, Europa e África, além de contar com novas conexões em implantação. Essa conectividade, aliada à baixa latência, tem sido determinante para a instalação de data centers e para a atração de empresas globais de tecnologia.
“Transformamos a geografia em vantagem competitiva. A presença dos cabos submarinos, combinada com infraestrutura digital e energética, posiciona o Ceará como porta de entrada de dados no Brasil”, afirmou Joaquim Rolim, representante do governo estadual e da FIEC.
A oferta abundante de energia renovável reforça a atratividade. O estado possui potencial estimado de 643 GW em solar, 94 GW em eólica onshore e 117 GW em eólica offshore, além de 137 GW em projetos híbridos, o que permite uma combinação de fontes com elevada complementaridade ao longo do dia. Esse fator, segundo os participantes, garante maior previsibilidade de suprimento — um requisito crítico para data centers.
“O Ceará reúne condições únicas de geração renovável, com complementaridade entre solar e eólica que permite alta disponibilidade energética ao longo das 24 horas”, destacou Rolim.
2,7 GW de data centers
Atualmente, o estado conta com cerca de 12 data centers em operação, concentrados principalmente em Fortaleza, mas já avança para uma nova escala. No Nordeste, estão em desenvolvimento 30 projetos de data centers, totalizando 8,3 GW, dos quais 6 projetos (2,7 GW) estão localizados no Ceará.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará, Fábio Feijó, o avanço não é resultado de um movimento isolado, mas de uma política estruturada de longo prazo. “Não é um crescimento espontâneo. Há planejamento estratégico para atrair data centers hyperscale e grandes consumidores globais, integrando energia, conectividade e ambiente de negócios”, afirmou.
Esse planejamento inclui investimentos robustos em infraestrutura. Entre os destaques estão R$ 80 milhões em fibra óptica, conectando Fortaleza ao Complexo do Pecém, e R$ 300 milhões em uma nova subestação de alta tensão, além de aportes estimados em R$ 12 bilhões em infraestrutura apenas na fase inicial dos projetos.
“O estado se preparou para receber grandes cargas. Estamos falando de projetos que exigem energia em escala e previsibilidade de longo prazo”, disse Feijó.
A estratégia também passa pela integração com a expansão da geração renovável. Estão previstos R$ 3,7 bilhões em novos parques eólicos e solares na primeira fase, podendo chegar a R$ 18 bilhões ao longo da expansão completa, reforçando a capacidade de atendimento a empreendimentos intensivos em consumo elétrico.
Na prática, esse ambiente já começa a se materializar em investimentos privados. A Tecto Data Centers já opera e expande sua presença em Fortaleza, com unidades conectadas ao hub de cabos submarinos na Praia do Futuro. Em paralelo, a Omnia Data Centers conduz iniciativas no Complexo do Pecém associadas ao desenvolvimento de um grande data center vinculado ao TikTok, sinalizando a chegada de projetos de escala inédita no estado.
Além da infraestrutura física, o governo estadual vem atuando na criação de um ecossistema favorável, incluindo formação de mão de obra, atração de fornecedores locais e incentivo à inovação. A expectativa é que os projetos de data centers e exportação de serviços associados movimentem mais de R$ 200 bilhões em investimentos, com potencial de geração de 16,8 mil empregos diretos e 39,8 mil indiretos.
Para Rolim, o movimento posiciona o estado em um novo patamar competitivo. “Estamos criando as condições para que o Ceará seja um dos principais destinos globais de investimentos em infraestrutura digital sustentável”, afirmou.
Já Feijó reforçou que o desafio agora será acompanhar o ritmo de crescimento da demanda. “O que está em jogo é garantir que energia, rede e regulação avancem na mesma velocidade dos investimentos”, disse.
Com ativos que combinam conectividade internacional, escala energética e coordenação institucional, o Ceará deixa de ser apenas um ponto de passagem de dados e passa a se consolidar como plataforma estratégica para a nova economia digital no Brasil.
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