A Fist Crowdfunding concluiu sua primeira operação de crowdfunding realizada integralmente em plataforma própria, marcando um novo passo da empresa na digitalização do financiamento de ativos solares no Brasil. Batizada de Freedom 2, a campanha arrecadou R$ 138,3 mil para financiar usinas fotovoltaicas que serão instaladas em cinco seccionais da OAB Pernambuco: Caruaru, Garanhuns, Vitória de Santo Antão, Serra Talhada e Petrolina. Os sistemas terão potência instalada combinada de 57 kWp e expectativa de geração de cerca de 7.500 kWh por mês.
A operação foi estruturada em modelo de equity fragmentado em tokens digitais registrados na blockchain Polygon, dentro da plataforma proprietária da companhia. Segundo a empresa, toda a jornada — da captação de investidores à gestão operacional das usinas — ocorre de forma digital.
“A Fist coordena todo o ciclo do ativo renovável. Conseguimos captar o investidor, originar o cliente, construir a usina, fazer a arrecadação, descontar os custos operacionais e devolver o retorno ao investidor dentro de uma infraestrutura totalmente digital”, afirmou o sócio da Fist, Daniel Jesus.
A Fist integra o ecossistema da Ciklo, que reúne diferentes frentes de atuação no mercado energético, incluindo integração de usinas fotovoltaicas financiadas ou alugadas, gestão de energia no mercado livre e ambiente de autoprodução, monitoramento em tempo real de ativos e plataformas digitais para financiamento e desconto em conta de energia.
Dentro dessa estrutura, a Ciklo Energia Solar atua na integração de usinas fotovoltaicas e a Fist concentra as operações digitais de crowdfunding, investimentos e financiamento de projetos solares.
A empresa já havia participado das primeiras experiências de tokenização de usinas solares no Brasil em parceria com o Mercado Bitcoin e com a operação Freedom 1. Agora, a Freedom 2 representa a primeira campanha realizada exclusivamente com tecnologia própria.
“Mais do que encerrar uma captação, estamos validando uma infraestrutura digital que conecta investidores a ativos reais. Esse é apenas o começo”, disse Jesus.
Segundo a empresa, os recursos captados serão utilizados para aquisição de equipamentos, desenvolvimento dos projetos e instalação das usinas solares destinadas à OAB Pernambuco. A estrutura integra o modelo Freedom Ciklo, no qual a Fist financia integralmente a implantação do sistema e recupera o investimento por meio de contratos de locação das usinas.
Os investidores receberão dividendos mensais vinculados ao desempenho operacional das usinas ao longo de cinco anos, com taxa potencial de retorno de até 22% ao ano. A oferta permitia aportes mínimos de R$ 100, ampliando o acesso de pequenos investidores ao mercado de infraestrutura energética.
A OAB Pernambuco firmou contrato de locação dos sistemas fotovoltaicos com desconto superior a 20% na conta de energia durante 10 anos. Segundo a Fist, a economia pode chegar a até 25% sobre o valor da tarifa da distribuidora local. Ao final do contrato, as usinas passam a pertencer integralmente ao cliente, sem custos adicionais.
“O cliente recebe economia imediata sem precisar investir na construção da usina. Já o investidor acessa um ativo real, com fluxo previsível e ligado ao crescimento da energia solar”, afirmou Jesus.
A empresa destaca que o investimento está lastreado em ativos solares com receita contratual recorrente, característica que, segundo o executivo, reduz a volatilidade da operação.
“A energia solar tem um comportamento muito previsível. Depois que o cliente está contratado e bem atendido, existe uma recorrência mensal muito forte. É uma renda variável com características próximas de renda fixa”, disse.
A operação contou com 30 investidores, com aportes variando de R$ 100 até quase R$ 100 mil. Segundo a empresa, a tokenização permitiu democratizar o acesso a investimentos em infraestrutura energética.
“Uma pessoa consegue investir R$ 100 em um ativo real de energia renovável e participar de uma operação que antes ficava restrita a investidores maiores”, afirmou o executivo.
O grupo Cliklo já construiu, operacionalizou e comercializou mais de 500 usinas solares, somando mais de 59 mil módulos instalados e geração equivalente ao consumo de cerca de 8 mil residências populares.
Segundo a empresa, Pernambuco foi escolhido pela combinação entre elevado potencial solar e baixa penetração da tecnologia. A Fist cita que apenas cerca de 4,5% dos consumidores atendidos pela Neoenergia no estado possuem geração solar instalada atualmente, apesar das tarifas de energia figurarem entre as mais altas do país.
Para os próximos meses, a companhia prevê novas campanhas utilizando sua infraestrutura própria de blockchain, tokenização e gestão digital de ativos renováveis.
“Nosso objetivo é expandir esse ecossistema digital de investimentos em energia renovável, conectando mais investidores a ativos reais e ampliando o acesso ao mercado solar”, afirmou Jesus.
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