A expansão do mercado brasileiro de armazenamento de energia já levou a GreenYellow a preparar soluções BESS com resposta em menos de um milissegundo no país, mirando aplicações críticas como hospitais, data centers, robótica e indústrias que não toleram interrupções no fornecimento elétrico.
Em entrevista à pv magazine Brasil, o head comercial de BESS da GreenYellow, Giovanni Milani, afirmou que a empresa já trabalha com parceiros tecnológicos para viabilizar sistemas com transferência instantânea de energia em caso de falha da rede. “Hoje conseguimos atuar em até 20 milissegundos, mas estamos buscando os 0 milissegundos. Já temos isso praticamente em mãos para diversos casos”, afirmou o executivo.
A declaração surge em um momento de forte expansão da companhia no segmento de armazenamento no país. Segundo Milani, o Brasil já concentra o maior pipeline global de BESS da GreenYellow e registrou crescimento superior a 1.000% em relação ao ano anterior. “Hoje o maior pipeline de BESS da GreenYellow está no Brasil”, relatou.
A estratégia da empresa envolve principalmente projetos behind-the-meter, com foco em backup energético, sistemas isolados e melhoria da qualidade da energia elétrica. Embora a arbitragem tarifária ainda seja frequentemente associada ao mercado de armazenamento, Milani afirma que a realidade brasileira aponta para outra direção. “Hoje vemos mais lugares precisando de energia e qualidade de energia do que necessariamente fazendo arbitragem”, afirmou.

Imagem: GreenYellow
De acordo com Milani, o pipeline da GreenYellow no Brasil atualmente está dividido em quatro frentes principais: sistemas off-grid, backup energético, arbitragem de energia e soluções para restrições de demanda elétrica.
O executivo também criticou a lentidão regulatória do setor, afirmando que a ausência de regras claras para armazenamento front-of-the-meter e a demora na definição dos leilões específicos acabam travando o amadurecimento da cadeia de suprimentos no país. “A gente precisa de mais fomento para o mercado. Isso melhora concorrência, traz produto e reduz preços”, afirmou.
A companhia atua exclusivamente no modelo “BESS as a Service”, em que a GreenYellow realiza o investimento e o cliente paga pelo serviço ao longo do contrato. “A escola investe em educação, a indústria investe em produção e a energia fica com a GreenYellow”, resumiu Milani.
A visão da empresa é que o armazenamento não deve ser tratado como um equipamento único, mas como uma plataforma multifuncional capaz de assumir diferentes aplicações conforme a necessidade do consumidor. “O BESS é uma caixa de ferramentas. Hoje o cliente usa para backup, amanhã pode usar para arbitragem ou gestão de demanda”, explicou.
Milani também detalhou o projeto da Red House International School, a primeira escola do país com microrrede solar integrada a baterias, em Cuiabá, Mato Grosso.
No projeto, desenvolvido pela GreenYellow e instalado pela Enerzee, foram implementados dois sistemas BESS de 215 kWh/100 kW cada, integrados a uma chave de transferência estática capaz de restabelecer energia em até 20 milissegundos. O sistema também inclui uma usina solar de 158 kWp. Segundo Milani, o projeto nasceu após recorrentes problemas de qualidade de energia na unidade escolar e da inviabilidade operacional do uso de geradores a diesel em um ambiente educacional. “É extremamente impraticável colocar um gerador a diesel dentro de uma escola”, lembrou.
Além do backup, a arquitetura da microrrede permite futuras aplicações como arbitragem tarifária, gestão de demanda e maior integração com a geração solar existente.
A GreenYellow também afirmou que praticamente todos os seus projetos de armazenamento no Brasil já nascem integrados à energia solar, tanto por ganhos econômicos quanto por benefícios fiscais.
Segundo Milani, o pipeline atual de projetos híbridos solar + BESS da companhia soma cerca de € 77 milhões, dos quais aproximadamente € 25 milhões correspondem à parte fotovoltaica.
“Solar e BESS hoje andam de mãos dadas”, disse o executivo.
A empresa também mira expansão em regiões com problemas estruturais de fornecimento elétrico, especialmente Bahia, oeste baiano e áreas próximas ao Matopiba, onde há simultaneamente tarifas elevadas e desafios relacionados à qualidade da rede.
Para a GreenYellow, o avanço do armazenamento no Brasil deverá ocorrer inicialmente impulsionado pela segurança energética e pela confiabilidade operacional — e não apenas pela arbitragem de preços no horário de ponta.
Este conteúdo é protegido por direitos autorais e não pode ser reutilizado. Se você deseja cooperar conosco e gostaria de reutilizar parte de nosso conteúdo, por favor entre em contato com: editors@pv-magazine.com.






Ao enviar este formulário, você concorda com a pv magazine usar seus dados para o propósito de publicar seu comentário.
Seus dados pessoais serão apenas exibidos ou transmitidos para terceiros com o propósito de filtrar spam, ou se for necessário para manutenção técnica do website. Qualquer outra transferência a terceiros não acontecerá, a menos que seja justificado com base em regulamentações aplicáveis de proteção de dados ou se a pv magazine for legalmente obrigada a fazê-lo.
Você pode revogar esse consentimento a qualquer momento com efeito para o futuro, em cujo caso seus dados serão apagados imediatamente. Ainda, seus dados podem ser apagados se a pv magazine processou seu pedido ou se o propósito de guardar seus dados for cumprido.
Mais informações em privacidade de dados podem ser encontradas em nossa Política de Proteção de Dados.