A Bahia aparece entre as regiões mais competitivas do mundo para geração solar associada a sistemas de armazenamento em baterias (BESS), segundo o relatório “24/7 renewables: The economics of firm solar and wind”, divulgado pela International Renewable Energy Agency (Irena). O estudo aponta que projetos híbridos capazes de fornecer energia renovável contínua (“24/7”) já alcançam custos comparáveis — e em alguns casos inferiores — aos de novas usinas a carvão e gás natural.
De acordo com a Irena, regiões com alta irradiância solar e forte complementaridade entre geração renovável e armazenamento já conseguem entregar energia firme a custos entre US$ 54/MWh e US$ 82/MWh. O levantamento coloca a Bahia entre os principais destaques globais para projetos solares com baterias, atrás apenas de alguns polos chineses de altíssimo desempenho.
Dados apresentados pela Irena indicam que sistemas solares associados a baterias em regiões de alta qualidade de recurso, como a Bahia, operam com custos nivelados de energia firme (firm LCOE) em torno de US$ 65/MWh em 2025. O patamar aproxima o estado brasileiro da província de Hebei, no norte da China, considerada a região mais competitiva avaliada pelo estudo, com custos próximos de US$ 54/MWh.
Além da Bahia e de Hebei, província do norte da China, a Irena destaca outras localidades com elevada competitividade para geração renovável contínua com baterias, incluindo regiões da China, Oriente Médio, Austrália e partes do sudoeste dos Estados Unidos, mercados caracterizados por elevada disponibilidade de recurso solar e rápida redução nos custos do armazenamento.
O relatório introduz o conceito de “firm LCOE”, uma metodologia que mede o custo da eletricidade renovável entregue de forma contínua e confiável, incorporando os investimentos necessários em baterias e capacidade adicional de geração. Segundo a agência, essa abordagem busca responder ao principal desafio da transição energética atual: garantir adequação e flexibilidade do sistema elétrico à medida que cresce a participação de fontes variáveis como solar e eólica.
A Irena afirma que os custos de sistemas híbridos caíram rapidamente nos últimos anos impulsionados pela redução dos preços dos módulos fotovoltaicos e das baterias. Entre 2010 e 2024, o custo total instalado da energia solar caiu 87%, enquanto o LCOE global médio da fonte recuou 90%, chegando a US$ 44/MWh. Já os custos de baterias registraram queda superior a 90% no período.
Segundo a agência, os projetos híbridos analisados já conseguem competir diretamente com fontes fósseis. Enquanto sistemas solares com armazenamento atingem custos entre US$ 54/MWh e US$ 82/MWh em regiões de alto desempenho, novas térmicas a carvão na China operam entre US$ 70/MWh e US$ 85/MWh, enquanto novas usinas a gás natural ultrapassam US$ 100/MWh em diversos mercados globais.
A Irena também projeta novas reduções de custos até o fim da década. Segundo o estudo, o firm LCOE de sistemas renováveis híbridos poderá cair cerca de 30% até 2030 e aproximadamente 40% até 2035, permitindo que os melhores projetos atinjam patamares inferiores a US$ 50/MWh.
O documento ressalta ainda que sistemas co-localizados de solar fotovoltaica e armazenamento podem desempenhar papel estratégico no atendimento de cargas críticas e eletrointensivas, incluindo data centers, operações industriais e aplicações ligadas à inteligência artificial, que demandam fornecimento contínuo de energia.
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