O Brasil precisa instalar pelo menos 60 milhões de medidores inteligentes nos próximos 8 a 10 anos, segundo projeções da Envol Energy Consulting, consultoria especializada no setor de energia. “O medidor inteligente é central para a transição energética. Se a energia não for corretamente valorada ao longo do dia, haverá distorções na forma como ela é consumida e remunerada”, afirma o CEO da Envol, Alexandre Viana.
A demanda por esses equipamentos tende a crescer com a abertura gradual do mercado livre de energia no país. A Lei 15.269/2025 estabelece que consumidores comerciais e industriais de baixa tensão poderão migrar para o mercado livre em até 24 meses a partir da sua publicação, enquanto os consumidores residenciais terão esse direito em até 36 meses. Com essa mudança, o setor elétrico tende a se tornar cada vez mais orientado pela escolha do consumidor, o que torna os medidores inteligentes essenciais para o funcionamento do sistema.
Dados do Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2025, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), indicam que o país contava com mais de 94 milhões de unidades consumidoras em dezembro de 2024, sendo cerca de 82,9 milhões residenciais.
“Excluindo baixa renda e outras situações específicas, o mercado endereçado está entre 60 e 70 milhões de consumidores. Considerando que a penetração de medidores inteligentes ainda está na faixa de 5% a 6% no Brasil, estamos falando de um investimento da ordem de R$ 25 a R$ 35 bilhões, considerando apenas o custo dos equipamentos”, explica o sócio e diretor de Estudos de Mercado da Envol, Gustavo Franceschini. Atualmente, o custo de aparelhos mais simples, sem controle remoto, gira em torno de R$ 400 a R$ 500, podendo ser reduzido com ganhos de escala na produção.
Em comparação internacional, o Brasil ainda apresenta baixa penetração desses equipamentos. Países como a Austrália já apresentam níveis relevantes de adoção, enquanto Reino Unido e Estados Unidos estão na faixa de 60% a 70%. O Japão, por sua vez, já se aproxima de cobertura total.
Com o avanço tecnológico, os equipamentos também tendem a passar por atualizações constantes, migrando para versões mais modernas que oferecem maior monitoramento e controle. “Assim como outras tecnologias digitais, esses equipamentos evoluem continuamente e, ao longo do tempo, podem demandar atualizações ou substituições para incorporar novas funcionalidades”, compara Franceschini.
Medidores inteligentes registram o consumo e a geração de energia em intervalos horários, permitindo medir com precisão quanto cada consumidor utiliza ou injeta na rede. “Não se trata apenas de uma evolução tecnológica, mas de um elemento estruturante para a modernização do setor elétrico”, afirma Viana.
Diante desse cenário, o CEO defende a criação de políticas públicas de incentivo à fabricação nacional dos medidores, como forma de reduzir custos e fortalecer o setor industrial. “Deveríamos discutir uma política industrial para o medidor eletrônico ou, ao menos, reduzir a dependência da importação desses equipamentos”, afirma.
O tema também está em discussão no âmbito regulatório. Em janeiro de 2026 a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu a Consulta Pública nº 001/2026, coletando subsídios sobre a modernização dos sistemas de medição e a digitalização das redes de distribuição de baixa tensão, com foco nos medidores inteligentes.
A iniciativa dá continuidade à Tomada de Subsídios nº 13/2024, desenvolvida em parceria com a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), que analisou barreiras regulatórias e definiu metas para aumentar a eficiência da distribuição, empoderar consumidores, otimizar recursos energéticos e melhorar a gestão de recursos distribuídos.
“Os medidores inteligentes serão a base para um sistema elétrico mais digital, descentralizado e eficiente. Sem essa infraestrutura de dados, a abertura do mercado e a integração de novas tecnologias simplesmente não acontecem na escala que o Brasil precisa”, conclui Gustavo.
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