O financiamento segue como um dos principais pilares da geração distribuída no Brasil, respondendo por cerca de metade das operações de crédito para equipamentos fotovoltaicos — e por até 80% das vendas quando considerados outros meios de pagamento, como cartão. A avaliação é de Wilson Zafani, novo diretor comercial da Sol Agora, empresa investida da Brookfield Asset Management.
“O financiamento é um dos principais motores e fomentadores do mercado, pois viabiliza o acesso do consumidor final aos sistemas”, afirmou o executivo em entrevista.
Apesar do impacto do cenário macroeconômico — especialmente a elevação das taxas de juros nos últimos anos —, Zafani destacou que a queda de quase 60% nos preços dos equipamentos compensou esse efeito, melhorando o retorno dos projetos e sustentando a demanda.
Para 2026, a expectativa é de crescimento moderado, longe dos ritmos observados há três ou quatro anos. “O mercado tende a um platô, com estabilização em um patamar mais previsível”, disse.
Armazenamento deve elevar ticket e crédito
Um dos principais vetores de crescimento para os próximos anos deve ser a incorporação de baterias e sistemas híbridos, que ampliam o valor dos projetos e, consequentemente, a demanda por financiamento.

Imagem: Sol Agora
Segundo Zafani, o uso de armazenamento já começa a ganhar espaço, especialmente em sistemas residenciais de menor porte, ainda muito associado ao conforto energético. No entanto, mudanças regulatórias — como a ampliação da tarifa branca — podem transformar esse cenário, tornando as baterias também uma ferramenta de economia, como já ocorre em aplicações comerciais e industriais.
Mesmo assim, ele pondera que o setor ainda está em fase de preparação. “2026 não é o boom do armazenamento, mas é um momento importante para o integrador se capacitar”, afirmou.
A complexidade técnica das soluções com baterias ainda limita a expansão, assim como a ausência de uma regulamentação mais clara para o armazenamento no Brasil, o que gera insegurança, sobretudo em projetos de maior porte.
Especialização e crédito como diferencial competitivo
Com foco exclusivo no setor fotovoltaico, a Sol Agora aposta na especialização como vantagem competitiva frente a bancos tradicionais.
A fintech oferece condições diferenciadas, como carência de 120 dias — permitindo que o sistema esteja instalado e gerando economia antes do início do pagamento —, além de um modelo de análise de crédito mais adaptado ao setor.
“Quando você é especialista em um segmento, consegue oferecer soluções mais aderentes e eficientes”, afirmou Zafani.
Outro diferencial citado é o uso de tecnologia para mitigação de risco, incluindo a possibilidade de desligamento remoto do sistema em casos extremos de inadimplência — prática ainda pouco comum em instituições financeiras tradicionais.
Segundo o executivo, esse conjunto de fatores contribui para níveis de aprovação acima da média do mercado em determinados perfis de clientes.
Modelo indireto e expansão comercial
A atuação da empresa é voltada exclusivamente para integradores, que intermediam a relação com o consumidor final. O processo envolve a negociação do projeto com distribuidores e a formalização do financiamento diretamente em nome do cliente.
A empresa opera com uma força comercial remota em todo o país e planeja ampliar seus canais de venda para fortalecer a capilaridade junto aos integradores.
Cartão ainda relevante, mas com limitações
O uso do cartão de crédito segue relevante, representando cerca de 20% a 22% das vendas de sistemas fotovoltaicos. No entanto, o modelo apresenta limitações em comparação ao financiamento estruturado.
“A principal diferença é a carência. No financiamento, o cliente pode começar a pagar apenas depois que o sistema já está gerando economia, o que não acontece no cartão”, explicou.
Crédito mais estável e carteira em expansão
Para o restante do ano, a expectativa é de melhora gradual na oferta de crédito, ainda que sem avanços abruptos nos níveis de aprovação.
A Sol Agora possui atualmente uma carteira próxima de R$ 2 bilhões, com projeção de atingir R$ 2,5 bilhões no curto prazo. O respaldo financeiro da Brookfield Asset Management é apontado como um dos fatores que sustentam a capacidade de expansão.
“O lastro da operação é um diferencial importante, especialmente em um cenário de maior seletividade de crédito”, concluiu Zafani.
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