Migrações para o mercado livre desaceleram no primeiro trimestre em meio a escalada de preços

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A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) concluiu a migração de 4.827 consumidores para o mercado livre de energia no primeiro trimestre de 2026, representando uma queda em comparação com os 7.630 consumidores que migraram em igual período de 2025. O número também fica abaixo das 5.350 migrações registradas no primeiro trimestre de 2024.

Segundo a CCEE, após a rápida expansão das migrações ao mercado livre em 2024 e 2025, os dois primeiros anos da abertura do segmento para toda a alta tensão, o ritmo de crescimento passa por um período de acomodação, mas o volume de novos entrantes segue em patamares acima da média observada até 2023.

No entanto, a Abraceel, associação que representa comercializadores de energia, alerta que houve uma escalada de preços que pode afetar a decisão de milhões de consumidores que passarão a ter direito de escolher o fornecedor de energia em 2027 e 2028.

Estudo realizado pela associação mostra que, entre janeiro de 2024 e março de 2026, o preço da energia elétrica de longo prazo – contratos de energia convencional para os quatro anos subsequentes – acumulou elevação de 59%, passando de R$ 147 por MWh em 2024 para R$ 233 por MWh em 2026.

Já os preços trimestrais, que balizam contratos de energia convencional para os três meses subsequentes – mostra escalada ainda mais acentuada. No mesmo período, o preço trimestral da energia do mercado livre sofreu uma elevação de 121%, passando de R$ 143 por MWh em 2024 para R$ 317 por MWh em 2026. Para efeito de comparação, a variação do IPCA, indicador oficial de inflação, subiu 5% desde então.

Atualmente, são mais de 90 mil consumidores que podem escolher seu supridor de energia, fechando contratos diretamente com geradores, comercializadores ou sendo representados por comercializadores varejistas.

Setores de serviços e comércio lideram as migrações em 2026

Segundo dados da CCEE, que acompanha 15 ramos de atividade econômica, os setores de serviços e comércio lideraram as adesões ao mercado livre neste primeiro trimestre. Na sequência, destaque para saneamento e alimentos. Os números mostram a expansão do ambiente dos pequenos e médios lojistas aos estabelecimentos maiores, como supermercados, hospitais, farmácias e hotéis.

Eixo Sul/Sudeste em destaque

São Paulo registrou 1.311 novas migrações para o mercado livre entre janeiro e março. Logo em seguida, Minas Gerais (387), Rio Grande do Sul (386), Santa Catarina (370) e Paraná (351) figuram no topo do ranking e consolidam o eixo Sul/Sudeste como um dos principais para o crescimento do mercado. Destaque também para a Bahia, principal estado do Nordeste, com a marca de 340 novos consumidores que entraram para o segmento.

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