GreenYellow planeja 30 MWh de armazenamento como serviço em 2026

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A GreenYellow planeja viabilizar 30 MWh de armazenamento como um serviço, ou BESS as a service, no Brasil em 2026. Nesse modelo, a companhia realiza o investimento no sistema e o consumidor paga, pelo serviço, um valor menor do que a economia obtida. 

O primeiro sistema entregue pela companhia, localizado no Edifício Civil Towers, em Salvador, já está operando e deve reduzir entre 15% e 20% os custos de energia do empreendimento.  

A solução integra 215 kWh de armazenamento, 108 kW de potência instalada e um sistema fotovoltaico de 42 kWp, operando no modelo load shifting, que permite armazenar energia fora do horário de pico e utilizá-la quando as tarifas estão mais elevadas. 

Em Salvador, a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) pode ultrapassar R$ 3.200/MWh no horário de pico, refletindo as características estruturais e operacionais do sistema local.  

“O BESS entra em funcionamento entre 18h e 21h, dispensando o uso da energia da distribuidora nesse período, com um desconto de cerca de 20%”, disse à pv magazine BrasilHead Comercial de BESS da GreenYellow, Giovanni Milani. 

O projeto foi realizado em parceria com a 3P Energia e com a colaboração da Huawei, HDT e Amara NZero Brasil, marcando o início do Programa de Parcerias da GreenYellow no Brasil, estratégia da empresa para expandir sua atuação em soluções integradas de armazenamento e energia inteligente.  

Comunicação com a distribuidora e falta de clareza para injeção de energia 

Milani conta que a interação com a concessionária local foi necessária mesmo sem a injeção de energia na rede.  

“Como existe paralelismo, é necessário denunciar o projeto à distribuidora local. É muito similar ao procedimento de um sistema solar em grid zero: não há injeção, mas é preciso informar a distribuidora”, disse o executivo.  

Ele acrescenta que projetos com injeção de energia na rede ainda enfrentam uma “zona cinzenta” regulatória.  

“Para operar behind the meter, temos total aval. O que ainda não está completamente definido é o rito detalhado com as distribuidoras, mas tivemos um retorno muito bom da Coelba. Como o mercado está no início, é um processo de aprendizado para todos: empresas e distribuidoras”. 

Mercado potencial 

Edifício Civil Towers, em Salvador (BA), é um exemplo de possível aplicação de BESS as a Service no Brasil. 

Imagem: Divulgação

Atualmente, a GreenYellow enxerga o mercado de armazenamento no Brasil em quatro segmentos principais: load shifting, como no caso do Civil Towers, backup, para clientes que precisam de energia ininterrupta, sistema isolados, para aqueles em regiões com dificuldades de acesso à rede, e peak shaving, especialmente em locais onde não é possível aumentar a demanda contratada. 

“A Green Yellow tem uma raiz varejista forte, mas hoje o foco é o mercado comercial e industrial. Estamos investindo fortemente nesse segmento, em diversos estados, com cenários variados. Existem aplicações em irrigação, mineração, sistemas off-grid e novas unidades industriais em crescimento pelo país”, disse Milani.  

Regiões como Pará e Bahia, com baixa densidade populacional e grandes extensões territoriais, têm custos de distribuição mais altos, o que torna o armazenamento mais atrativo para reduzir a demanda em horário de pico. “Também vemos potencial em Maranhão e Piauí”. 

Já em locais com alta densidade, como São Paulo, ou em estados em rápido crescimento, como Mato Grosso, a rede muitas vezes não acompanha a expansão da demanda. Nesses casos, o BESS permite armazenar energia em horários de menor carga e entregar quando a rede está congestionada sem necessidade de reforço da rede. 

Mudanças trazidas pela Lei 15.269 também reforçam as oportunidades. Novas unidades consumidoras não terão mais energia incentivada e ficarão no mercado convencional, o que muda totalmente o cenário e incentiva o uso de armazenamento para reduzir custos no horário de ponta, avalia o executivo. 

Aumento do Imposto de Importação 

Por outro lado, Milani destaca que a companhia vê como factível o objetivo de viabilizar investimentos e criar modelos de negócios atrativos, mas permanece o desafio de criar um ambiente competitivo como um todo com apoio do governo. 

Recentemente vimos aumento de impostos sobre baterias, podendo chegar a 20%. Para viabilizar o mercado de armazenamento e toda a infraestrutura que a geração renovável exige, precisamos de incentivos, não de aumento de impostos”, disse Milani. “O armazenamento permite comprar energia no horário barato, aproveitar o pico da geração solar e evitar cortes de energia. É uma solução para confiabilidade do sistema”.  

Ele lembra que a Lei 15.269 prevê justamente a redução de impostos, e que, portanto, esse cenário pode ser revisto. 

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