O mercado de energia solar no Ceará manteve trajetória de expansão em 2025, com a adição de 2.610 novos sistemas fotovoltaicos ao longo do ano — alta de 9% frente a 2024, quando foram registradas 30.277 instalações. Com isso, o estado alcançou 32.887 novos sistemas no período e um total acumulado de 144,6 mil unidades, movimentando mais de R$ 321 milhões na economia local, segundo levantamento da Solfácil.
O crescimento recente consolida uma expansão de 36% em dois anos e contrasta com o desempenho de estados vizinhos, como Bahia (-37%) e Piauí (-29%), indicando maior resiliência e maturidade do mercado cearense.
De acordo com o COO da Solfácil, Eduardo Neuberg, em entrevista à pv magazine Brasil às vésperas do Intersolar Summit Nordeste 2026, em Fortaleza (CE), o avanço regional está diretamente ligado a fatores estruturais, como o alto custo da energia elétrica e condições favoráveis à geração distribuída. “Fortaleza é uma operação muito redonda: tem sol abundante, mão de obra qualificada e uma conta de luz que pesa no bolso do consumidor. Em alguns momentos recentes, o custo da energia chegou a subir cinco vezes mais que a inflação”, afirmou o executivo em entrevista à reportagem.
Nesse contexto, Neuberg destaca que o Nordeste — e o Ceará em particular — vem ganhando relevância estratégica dentro do setor solar brasileiro. “O Brasil é um dos maiores mercados do mundo para energia solar residencial, e o Nordeste tem mostrado um nível de maturidade crescente, com aumento consistente de demanda e ganho de participação de mercado”, disse.
Outro vetor que começa a redefinir o setor é o avanço das soluções de armazenamento de energia. Segundo a Solfácil, a demanda por baterias residenciais já é mais de quatro vezes maior do que há um ano, refletindo mudanças no perfil de consumo e na estrutura tarifária.

Imagem: Solfácil
“O armazenamento é a grande avenida de crescimento do setor. Ainda é uma transformação que nem todos compreenderam completamente, mas ela já começou e deve acelerar com a chegada da tarifa horária”, explicou Neuberg. Para o executivo, com a implementação da tarifa branca, a energia ficará mais cara à noite com o pico do consumo, o que torna as baterias essenciais para armazenar o excedente gerado durante o dia e reduzir custos.
A empresa também tem ampliado sua atuação nesse segmento, com a ambição de liderar o mercado de armazenamento residencial no país. “Já estamos vendo volumes significativamente maiores de vendas de baterias, e isso não é um fenômeno isolado do Nordeste — acontece também em estados como Pará, Mato Grosso, São Paulo e Santa Catarina”, acrescentou.
Além do armazenamento, Neuberg atribui o crescimento da companhia a uma combinação de fatores, como revisão de portfólio, maior competitividade de preços e expansão das soluções de financiamento. A fintech da empresa tem desempenhado papel central ao ampliar o acesso ao crédito, inclusive para perfis que tradicionalmente enfrentariam dificuldades de aprovação.
“A gente conhece profundamente o consumidor, o integrador e o projeto. Isso nos permite gerenciar risco de forma mais eficiente e oferecer condições competitivas, o que fortalece toda a cadeia”, afirmou.
Atualmente, a Solfácil trabalha com cerca de 20 mil integradores e atende aproximadamente 200 mil residências em todo o país. A estratégia da empresa também passa por oferecer maior liberdade de escolha aos parceiros, permitindo que adquiram equipamentos de diferentes distribuidores, mantendo o financiamento como diferencial competitivo.
O executivo ressalta ainda que o aumento do custo da energia elétrica tem impacto direto na viabilidade econômica dos sistemas solares. “Em faixas de renda mais baixas, a conta de luz pode representar até 21% da renda familiar. À medida que essa conta sobe, o payback do sistema solar melhora, o que impulsiona a adoção”, explicou.
No campo da inovação, a empresa também aposta em soluções digitais para gestão energética. Entre elas está o Smart, plataforma que atua como um “cérebro” do consumo, gerando insights para otimização de uso, monitoramento e integração com sistemas de armazenamento.
A movimentação do mercado foi acompanhada por iniciativas de qualificação profissional, como um encontro técnico realizado nesta semana em Fortaleza, que reuniu integradores e especialistas para discutir soluções híbridas e baterias — tecnologias que devem ganhar protagonismo na próxima fase de crescimento do setor.
Para Neuberg, o momento é particularmente positivo. “Estamos no melhor momento da história da empresa, com crescimento, rentabilidade e ganho de market share. E isso acontece mesmo em um cenário em que o mercado ainda tem dúvidas — o que reforça o potencial que ainda temos pela frente”, concluiu.
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