A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) propôs a adoção de sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) com tecnologia grid-forming como solução estrutural para aumentar a confiabilidade do fornecimento elétrico no Acre. A iniciativa representa um avanço relevante ao inserir o armazenamento no planejamento da transmissão no Brasil, tradicionalmente baseado na expansão de linhas e no uso de geração convencional.
O estudo, desenvolvido em conjunto com o Ministério de Minas e Energia (MME), aponta que o sistema elétrico do estado apresenta vulnerabilidades associadas à sua configuração geográfica e à dependência de geração térmica para garantir o suprimento em momentos de contingência. Falhas na interligação ou eventos extremos podem comprometer o atendimento à demanda, especialmente em regiões mais isoladas, como o Vale do Juruá.
Como resposta, a EPE recomenda a instalação de um sistema de baterias com capacidade estimada de 100 MW / 200 MWh, a ser implantado na subestação de Cruzeiro do Sul. O projeto teria potencial para suprir integralmente a demanda local por até duas horas, beneficiando mais de 200 mil pessoas e reduzindo a necessidade de acionamento de usinas térmicas, que possuem maior custo operacional e impacto ambiental.
Um dos principais diferenciais da proposta está no uso da tecnologia grid-forming, que permite às baterias não apenas armazenar energia, mas também atuar ativamente na estabilização do sistema elétrico. Diferentemente dos sistemas convencionais (grid-following), essas soluções são capazes de “formar rede”, contribuindo para o controle de frequência e tensão mesmo em cenários com baixa inércia — característica comum em sistemas isolados ou com alta penetração de fontes renováveis.
Além de aumentar a segurança do suprimento, a adoção de baterias pode trazer ganhos operacionais e econômicos ao sistema, ao reduzir custos associados ao despacho de térmicas e ampliar a flexibilidade da operação. A proposta também posiciona o Acre como um possível laboratório para a aplicação de soluções inovadoras em armazenamento no contexto brasileiro, com potencial de replicação em outras regiões com desafios semelhantes.
A iniciativa se insere em um movimento mais amplo de modernização do setor elétrico, no qual o armazenamento tende a desempenhar papel estratégico na integração de fontes renováveis variáveis e na prestação de serviços ancilares. Estudos recentes da própria EPE já indicam a crescente relevância das baterias no planejamento energético de médio e longo prazo.
Os próximos passos incluem a avaliação regulatória e a definição do modelo de contratação da solução, que poderá envolver leilões específicos ou mecanismos inovadores de remuneração, considerando os múltiplos serviços prestados pelo sistema de armazenamento.
A EPE também irá detalhar a proposta em um webinar aberto ao público, que será realizado no dia 24 de abril, às 10h, com participação de representantes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
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