Usinas fotovoltaicas em comunidades vulneráveis podem gerar moedas locais via blockchain

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Um projeto desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) propõe um modelo inovador que conecta a geração de energia solar em comunidades vulneráveis à criação de moedas locais, operadas por bancos comunitários e viabilizadas por tecnologia blockchain. A iniciativa transforma usinas fotovoltaicas instaladas nesses territórios em ativos que, além de fornecer eletricidade, passam a gerar valor econômico diretamente dentro da própria comunidade.

Na prática, a energia produzida pelos sistemas fotovoltaicos é convertida em créditos digitais que alimentam uma moeda social. Esses créditos podem ser utilizados em transações locais, pagamento de serviços ou acesso a crédito, criando um ecossistema em que a geração distribuída de energia se conecta diretamente à dinâmica econômica do território. O modelo estabelece uma relação concreta entre produção energética e circulação de riqueza, mantendo os benefícios financeiros no âmbito local.

Um dos diferenciais do projeto está no uso da tecnologia blockchain, que permite registrar e validar as transações de forma descentralizada, transparente e segura. Com isso, a conversão da energia gerada em unidades monetárias pode ser feita de maneira rastreável e auditável, além de possibilitar a automatização da emissão da moeda conforme a produção energética, reduzindo custos operacionais e aumentando a confiabilidade do sistema.

A iniciativa também dialoga com o conceito de transição energética justa, ao direcionar os benefícios da geração renovável para populações em situação de vulnerabilidade. Nesse contexto, a energia solar deixa de ser apenas uma solução ambiental e passa a atuar como instrumento de desenvolvimento socioeconômico, integrando inovação tecnológica, inclusão financeira e sustentabilidade.

Ainda em fase de desenvolvimento, o modelo proposto pela UFPB indica um caminho promissor para a convergência entre os setores de energia e finanças em ambientes descentralizados. Caso avance, a solução poderá ser replicada em outras regiões do país com características semelhantes, ampliando o papel da geração distribuída como vetor de transformação econômica local.

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