Alta do diesel pode acelerar participação de veículos elétricos a 30% antes de 2030 no Brasil

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A disparada recente do preço do diesel, em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio, começa a redesenhar a discussão sobre mobilidade no Brasil. Com impacto direto sobre o transporte público e a logística, o cenário abre espaço para a eletrificação ganhar tração mais rapidamente do que o previsto.

Para a Livoltek, fabricante de inversores, sistemas de armazenamento e carregadores veiculares do grupo chinês Hexing, o momento atual reforça uma vantagem estrutural da energia elétrica frente aos combustíveis fósseis.

“Se buscamos maior controle de custos, a energia elétrica, de geração local e imune a crises internacionais, sempre vai se apresentar como uma alternativa vantajosa”, afirmou o diretor comercial da Livoltek Mobility para a América Latina, Flávio PImenta. Segundo o executivo, a volatilidade do diesel contrasta com a previsibilidade da eletricidade, especialmente com a expansão do mercado livre de energia, que amplia o acesso a contratos mais competitivos.

Crescimento acima das projeções

Nesse contexto, a empresa avalia que a adoção de veículos elétricos pode avançar mais rápido do que as estimativas atuais. “Acredito que haverá um crescimento exponencial. Aquele percentual que se pensava de 30% de novas vendas de elétricos em 2030 será alcançado muito antes, pelo menos no segmento de veículos leves”, relatou Pimenta.

Para o diretor, além do fator econômico, o avanço da infraestrutura e a entrada de montadoras com produção local consolidam a transição. “A infraestrutura de recarga cresce a olhos vistos e essa insegurança está se desfazendo com o tempo.”

Recarga rápida e mudança de comportamento

A evolução da infraestrutura também passa por uma mudança no perfil da recarga. Segundo o executivo, redes públicas e semipúblicas devem priorizar carregadores rápidos (DC), enquanto o carregamento AC tende a se concentrar no ambiente residencial.

Flavio Pimenta, diretor comercial da Livoltek Mobility para a Améria Latina.

Imagem: Livoltek

“Menos tempo carregando gera valor para o cliente e também para o operador das redes. A distância em relação ao abastecimento com combustível fóssil tende a se encurtar”, afirmou. Já no uso cotidiano, a tendência é de massificação da recarga doméstica. “Todos teremos carregadores em nossas casas, como temos hoje um micro-ondas”, comparou.

Outro fator relevante para a expansão do mercado é a fabricação nacional de equipamentos, que permite acesso a linhas de financiamento como o Fundo de Financiamento para Aquisição de Máquinas e Equipamentos Industriais (FINAME),  do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Por terem fabricação nacional, esses produtos contam com alternativa de financiamento pelo FINAME, diluindo o investimento inicial, que ainda é um entrave natural para a eletrificação”, explicou.

A Livoltek também aposta em uma estratégia integrada de fornecimento. “Grandes clientes podem acessar uma solução completa, lidando com apenas um fornecedor em toda a infraestrutura de recarga.”

Transporte público ainda enfrenta barreiras

Apesar do avanço no segmento de veículos leves, a eletrificação de ônibus urbanos ainda depende de fatores estruturais e regulatórios. “O transporte público segue uma lógica própria, com interferência de questões políticas e um certo tradicionalismo  na adoção de novas tecnologias”, disse.

Segundo Pimenta, a expansão em larga escala exigirá planejamento prévio da infraestrutura e maior descentralização dos projetos. “São Paulo tem cumprido um papel importante, mas é preciso fomentar essa tecnologia por todo o país.”

Diante das limitações da rede elétrica, sistemas de armazenamento de energia (BESS) aparecem como solução estratégica para acelerar a eletrificação, especialmente no transporte público. “O BESS pode encurtar o tempo de renovação da frota e trazer mais segurança operacional. Em caso de interrupções, parte da frota pode seguir operando com a energia armazenada”, afirmou.

Já a geração solar localizada nas garagens, segundo Pimenta, tende a ter papel mais limitado nesse segmento. “A demanda de energia é muito grande. É preciso muita área.”

A empresa também prepara uma nova fase de crescimento no Brasil, com foco na ampliação de parcerias. “Já consolidamos presença em diversos segmentos e agora a fase é de escalar. São muitos processos em andamento e novidades devem ser anunciadas ainda no primeiro semestre”, disse. Segundo ele, a estratégia passa pela integração tecnológica. “Quando o cliente entende como as soluções trabalham de forma integrada, a Livoltek se torna a alternativa mais interessante.”

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