Sun R já recebeu 723 toneladas de módulos fotovoltaicos no Brasil

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Em três anos de operação, a Sun R, empresa brasileira especializada na logística reversa e destinação de equipamentos fotovoltaicos, já recebeu mais de 723 toneladas de aproximadamente 25 mil módulos fotovoltaicos para recuperação de materiais como alumínio, vidro e metais. Só no ano passado, foram recebidas 456 toneladas, um crescimento de 720% em comparação com 2021. Em 2023, já foram mais pelo menos 200 toneladas.

“Os módulos são o principal item recolhido, mas a companhia também recebe inversores, baterias, estruturas de fixação e cabeamento”, diz o CEO da empresa, Leonardo Gasparini.

Os principais produtos recuperados dos módulos são o alumínio e o vidro, que correspondem a 90% do peso do módulo. Esses materiais são separados pela Sun R em um processo mecânico, desenvolvido pela empresa para ser uma solução móvel, em um contêiner, que poderá atender a demanda de descomissionamento no local das usinas no futuro.

“Com o volume que a gente tem desses materiais, conseguimos vender para a indústria final.O alumínio vai direto para fundição. E o reciclado pode ser até 90% mais barato de se produzir do que produzir alumínio novo. Tem bastante mercado no Brasil. O vidro foi um desafio maior, tem poucas opções de destinação. Pode virar areia, cimento. Não têm tanto valor agregado, a não ser que tenha qualidade ótima. É o caso dos módulos, que têm um vidro mais puro, que demanda menos energia na transformação. Estamos destinando o vidro recuperado para a indústria de produção de microesferas, usadas no jateamento de tinta branca de asfalto, um mercado muito grande no Brasil. E essa indústria tem carência desse vidro, que precisa ser translúcido, límpido”, comenta. 

Para separar materiais que exigem processos químicos e térmicos, caso dos metais que compõe as células, incluindo aço e silício, a Sun R conta com a parceria de outras empresas, como indústrias químicas de extração de prata e de cobre.

Ou seja, os materiais são destinados diretamente para as empresas que vão usar os materiais ou para empresas que fazem o processamento. “Nada vai para o aterro ou incineração”, diz Gasparini.  

Módulos recebidos pela Sun R

Imagem: Sun R

Fim de vida prematuro

Os módulos recebidos e coletados pela Sun R são em sua maioria equipamentos que foram danificados durante o transporte e manuseio, segundo o CEO da empresa.

“As usinas normalmente são instaladas em locais remotos, passam por terrenos muito assoreados, e é um material delicado. Então muitos módulos têm fim de vida prematuro, na primeira instalação. O Brasil tem uma taxa maior de quebra do que em outros países, pelo que podemos observar”, diz. 

Além de acidentes no transporte e na instalação, defeitos de produtos e eventos externos como chuvas e vendavais podem danificar os painéis e aumentar a demanda pela destinação adequada e reciclagem.

A gente trabalha com estimativas focadas em experiências internacionais. Como base, consideramos 7% dos painéis com vida prematura. Isso baseado em estudos científicos, mas com olhar brasileiro temos a impressão de que é mais”, diz Gasparini. 

Com isso, os principais clientes do serviço de logística reversa são empresas de grande porte, que têm metas de sustentabilidade. 

Rodada de investimento

Para expandir sua atuação, atualmente concentrada em Valinhos, interior de São Paulo, a Sun R está abrindo uma rodada de investimentos para viabilizar a instalação de uma nova unidade no Nordeste. A companhia está fazendo um roadshow apresentando o negócio para empresas do setor fotovoltaico que possam agregar, além de investimentos, em conhecimento sobre a cadeia produtiva.

“Estamos focando também em desenvolvimento de pesquisa na empresa, principalmente na área de reutilização de painéis. É mais sustentável reutilizar do que reciclar. Queremos fazer uma metodologia de testes e certificação de painéis para serem reinseridos no mercado. Há muito clientes interessados, não necessariamente para comercialização, mas até mesmo para doação de painéis recuperados que poderão ser reutilizados”, diz. 

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