Com foco na minigeração, SolarVolt projeta entregar 40 MW em 2023

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Com foco em projetos de minigeração, a SolarVolt está em seu melhor primeiro semestre da história, na contramão da maior parte do setor de geração distribuída, admite o sócio fundador e diretor comercial da empresa, Gabriel Guimarães. O faturamento da empresa atingiu R$ 81 milhões de janeiro a junho, puxado principalmente pela demanda por serviços de EPC turn key e de construção para projetos de minigeração para locação, ainda enquadrados nas regras de compensação anterior à lei 14.300.

A companhia deve entregar 40 MW para seus parceiros em 2023, sendo aproximadamente 80% na minigeração. Atualmente, já tem 110 MW construídos, espalhados em 11 estados do Brasil, embora Minas Gerais concentre 85% dessa capacidade.

Nos últimos dois anos, a companhia buscou aumentar o ticket médio das vendas entregando sistemas de maior porte, o que coincidiu com o maior demanda de projetos de minigeração, com mais de 75 kW. A estimativa é de atração de R$ 40 bilhões até o final de 2040 só na geração compartilhada, modalidade que vem ganhando tração e na qual normalmente se enquadram os modelos de negócio por locação.

Com esse movimento, a companhia começou a entregar projetos também no mercado livre, na modalidade de autoprodução junto à carga.

“A segundo maior usina de telhado do Rio de Janeiro, fomos nós que entregamos para a Multiplan, com 1,5 MWp, na autoprodução. Acreditamos que essa será uma boa avenida de crescimento para o setor nos próximos anos”, diz Gabriel Guimarães.

Para ele, caberá às empresas receber as demandas dos clientes e indicar qual modalidade faz mais sentido.

No caso da Multiplan, como a intenção da empresa era investir em geração própria, mas a disponibilidade de terreno para construção da usina era limitada, sendo insuficiente para cobrir a maior parte da sua demanda, valia mais a pena fazer autoprodução e complementar o consumo não atendido com contratos no mercado livre, mais baratos que os do mercado cativo.

Já para a Tambasa, em Minas Gerais, havia disponibilidade, e a companhia investiu em geração distribuída compartilhada de 3,5 MW instalada em seu telhado.

Retomada das vendas

“A queda de vendas no primeiro semestre afetou principalmente os sistemas de menor porte, na microgeração. Mas o mercado está com muita demanda para serviços de EPC de usinas maiores no modelo de locação com o direito adquirido”, diz Gabriel Guimarães.

Os projetos de minigeração que tenham solicitado conexão até o dia 07/01 podem compensar créditos de energia integralmente sem pagar pela rede da distribuidora desde que sejam conectados em até 12 meses. Ou seja, no limite, até 07/01/24. Já os de microgeração ainda enquadrados na GD I já esgotaram esse prazo.

“Micro desacelerou muito, mas devido à situação macro, com os juros altos, a mudança política, toda a movimentação de empresas forçando o argumento de que o cliente tinha que fazer até o final do ano passado. Tanto que colocamos um outdoor no aeroporto de Confins dizendo que solar ainda vale a pena. O payback e a taxa de interno de retorno mudaram pouco”, diz Guimarães.

Ele destaca que com uma recente queda no capex – da ordem de 10% em comparação com o final do ano passado – e os reajustes das tarifas de energia, em muitos lugares é mais competitivo investir em GD residencial ou comercial atualmente do que estava antes de a lei 14.300 entrar em vigência.

“Esse mercado é crescente nos próximos 10 anos. O Brasil deve ser um dos principais mercados para solar residencial no mundo. Logo as vendas vão ser retomadas porque não tem sentido essa queda, se você parar para analisar os números”, comenta.

Veículos elétricos

Desde o ano passado, a SolarVolt se posiciona para atender o crescente mercado de veículos elétricos brasileiro com o lançamento de uma unidade de negócios específica para fornecer os carregadores, a Voolta. A empresa já atendeu clientes da própria SolarVolt, que já tinha investido em GD, mas também atende demandas que chegam do mercado.

“Vemos uma tendência de forte queda dos preços das baterias nos próximos anos e isso deve impulsionar a venda dos veículos. Inclusive o armazenamento também deve ser incentivado com o início da cobrança do uso da rede da distribuidora”, diz Gabriel. Ele menciona o crescimento de 50% nas vendas de veículos elétricos ou híbridos no primeiro trimestre de 2023.

Atualmente a Voolta mira empresas do setor de logística que têm investido em entregas com vans ou caminhões elétricos, que precisam de uma infraestrutura segura de carregamento.

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