Gastos públicos com combustíveis fósseis no Brasil poderiam financiar 38 GW de solar

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Os investimentos em combustíveis fósseis por parte do poder público ou empresas estatais no Brasil foi de pelo menos US$ 28 bilhões em 2020. Os investimentos incluem transferências orçamentais, despesas fiscais, finanças públicas, investimento por empresas estatais e apoio ao preço ao consumidor.

“De acordo com nossas estimativas, isso seria suficiente para construir 38,3GW (CC) adicionais, ou seja, o Brasil poderia ter atingido a marca de 45,5GW (CC) de capacidade solar em 2021 caso esse investimento em combustíveis fosseis fosse aplicado em energia solar. Dessa forma, o Brasil teve a 6ª maior capacidade possível a ser instalada dentre os países do G20 naquele ano”, disse à pv magazine o analista da BNEF responsável pelo Brasil no estudo, Vinicius Nunes.

Neste ano, os subsídios a combustíveis fósseis no Brasil, exclusivamente no setor elétrico, podem chegar a R$ 12 bilhões.

Investimentos públicos de países do G-20 em combustíveis fósseis e renováveis

O investimento público e privado global em tecnologias como energias renováveis e veículos elétricos (VEs) totalizaram US$ 612 bilhões em 2020, com base em dados da BNEF. De fato, os US$ 598 bilhões de apoio fóssil naquele ano poderiam ter financiado 833 GW de novas usinas de energia solar fotovoltaica com base nos custos de capital estimados para cada país do G-20. Isso seria quase seis vezes a capacidade fotovoltaica real construída em 2021 (145 GW) no G-20. No total, essas nações tinham um total de 795 GW de solar instalados no final do ano de 2021.
No total, o G-20 alocou US$ 3,2 trilhões em apoio aos combustíveis fósseis entre 2016 e 2020. Essa soma substancial “distorceu os preços, encorajou o uso e a produção potencialmente desperdiçados de combustíveis fósseis e resultou em investimentos em equipamentos e infraestrutura de longa duração e com emissões intensivas”, diz o relatório da BNEF. Mesmo os subsídios direcionados ao consumidor beneficiam desproporcionalmente os consumidores mais ricos, aponta a análise. Os autores acreditam, ainda, que este número pode estar subestimado, “dada a transparência limitada que os governos tendem a fornecer nesta área”.
O relatório completo pode ser acessado aqui (em inglês).
US$ 1 trilhão para fósseis x US$ um trilhão para transição
Um estudo da IEA identificou que os subsídios globais a combustíveis fósseis continuou crescendo em 2022 e atingiu o seu maior patamar, em US$ 1 trilhão. É aproximadamente o mesmo volume (incluindo investimentos privados) destinado em 2022 para tecnologias de transição energética, de US$ 1,3 trilhão, valor ainda 40% abaixo do necessário para manter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C, de acordo com a Irena.

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