Huawei e Aggreko anunciam maior projeto de baterias do país para substituir térmicas na Amazônia

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Um consórcio formado pela Huawei Digital Power e pela britânica Aggreko deve implementar na região amazônica o maior sistema integrado de armazenamento de energia por baterias (BESS) do Brasil, em um projeto híbrido que combina usinas solares e armazenamento para fornecer eletricidade às comunidades isoladas do estado do Amazonas.

A iniciativa, resultado de uma chamada pública promovida pelo governo federal em 2025, contempla a instalação de 110 MWp de usinas fotovoltaicas e 120 MWh de capacidade em baterias distribuídas por 24 localidades, incluindo municípios de porte médio como Tefé. O aporte total é estimado em R$ 850 milhões, dos quais R$ 510 milhões são financiados com recursos de um fundo ligado à Axia Energia, e o restante vem dos parceiros privados.

Segundo executivos envolvidos, o projeto visa desacelerar o uso de termelétricas movidas a diesel — ainda necessárias para garantir segurança energética em sistemas isolados —, reduzindo seu acionamento e promovendo maior participação de energia renovável na matriz dessas localidades. Essa transição pode resultar em uma economia anual de 37 milhões de litros de diesel e na diminuição de 104 mil toneladas de emissões de CO₂ equivalente, contribuindo para aliviar encargos como a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC).

Além da escala inédita em território nacional, o uso avançado de tecnologia de baterias permite que os sistemas armazenem energia solar excedente durante o dia e a utilizem à noite ou em dias nublados, melhorando a qualidade e a estabilidade do fornecimento em áreas onde a geração tradicional é cara e poluente. O projeto tem previsão de implementação ao longo de até três anos, com as primeiras unidades operando entre 2027 e 2028.

Especialistas em transição energética destacam que iniciativas como essa podem servir de catalisador para o uso mais amplo de sistemas de armazenamento no Brasil, especialmente em regiões remotas fora do Sistema Interligado Nacional (SIN), abrindo caminho para modelos híbridos que combinam energia solar, baterias e outras fontes renováveis.

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