Lideranças que iluminam: mulheres à frente da transição energética justa
Da estruturação de projetos híbridos solares no Haiti, passando pela elaboração de leis de licenciamento ambiental, até projetos de iluminação com energia solar para comunidades desconectadas, lideranças femininas mostram o verdadeiro sentido da transição energética: não apenas substituir fontes fósseis por limpas, mas transformar o modo como a energia é percebida e compartilhada.
Letícia Miglio, Fabíola Rocha e Tayane Belém: histórias que mostram o papel da liderança feminina na transição energética.
Imagem: Rede MESol
Share
A transição energética global não se faz apenas com módulos fotovoltaicos, turbinas eólicas e políticas públicas. Ela se faz, sobretudo, com pessoas, com mulheres que unem técnica, sensibilidade e propósito para transformar realidades. No Brasil e além dele, profissionais têm mostrado que a energia limpa é também uma ferramenta de equidade e desenvolvimento humano. Na Rede MESol, reunimos histórias inspiradoras de lideranças femininas que provam que iluminar o mundo é também um ato de coragem e empatia.
Letícia Miglio, compartilhou mais de sua experiência no setor:
Letícia Miglio, gerente de desenvolvimento de projetos do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS).
“Desde 2019, lidero no Haiti projetos de energia renovável e infraestrutura resiliente que unem tecnologia, impacto social e propósito. Sob minha gestão na UNOPS, foram implementados sistemas híbridos solares em hospitais públicos, reduzindo drasticamente o consumo de diesel, garantindo eletricidade contínua para serviços essenciais e ampliando o acesso a saúde e água limpa.
Esses projetos, financiados pelo Banco Mundial e desenvolvidos com os ministérios haitianos, transformaram a operação de centros de saúde e demonstraram como a energia pode salvar vidas. Entre as experiências mais marcantes, destaco a reestruturação da primeira cooperativa elétrica do Haiti — um marco de gestão comunitária e sustentabilidade.
Trabalhar lado a lado com comunidades locais, formando membros sobre modelos de negócio, consumo e governança democrática, reforçou minha crença de que a transição energética só é justa quando é participativa. Acredito que liderar é transformar conhecimento técnico em impacto humano — iluminando caminhos com equidade, coragem e propósito”.
O relato de Leticia traz a dimensão mais profunda do que significa energia limpa: uma força que salva vidas e gera autonomia. Sua atuação no Haiti é um lembrete de que a transição energética não é apenas sobre eficiência, mas sobre justiça e sobre incluir quem historicamente ficou nas sombras.
Por sua vez, Fabíola Rocha diz:
Fabíola Rocha, advogada e especialista em direito de energia e uso da terra.
“Atuar no mercado energético aprimorou minha visão de negócios! Tendo iniciado na empresa familiar oriunda da indústria sucroalcooleira, desde os 7 anos de idade era uma condicionante para recebimento da mesada a presença de um turno no escritório da refinaria de açúcar. Aí foi sendo moldada a mentalidade do valor do trabalho e da presença feminina na gestão e governança corporativa. Assim, atravessar as mudanças na sociedade e nos investimentos, junto com a pesquisa acadêmica e docência, forjou a minha visão sistêmica de que a reinvenção e novas oportunidades de modais de negócios devem ser buscados diante dos desafios econômicos, políticos e socioambientais.
Essa visão se entende aos projetos de lei de minha autoria em tramitação para o aperfeiçoamento das equipes multidisciplinares do licenciamento ambiental e abertura de postos de trabalho à advocacia e projetos na seara eólica e também do hidrogênio de baixa emissão de carbono.
Estes últimos 15 anos de atuação jurídica e como governance officer no cenário de prospecção, comissionamento e desenvolvimento de projetos fotovoltaicos no ecossistema solar transbordaram às demais realidades como caleidoscópio que possibilita horizontes inéditos de oportunidades”.
A trajetória de Fabíola reflete a potência da mulher que constrói pontes entre o passado industrial e o futuro sustentável. Da refinaria de açúcar à regulação do hidrogênio verde, ela carrega a síntese da liderança feminina no setor: técnica, ética e visão de longo prazo. Seu olhar jurídico e sistêmico revela que a governança e a inovação caminham juntas, e que o protagonismo feminino é essencial para moldar o desenho das políticas energéticas do futuro.
Outro projeto de destaque é o Litro de Luz Brasil. Neste artigo, a Tayane Belém nos apresentou sua visão desse universo:
Tayane Belém, diretora de Marketing e Parcerias da Litro de Luz Brasil.
“Desde 2021 na liderança do Litro de Luz Brasil, minha missão é levar dignidade e visibilidade a comunidades desconectadas da rede elétrica. Minha paixão é transformar a tecnologia solar em uma narrativa de transformação social, engajando o setor privado e viabilizando a iluminação de mais de 140 comunidades via Marketing e Captação de Recursos. O impacto vai muito além da luz. Ao garantir iluminação com nossas soluções (Poste e Lampião Solar), permitimos que criança estudem, que mães trabalhem com segurança e que a comunidade tenha autonomia.
Essa experiência reforça minha visão de futuro, baseada em três pilares:
– Justiça: Combatemos a injustiça social do déficit energético. Levar luz limpa e acessível garante o direito básico à segurança e promove dignidade, especialmente para mulheres e meninas. – Inclusão: Nossas soluções de energia solar transformam comunidades isoladas em protagonistas. Treinamos a população local para montar e manter os sistemas, criando autonomia e capacitação técnica, e integrando esses cidadãos na economia de baixo carbono. – Inovação: Somos um laboratório social. Utilizamos tecnologia solar de baixo custo e código aberto. Nossa meta é provar que é possível resolver problemas complexos com soluções simples e que o CEP não deve determinar o acesso à dignidade e à energia.”
Tayane representa o elo entre a energia e a cidadania. Sua atuação no Litro de Luz Brasil mostra que a inovação tecnológica pode andar de mãos dadas com a transformação social. Cada poste solar instalado é mais do que iluminação: é um símbolo de autonomia e de justiça energética.
A Rede MESol acredita que histórias como as de Letícia, Fabíola e Tayane mostram o verdadeiro sentido da transição energética: não apenas substituir fontes fósseis por limpas, mas transformar o modo como a energia é percebida e compartilhada. São mulheres que mostram, na prática, que a liderança feminina ilumina com propósito, equidade e humanidade. Porque, no fim das contas, o futuro da energia é humano.
Os pontos de vista e opiniões expressos neste artigo são dos próprios autores, e não refletem necessariamente os defendidos pela pv magazine.
Este conteúdo é protegido por direitos autorais e não pode ser reutilizado. Se você deseja cooperar conosco e gostaria de reutilizar parte de nosso conteúdo, por favor entre em contato com: editors@pv-magazine.com.
Ao enviar este formulário, você concorda com a pv magazine usar seus dados para o propósito de publicar seu comentário.
Seus dados pessoais serão apenas exibidos ou transmitidos para terceiros com o propósito de filtrar spam, ou se for necessário para manutenção técnica do website. Qualquer outra transferência a terceiros não acontecerá, a menos que seja justificado com base em regulamentações aplicáveis de proteção de dados ou se a pv magazine for legalmente obrigada a fazê-lo.
Você pode revogar esse consentimento a qualquer momento com efeito para o futuro, em cujo caso seus dados serão apagados imediatamente. Ainda, seus dados podem ser apagados se a pv magazine processou seu pedido ou se o propósito de guardar seus dados for cumprido.
The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.
Ao enviar este formulário, você concorda com a pv magazine usar seus dados para o propósito de publicar seu comentário.
Seus dados pessoais serão apenas exibidos ou transmitidos para terceiros com o propósito de filtrar spam, ou se for necessário para manutenção técnica do website. Qualquer outra transferência a terceiros não acontecerá, a menos que seja justificado com base em regulamentações aplicáveis de proteção de dados ou se a pv magazine for legalmente obrigada a fazê-lo.
Você pode revogar esse consentimento a qualquer momento com efeito para o futuro, em cujo caso seus dados serão apagados imediatamente. Ainda, seus dados podem ser apagados se a pv magazine processou seu pedido ou se o propósito de guardar seus dados for cumprido.
Mais informações em privacidade de dados podem ser encontradas em nossa Política de Proteção de Dados.