O mercado brasileiro de geração distribuída (GD) entra em uma nova fase de maturação, marcada pela diversificação tecnológica e pela evolução do modelo de negócios das empresas que atuam na cadeia solar. Nesse cenário, distribuidoras e integradores passam a combinar equipamentos, financiamento e serviços em plataformas integradas, criando o que executivos do setor chamam de “ecossistemas solares”.
Em entrevista à pv magazine Brasil para o Especial de Distribuição 2026, o COO da Solfácil, Eduardo Neubern, aposta que esse movimento tende a redefinir a forma como os projetos de energia solar são comercializados no país.
“Mais do que vender equipamentos, nossa proposta é atuar como um ecossistema integrado para o integrador solar. Buscamos combinar logística, crédito, tecnologia, seguros, capacitação e suporte técnico em uma única plataforma”, afirma o executivo.
Fundada em 2018 como a primeira fintech de crédito solar do Brasil, a Solfácil ampliou sua atuação no mercado em 2023 ao adquirir a distribuidora Solar Inove, passando a atuar também no fornecimento de equipamentos fotovoltaicos. O movimento permitiu à empresa estruturar uma oferta mais ampla de soluções para integradores e consumidores finais.
Atualmente, a companhia opera em todo o território nacional com dois centros de distribuição localizados em Jundiaí (SP) e Jaboatão dos Guararapes (PE), responsáveis por atender integradores em diferentes regiões do país.
Armazenamento impulsiona nova fase do mercado
Segundo Neubern, o setor solar brasileiro passa por um momento de transição, com maior demanda por tecnologias que ampliem o valor agregado dos projetos.
“O armazenamento de energia deixa de ser um nicho e passa a ocupar um espaço relevante nos projetos. Ao mesmo tempo, cresce o interesse por soluções de maior valor agregado, como inversores híbridos e carregadores para veículos elétricos”, afirma.
A empresa aponta que três fatores têm impulsionado a adoção de baterias no mercado brasileiro: a possibilidade de armazenar o excedente de geração em vez de injetá-lo na rede, a redução de custos no horário de ponta para consumidores comerciais e industriais e a busca por maior segurança energética diante de interrupções no fornecimento.
“A adoção de baterias está sendo acelerada pela economia com a Tarifa do Fio B, pela redução de custos no horário de pico para empresas e pela segurança contra apagões, uma demanda que cresceu muito após as recentes quedas de energia em diferentes regiões do país”, explica Neubern.
Além das baterias, tecnologias como carregadores para veículos elétricos também começam a ganhar espaço no portfólio das distribuidoras, ampliando as possibilidades de aplicação da energia solar.
Equipamentos e financiamento no mesmo pacote
Em um ambiente de margens mais apertadas, o acesso ao financiamento se tornou um fator determinante para a conversão de projetos solares.
De acordo com Neubern, o diferencial competitivo das distribuidoras passa cada vez mais pela capacidade de oferecer equipamentos e crédito em uma mesma solução.
“O valor do equipamento continua sendo um fator decisivo, mas o diferencial está na união de preço com crédito. As distribuidoras que oferecem o combo de equipamentos com financiamento conseguem maior fidelização ao entregar parcelas menores ao consumidor final”, afirma.
Nesse contexto, soluções financeiras integradas à venda de sistemas solares ganham relevância para ampliar o acesso à geração distribuída e facilitar o fechamento de projetos.
Capacitação e profissionalização do setor
Outro eixo estratégico para a empresa é o investimento em capacitação técnica e comercial dos integradores.
Em fevereiro de 2026, a Solfácil lançou a Solfácil Academy, plataforma de ensino a distância voltada ao treinamento de integradores, com foco inicial em inversores híbridos e sistemas de armazenamento.
Segundo Neubern, iniciativas desse tipo tendem a ganhar importância à medida que as tecnologias se tornam mais complexas e exigem maior especialização por parte dos profissionais do setor.
Consolidação e novos modelos de atuação
Na avaliação da Solfácil, o mercado brasileiro de distribuição solar começa a apresentar sinais de consolidação, com a saída de empresas menos estruturadas.
Ao mesmo tempo, o executivo ressalta que ainda existe espaço para modelos regionais de atuação, especialmente devido às particularidades do mercado brasileiro.
“O setor começa a dar sinais de consolidação, mas ainda é cedo para afirmar que o mercado está totalmente consolidado. A atuação regional continua sendo importante, porque cada região do Brasil possui dinâmicas próprias de financiamento, logística e demanda”, afirma.
Para o executivo, as empresas que conseguirem integrar diferentes serviços em uma única plataforma terão vantagem competitiva nos próximos anos.
“A principal oportunidade está em deixar de ser apenas um fornecedor de equipamentos e passar a atuar como um ecossistema completo, integrando distribuição, financiamento e seguros para oferecer melhores condições ao cliente final”, conclui.
Com a expansão da geração distribuída e o avanço de tecnologias como baterias, inversores híbridos e eletromobilidade, o setor solar brasileiro caminha para modelos de negócio cada vez mais integrados, conectando soluções energéticas, financeiras e tecnológicas em uma mesma plataforma.
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