UCB Power projeta mercado de 72 GWh até 2034 e defende regulação para acelerar escala

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O mercado brasileiro de armazenamento de energia junto à carga já acumula centenas de megawatt-hora (MWh) instalados e pode atingir 72 GWh até 2034, segundo estimativas do CEO da UCB Power, Ronaldo Gerdes, em entrevista à pv magazine Brasil para o especial Aplicações de baterias junto à carga em GD, com base em projeções da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae). Para o executivo, embora o segmento ainda seja incipiente, as aplicações economicamente viáveis já estão consolidadas em nichos específicos.

“Quando a bateria resolve um problema concreto do consumidor, a conta fecha”, afirma.

Peak shaving e redução de custos lideram aplicações

Entre as aplicações mais vantajosas estão a redução de demanda no horário de ponta, especialmente para consumidores comerciais e industriais expostos a tarifas elevadas. O uso das baterias para peak shaving permite reduzir picos de consumo e, consequentemente, os encargos associados.

Outra frente relevante é o acoplamento às usinas solares on-grid ou híbridas, ampliando o autoconsumo por meio do armazenamento da energia excedente durante o dia para uso em outros horários. Com sistemas inteligentes de gerenciamento, a arbitragem energética também passa a compor a estratégia de otimização financeira.

Segundo Gerdes, a confiabilidade, eficiência e vida útil das tecnologias atuais tornam essas aplicações plenamente viáveis no contexto brasileiro.

Backup e resiliência ganham protagonismo

Além da lógica financeira, o armazenamento vem sendo adotado como solução estratégica para garantir continuidade operacional diante de falhas e oscilações na rede elétrica.

Ronaldo Gerdes, CEO da UCB Power.

Imagem: UCB Power

“As baterias garantem estabilidade, reduzem perdas e protegem processos críticos”, diz o CEO. Em segmentos industriais e comerciais, evitar paradas inesperadas pode representar economia significativa.

No mercado residencial, a empresa aposta na popularização do armazenamento com soluções integradas como a Unipower Slim, bateria All-in-One voltada ao público doméstico. A proposta é ampliar o acesso ao backup e fortalecer a autonomia energética.

Para Gerdes, a resiliência energética tornou-se elemento central na decisão de investimento. “É colocar o cliente em posição estratégica na gestão do seu próprio sistema energético.”

Casos integrados à geração distribuída

A UCB Power mantém projetos em operação em diferentes segmentos, principalmente integrados à geração distribuída solar e voltados para backup. De acordo com a empresa, cada sistema é dimensionado conforme a necessidade específica do cliente, com foco em continuidade de operação e proteção de cargas sensíveis.

Os projetos incluem aplicações residenciais, comerciais e industriais, priorizando confiabilidade e viabilidade de longo prazo desde o comissionamento.

Interrupções reforçam busca por armazenamento

Eventos de interrupção no fornecimento têm sido um dos principais impulsionadores da demanda. Consumidores passaram a considerar o armazenamento não apenas como alternativa de economia, mas como ferramenta de proteção contra prejuízos operacionais, danos a equipamentos e perda de produtividade.

“Hoje, as baterias são vistas como solução estratégica para garantir confiabilidade e autonomia energética”, afirma Gerdes.

Consumidor solar tende a avançar para storage

Clientes que já investiram em geração distribuída apresentam maior propensão à adoção de baterias. Segundo o executivo, esse público já possui mentalidade voltada à autonomia energética e percebe com clareza os ganhos associados ao aumento do autoconsumo e à redução da dependência da rede.

Além disso, muitos desses consumidores já vivenciaram situações em que a geração solar isolada não supriu integralmente suas necessidades, seja à noite ou durante interrupções.

Entraves econômicos e regulatórios

Apesar do avanço tecnológico, o mercado ainda enfrenta barreiras relevantes. O investimento inicial permanece elevado para parte dos consumidores, mesmo com a redução gradual dos custos das baterias.

No campo regulatório, a ausência de regras específicas para armazenamento junto à carga gera insegurança e limita a criação de modelos mais sofisticados. Já do ponto de vista técnico, Gerdes aponta a necessidade de maior capacitação de integradores, padronização de projetos e disseminação de conhecimento.

CP 39 pode dar segurança jurídica ao setor

A Consulta Pública 39 da Aneel é vista como etapa essencial para estruturar o segmento. Ao definir diretrizes claras para integração das baterias ao sistema elétrico, a regulação tende a reduzir incertezas e estimular investimentos.

“Um marco regulatório bem definido permite que o setor evolua de forma organizada, ampliando o acesso às soluções e consolidando modelos de negócio mais robustos”, conclui o CEO da UCB Power.

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