Microrredes híbridas em 50% nos sistemas isolados até 2035 podem reduzir CCC pela metade

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A Empresa de Pesquisa Energética, em parceria com o Itaipu Parquetec, publicou o relatório Roadmap de Microrredes para Sistemas Isolados no Brasil.

Atualmente, os sistemas isolados brasileiros dependem majoritariamente de geração a diesel, uma solução cara, com logística complexa e sujeita à volatilidade de preços, além de impor crescente pressão sobre a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), que em 2025 demandou R$ 12 bilhões do orçamento da CDE. Em 2024, a participação do diesel no atendimento aos Sistemas Isolados (SISOL) é de 67%, enquanto a do gás natural é de 25%.

O estudo aponta para uma oportunidade de redução de custos com a diversificação das fontes que atendem os sistemas isolados, além de identificar os desafios para essa transição. Do ponto de vista tecnológico, arquiteturas híbridas em CA e CC combinadas a conversores grid forming oferecem maior estabilidade operacional e ampliam a capacidade de integração renovável.

Cenários para expansão das microrredes

O roadmap apresenta três cenários para 2025–2035:

  • Cenário de continuidade: A adoção de microrredes com alta participação renovável permanece restrita a projetos-piloto e experiências pontuais, atingindo menos de 15% das localidades que continuarão fora do SIN até 2035. A CCC tende a apresentar apenas uma redução limitada, em grande parte associada às interligações já previstas, mas se manterá em patamares elevados, superiores a R$ 8–10 bilhões anuais, dada a persistente e ampla dependência do diesel na maioria dos sistemas. As emissões de gases de efeito estufa
    recuam de forma marginal, insuficiente para colocar o setor em linha com as metas climáticas assumidas pelo Brasil.
  • Cenário de hibridização acelerada por políticas públicas: A adoção de microrredes híbridas se expande de forma acelerada, alcançando aproximadamente 40% a 50% das localidades isoladas ainda existentes até 2035. Essa transição promove uma redução estrutural e significativa da CCC, que passa a se situar na faixa de R$ 4 a 6 bilhões anuais, diminuindo a pressão sobre as tarifas de todos os consumidores do país. A pegada de carbono dos SISOL é reduzida de maneira expressiva, configurando uma contribuição relevante para o cumprimento das metas climáticas assumidas pelo Brasil.
  • Cenário de transformação total: A combinação entre um marco regulatório estável e leilões competitivos direcionados atrai um fluxo expressivo de capital privado. Nesse ambiente, a implantação de microrredes avançadas, baseadas em alta participação de energia solar e sistemas de armazenamento em baterias, consolida-se como a solução dominante, chegando a mais de 75% das localidades isoladas até 2035. O efeito sobre a CCC é estrutural: o encargo se torna residual no sistema elétrico, com valor anual projetado inferior a R$ 2 bilhões. E as emissões caem 90%.

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