O mercado brasileiro de baterias junto à carga em sistemas de geração distribuída (GD) já ultrapassa 500 MWh instalados e deve crescer de forma acelerada nos próximos anos, com a expectativa de ao menos 650 MWh adicionais até 2026. A estimativa é do LATAM Product Specialist da fabricante chinesa Sungrow, Nickolas Vivaqua, em entrevista concedida à pv magazine Brasil como parte do especial Aplicações de baterias junto à carga em GD.
Segundo o executivo, o armazenamento de energia já se consolidou como uma solução economicamente e tecnicamente viável em diferentes segmentos de consumo. “Hoje temos em nosso portfólio soluções que atendem desde o cliente residencial até o industrial”, afirma Vivaqua.
No segmento residencial, a maior demanda está concentrada em sistemas de backup, especialmente como proteção contra apagões. “Também há uma procura relevante por autoconsumo, principalmente entre clientes que já possuem sistemas fotovoltaicos instalados e/ou optaram pela tarifa branca, o que garante maior redução na conta de energia”, explica.
Já no mercado comercial e industrial, o foco recai sobre aplicações de load shifting e peak shaving. “Muitos clientes utilizam as baterias no horário de ponta, reduzindo a dependência de geradores a diesel, enquanto outros buscam evitar multas por ultrapassagem da demanda contratada”, diz o especialista. Além disso, o backup energético segue sendo uma demanda crítica, uma vez que, nesse segmento, a falta de energia representa prejuízo direto à operação.
Qualidade de energia amplia oportunidades no agro e na indústria
Vivaqua destaca ainda uma demanda específica nos segmentos agroindustrial e industrial relacionada à qualidade de energia. “Em locais onde apagões não são tão frequentes, picos e variações de tensão causam paradas de produção e danos aos equipamentos”, afirma. Segundo ele, a Sungrow desenvolveu recentemente uma solução voltada a esse tipo de aplicação, abrindo novas oportunidades para parceiros e integradores.

Imagem: Sungrow
Essas soluções atendem, de forma combinada, necessidades como backup, aumento do autoconsumo, load shifting, peak shaving, resiliência energética e melhoria da qualidade da energia. “No residencial, o foco é backup e economia na conta. No comercial e industrial, a prioridade é continuidade operacional e redução de custos. Já no agro e na indústria, a mitigação de variações de tensão ganha protagonismo”, resume.
Crescimento impulsionado por apagões e sistemas híbridos
De acordo com o executivo, eventos recentes de interrupção no fornecimento elétrico têm reforçado de forma significativa a busca por soluções de armazenamento. “Observamos um aumento expressivo na demanda após grandes apagões, especialmente em São Paulo”, relata.
Esse movimento inclui inclusive consumidores que não possuem geração solar instalada. “Clientes que moram em apartamentos e não têm sistemas fotovoltaicos estão investindo em sistemas de backup para garantir energia”, afirma Vivaqua. Ele acrescenta que soluções híbridas vêm sendo adotadas por clientes residenciais, comerciais e industriais mesmo sem painéis fotovoltaicos. “O objetivo é minimizar prejuízos e garantir energia para equipamentos essenciais, como Wi-Fi, ar-condicionado e televisão.”
No caso de indústrias e comércios, a energia disponível de forma contínua passou a ser um diferencial competitivo. “Em um cenário globalizado e digitalizado, a disponibilidade garantida de energia impacta diretamente a produtividade e os custos operacionais”, destaca.
GD acelera adoção de baterias
Segundo Vivaqua, consumidores que já investiram em geração distribuída tendem a ser mais propensos à instalação de baterias. “Esses clientes já tiveram uma experiência positiva com retorno sobre investimento e redução da conta de energia, além de apresentarem maior abertura a novas tecnologias”, afirma.
Além disso, sistemas fotovoltaicos associados a baterias permitem uma gestão mais estratégica do consumo. “O cliente pode ajustar carregamento e descarregamento conforme seu perfil de uso, reduzindo ainda mais a dependência da rede pública”, explica. Ele destaca ainda que inversores híbridos permitem que o sistema FV continue operando durante quedas da rede, algo que não é possível sem o uso de baterias.
Mercado vive melhor momento histórico, avalia executivo
Para o especialista da Sungrow, grande parte das limitações técnicas, econômicas e regulatórias foi superada nos últimos anos. “Tecnicamente, já existem soluções para clientes de diferentes portes. Economicamente, vivemos o melhor cenário histórico, com preços de baterias muito inferiores aos de cinco anos atrás”, afirma.
No campo regulatório, Vivaqua avalia que houve avanços importantes desde 2022. Ele ressalta ainda que restrições recentes impostas por distribuidoras a novas conexões de geração distribuída, como limitações à exportação de energia, acabaram impulsionando o mercado de armazenamento. “Os consumidores buscam maior independência, e a redução nos custos de fabricação amplia ainda mais as oportunidades no Brasil”, diz.
CP 39 é vista como decisiva para acelerar o setor
Na avaliação da Sungrow, a Consulta Pública n.º 39 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pode desempenhar papel central na consolidação do mercado de baterias junto à carga. “A CP 39 é fundamental para destravar e acelerar o mercado, ao trazer maior clareza regulatória, reduzir a insegurança jurídica e viabilizar modelos de negócio para sistemas de armazenamento integrados à geração fotovoltaica”, afirma Vivaqua.
Segundo ele, regras claras tendem a conferir previsibilidade ao setor, estimular investimentos e consolidar o armazenamento como elemento estratégico da modernização do sistema elétrico brasileiro. “Com isso, o armazenamento se posiciona como peça-chave da transição energética e do avanço da geração distribuída no país”, conclui.
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