Células solares de perovskita alcançam 34% de eficiência sob luz artificial em ambientes internos

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Pesquisadoras do Centro de Inovação em Novas Energias (CINE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), em parceria com cientistas italianos, criaram células solares de perovskita capazes de gerar eletricidade a partir de luz artificial em ambientes internos — uma fronteira importante para aplicações em residências, escritórios e indústrias que hoje dependem de pilhas ou baterias.

O estudo “Empowering perovskite modules for solar and indoor lighting applications by 1,8-diiodooctane/phenethylammonium iodide 2D perovskite passivation strategy”, publicado na revista científica Nano Energy, demonstra que um tratamento de superfície inovador aplicado à camada principal das células solares melhora a performance sob iluminação típica de ambientes (1000 lux, 500 lux e 200 lux). Com essa técnica, a equipe conseguiu eficiências próximas de 34% em módulos de perovskita de baixo bandgap, valores comparáveis a alguns dos melhores resultados reportados na literatura para iluminação artificial.

O método consiste em depositar uma mistura do sal orgânico PEAI com o aditivo DIO sobre a perovskita tridimensional, formando espontaneamente uma camada bidimensional que neutraliza defeitos superficiais e facilita o transporte de cargas elétricas. Essa passivação de defeitos e o alinhamento otimizado de dipolos na interface contribuem para o desempenho elevado dos dispositivos sem necessidade de tratamentos térmicos, ocorrendo à temperatura ambiente. (

As células foram fabricadas em diferentes escalas, desde pequenas áreas de teste até módulos de 121 cm² compostos por até 15 subcélulas conectadas em série, demonstrando a viabilidade da tecnologia para aplicações comerciais.

Segundo a pós-doutoranda no CINE e autora principal do trabalho, Francineide Lopes de Araújo, o avanço reforça o potencial competitivo da tecnologia fotovoltaica de perovskita frente a outras metodologias de produção, especialmente por sua simplicidade de fabricação e baixo impacto nos custos.

A pesquisa contou com supervisão de Ana Flávia Nogueira, da Unicamp, e Aldo Di Carlo, da Università degli Studi di Roma Tor Vergata, e aponta para um futuro em que dispositivos eletrônicos de baixa potência possam ser alimentados diretamente pela luz ambiente sem necessidade de fontes de energia tradicionais.

Com informações da Agência FAPESP.

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