Momento instável da GD traz oportunidades para crescimento no longo prazo, avalia CEO da Aldo Solar

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O segmento de geração distribuída está atravessando sua primeira crise, o que pode levar a uma fase de consolidação do mercado, mas o cenário para o longo prazo é de grande potencial de crescimento, avalia o CEO da Aldo Solar, Antonio Nuno Verças.

“É um setor novo e, na prática, está passando por sua primeira crise. Vínhamos de um boom de crescimento, de 2016 até 2018, de forma mais intensa. De 2019 a 2022 também foram crescimentos acentuados. O mercado é interessante, não só por questões socioambientais, mas também economicamente. E vem de um crescimento natural, com muitos novos players na distribuição e integração”, aponta o executivo.

Esse crescimento do número de empresas atuando no mercado acentua a queda de vendas percebida pelas empresas, avalia Verças. Isto porque, além dos efeitos da mudança de regras de compensação, há mais concorrentes disputando pelo mercado – a Greener estimou de forma conservadora mais de 31 mil integradores atuando em 2022.

Para ele, o cenário torna inevitável uma fase de consolidação entre as empresas do segmento de GD, mas isso não significa que não há oportunidades para fechar novos negócios. “O mercado está aí. São apenas 2% dos telhados com instalações fotovoltaicas. Não consigo ver um problema de mercado estrutural nos próximos 10, 15 anos”, diz Verças.

Parcerias comerciais para chegar ao consumidor final

Entre as oportunidades para novos negócios, o executivo aponta pequenas e médias empresas e produtores rurais, para os quais o custo de energia tem um peso importante no fluxo de caixa das operações.

Além disso, a companhia tem estudado e negociado parcerias comerciais com empresas e instituições que desejam ofertar a geração solar para seus clientes e parceiros. “Estamos em conversas com três parceiros com acesso ao cliente final. Vamos vender o equipamento e dar aceso à rede de empreendedores e potencial financiamento, pacote de ofertas e disponibilidade de produtos”, conta Verças. A iniciativa deve complementar os pedidos feitos diretamente pelos integradores.

Outro vetor de expansão, acredita o CEO da Aldo, devem ser os produtos complementares à geração solar, como os carregadores de veículos elétricos ou o armazenamento. “Se colocar tudo isso na conta, não consigo enxergar problema estrutural, são desafios eventuais, mas estou muito otimista no longo prazo com o ecossistema”, diz.

CEO da Aldo Solar, Antonio Nuno Verças

Imagem: Aldo Solar

Lei 14.300 compensada por queda de preços dos módulos

“Ainda que associem à lei 14.300, o impacto foi muito criado por nós do setor, que para acelerar as vendas no final do ano passado, criamos um receio no público, um “monstro” acordado por nós mesmos. Ao contrário do que as pessoas percebem, a lei não teve impactos significativos no caso econômico, resultando em apenas alguns meses a mais de tempo de retorno”, disse o CEO da Aldo Solar.

Outro fator claro que impactou as vendas, diz, foi a crise de crédito no país. “É um fato. Com o sistema financeiro em crise, o crédito encolhe de forma natural. A aquisição desses equipamentos requer acesso ao crédito por parte de famílias e comércio”, comenta Verças.

Por outro lado, pontua o executivo, em um ano, os preços dos módulos caíram entre 30% e 40%, a depender da estrutura do projeto, após uma queda substancial do preço do silício. “Na prática, a lei teve impacto zero, frente a queda de preço dos equipamentos”, diz.

Além disso, os reajustes tarifários, acima dos 10% em algumas áreas de concessão, somam-se à queda dos preços dos equipamentos e fazem com que a geração distribuída permaneça viável e, em alguns casos, mais competitiva em 2023 do que em 2022.

Verças diz que em julho há uma tendência de recuperação das vendas, embora ainda estejam abaixo na comparação com igual mês de 2022. “Nos últimos dois meses, já começa a entrar em alguma normalidade (o número de vendas), embora ano passado tenha sido muito atípico, especialmente novembro e dezembro, não é a melhor base de comparação. Julho está ainda abaixo, mas já com uma tendência de aumento”, diz.

Potência instalada de geração solar distribuída por ano e crescimento na comparação ano a ano
AnoPotência instalada (kW)Variação em relação ao ano anterior (%)
20234.475.211,20n.a.
20228.269.006,8676,33
20214.689.411,9759,58
20202.938.562,6684,80
20191.590.120,40283,45
2018414.683,31236,64
2017123.184,26152,36
201648.811,97379,25
201510.185,12298,35
20142.556,8092,36
20131.329,17106,14
2012644,80696,05
201181,00406,25
201016,0012,68
200914,20n.a.

Fonte: Aneel (consultado em 17/07)

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