E se a favela pudesse gerar sua própria energia solar e reduzir os custos para fortalecer a geração de renda e transformar vidas? Essa pergunta, que norteou a fundação da Revolusolar, parecia impossível, há dez anos. Hoje, a organização demonstra, na prática, que comunidades periféricas podem ser protagonistas da transição energética por meio da geração compartilhada de energia solar, formação profissional, pesquisa aplicada e incidência em políticas públicas nacionais e internacionais.
Na próxima terça, 26, a organização fará um evento exclusivo para convidados, no Centro do Rio, a partir das 17h, para celebrar sua primeira década. No evento, parceiros estratégicos, patrocinadores, organizações beneficiadas, além de homenageados estarão presentes olhando a trajetória desta primeira década e para onde a Revolusolar está caminhando nos próximos anos.
Ao longo dessa trajetória, a Revolusolar também se consolidou como referência em comunidades energéticas, modelos em que moradores compartilham a geração e os benefícios da energia limpa de forma coletiva, levando essa experiência para debates estratégicos como o G20, e a COP 30, em Belém.
A organização atua integrando implementação de projetos solares, formação profissional, educação comunitária, pesquisa aplicada e incidência política para ampliar o acesso democrático à energia limpa no Brasil.
Esse trabalho ajudou a fortalecer o debate sobre pobreza energética, justiça climática no país, mostrando que territórios periféricos podem liderar soluções inovadoras para os desafios da transição energética.
O início
Em 2015, as contas de luz oscilavam absurdamente. Pequenas casas, poucos eletrodomésticos, chegavam a receber cobranças que ultrapassavam os R$500 na tarifa de energia elétrica convencional. A indignação da população local era ignorada pelo poder público. Por isso, um belga, especialista técnico em energia solar, que morava na comunidade, se uniu com um grupo de moradores para instalar a primeira usina fotovoltaica em favela do Brasil.
A primeira instalação foi um grande marco, e levou a periferia do papel de consumidor passivo para ter voz ativa em ações de transição energética justa, discutindo políticas sociais e temas como racismo ambiental por quem de fato sente na pele e no bolso como mudanças climáticas, uso de combustíveis fósseis e outras formas de formas de consumo energético tradicionais afetam suas vidas diretamente.
A partir dessa experiência, a Revolusolar passou a desenvolver modelos de comunidades energéticas, em que moradores compartilham coletivamente a geração e os benefícios da energia limpa por meio de estruturas comunitárias e cooperativas solares.
Um dos principais exemplos é a Cooperativa Percília e Lúcio, criada pela organização na Babilônia e Chapéu Mangueira, considerada uma das experiências pioneiras de comunidade energética em favela no Brasil.
Atualmente, a Revolusolar já instalou 22 usinas em 6 estados, e o que era para ser uma transformação local, se transformou em mudança social nacional. Atualmente, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Amazonas, Tocantins e Pará contam com projetos da organização, gerando uma verdadeira “revolução solar”, que inspirou o nome da entidade.
“É uma emoção muito grande ver algo que nasceu dentro da favela e que está ganhando o Brasil todo, e geralmente nós que saímos da favela, nossa perspectiva é sempre diferente. São sempre as iniciativas que vinham de fora do território para dentro dele, e quase nunca acontece de dentro para fora, e ver os impactos que a Revolusolar têm e neste evento iremos anunciar para o mundo modelos que dão certo e que podem ser replicáveis, para a gente é uma emoção muito grande, é a realização de um sonho”, ressalta Adriano Paraíso, diretor de Pessoas e Comunidades.
Segundo ele, ninguém faz nada sozinho, e ter um time coeso e empenhado também colabora para o sucesso da organização: “É também resultado de muito estudo, muito trabalho e muita entrega de uma equipe que é incansável em tudo que a gente se propõe a fazer, faz bem feito. Que tem desejo e anseio de fazer ainda mais. É o resultado também de uma equipe que não vai parar até a transição energética ser justa, inclusiva e popular no Brasil, e no mundo inteiro”, complementa Adriano.
Prêmios recebidos
2019
- Lab Habitação – Inovação e Moradia – Destaque nacional.
2020
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ONU Meio Ambiente – Young Champions of the Earth – Finalista Global
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Shell Iniciativa Jovem – Premiado
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The Lab – Driving Sustainable Investment – Vencedor Brasil e finalista Global.
2021
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International Cooperative Alliance (ICA Coop) – Global Youth Replication.
2022
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Stanford University – Global Energy Heroes – Vencedor.
2023
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International Energy Agency (IEA) – Caso de sucesso na América Latina.
2024
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Folha de São Paulo – Empreendedor Social do Ano – Soluções Que Inspiram.
2025
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Schneider Electric – Youth Innovation for a Sustainable Future – Vencedor América Latina.
10 anos em números
Durante a primeira década, a Revolusolar acumulou excelentes resultados: foram instalados 288 kWp, distribuídos em 22 usinas solares. Atuação em seis estados brasileiros. Formação de 113 profissionais em instaladores solares. Teve destaque internacional da Agência Internacional de Energia. Participações em conferências globais e espaços estratégicos de debate climático e energético, como G20 e COP 30. Semifinalista do Earthshot Prize, prêmio criado pelo Príncipe William. Realizou as publicações de 18 pesquisas e estudos, desenvolvidas pela própria organização. Além de ter lançado um curso on-line.
O próximo ciclo
Nos próximos cinco anos, a Revolusolar avançará em três frentes integradas: ampliar a presença territorial com excelência técnica, aprofundar a incidência em políticas públicas estruturantes para a transição energética justa, inclusiva e popular no Brasil, fortalecer modelos de comunidades energéticas, ampliar o acesso democrático à energia limpa em territórios populares, projee consolidar nossa sustentabilidade institucional de longo prazo.
A organização está construindo o Planejamento Estratégico 2030 com metas robustas, novos territórios no Amazonas, e atuação cada vez mais integrada entre energia, geração de renda, formação profissional, fortalecimento de comunidades nos territórios e justiça climática.
Ao completar 10 anos, a Revolusolar reforça seu papel como uma das principais referências brasileiras em transição energética justa, inclusiva e popular e comunidades energéticas, conectando inovação tecnológica, protagonismo comunitário e desenvolvimento territorial para construir modelos mais democráticos de acesso à energia no país.
SERVIÇO
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