Um estudo recente avaliou a substituição de fontes térmicas baseadas em biomassa por eletrificação com energia solar fotovoltaica em uma agroindústria brasileira, com foco no processamento de castanha de caju. A análise investiga os impactos técnicos, econômicos e ambientais dessa transição energética em processos industriais intensivos em calor.
Os resultados mostram que a eletrificação dos processos térmicos, quando combinada com geração fotovoltaica, permite uma redução expressiva das emissões de gases de efeito estufa. A substituição da biomassa evitou cerca de 282 toneladas de CO₂ por ano, correspondendo a 99,66% das emissões totais reduzidas no sistema analisado.
O estudo também evidencia que, em comparação, o uso convencional da energia solar apenas para compensação do consumo elétrico da rede apresenta impacto limitado na redução de emissões, respondendo por apenas 0,34% do total evitado. Esse resultado está relacionado ao perfil da matriz elétrica brasileira, que já possui elevada participação de fontes de baixo carbono.
A análise indica que o maior potencial de descarbonização da energia solar no país está na substituição de fontes térmicas, e não apenas na geração elétrica. Ao eletrificar processos que tradicionalmente dependem de biomassa ou outras fontes térmicas, a tecnologia fotovoltaica amplia significativamente seu impacto climático.
Do ponto de vista econômico, o sistema apresentou elevada atratividade. A configuração analisada alcançou autossuficiência elétrica e registrou tempo de retorno de aproximadamente 7 meses, indicando viabilidade para aplicações em agroindústrias com perfil de consumo semelhante.
A avaliação técnica demonstra que a eletrificação dos processos térmicos é capaz de atender às demandas operacionais da unidade, mantendo níveis adequados de desempenho e estabilidade. A integração com a geração solar também contribui para maior previsibilidade energética e redução da dependência de insumos tradicionais.
Segundo os autores, os resultados avançam a literatura ao demonstrar que a substituição de energia térmica por eletrificação baseada em fotovoltaico pode gerar benefícios climáticos até cem vezes maior do que os sistemas solares convencionais voltados apenas à geração elétrica.
A pesquisa também destaca o potencial de replicação da solução em outras cadeias agroindustriais com consumo intensivo de calor, reforçando o papel da energia solar como vetor de descarbonização não apenas do setor elétrico, mas também de processos produtivos.
O novo modelo foi apresentado por pesquisadores brasileiros da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) e da Universidade Técnica da Dinamarca com foco na avaliação integrada da eletrificação renovável no setor agroindustrial no país por meio do estudo “Green electrification of agroindustry: Technical, economic and environmental assessment”, publicado em Sustainable Energy Technologies and Assessments.
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