Inversor híbrido fabricado no Paraná ajuda a evitar prejuízos de até R$ 150 mil em apagões no agronegócio

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A NHS, fabricante brasileira de nobreaks e soluções de proteção elétrica com sede no Paraná, desenvolveu um inversor fotovoltaico híbrido voltado a aplicações em propriedades rurais. O equipamento, chamado QUAD, integra geração solar, rede elétrica e bancos de baterias em um único sistema de gerenciamento energético, permitindo que operações críticas continuem funcionando mesmo durante interrupções no fornecimento de energia.

Com quase quatro décadas de atuação no mercado nacional, a empresa ampliou seu portfólio para o segmento fotovoltaico aproveitando a experiência acumulada em tecnologias de backup e qualidade de energia. O equipamento foi projetado para operar de forma automática entre as diferentes fontes energéticas, garantindo estabilidade no fornecimento para cargas sensíveis.

A demanda por soluções desse tipo tem crescido diante dos desafios enfrentados pelo agronegócio brasileiro em regiões com infraestrutura elétrica mais vulnerável. Temporais recentes no interior do Paraná, por exemplo, provocaram quedas prolongadas de energia em municípios do oeste do estado, afetando atividades como avicultura e piscicultura, altamente dependentes de eletricidade para ventilação, oxigenação e refrigeração.

Em sistemas produtivos desse tipo, interrupções de poucas horas podem causar perdas expressivas. Em um único aviário, a morte de 20 mil frangos com peso médio de 1,5 quilo — cerca de 30 toneladas de produção — pode gerar prejuízos superiores a R$ 150 mil, sem considerar custos logísticos adicionais.

Segundo o gestor comercial de energia solar da NHS, André Sanchez, a continuidade energética tem se tornado um fator estratégico para produtores rurais. “Em atividades como avicultura ou piscicultura, a energia faz parte do próprio processo produtivo. Quando ocorre uma interrupção prolongada, a perda pode ser total”, afirma.

De acordo com o executivo, sistemas híbridos surgem como uma alternativa para reduzir esse risco operacional. Em muitos casos, o investimento em uma solução capaz de manter cargas críticas operando durante apagões pode variar entre R$ 75 mil e R$ 100 mil, valor que pode ser inferior ao prejuízo causado por um único evento de falha energética.

Casos de aplicação dessa tecnologia já começam a aparecer no país. Em Araçoiaba da Serra (SP), um produtor de alevinos conseguiu manter tanques de criação e equipamentos de refrigeração em funcionamento durante dias de queda de energia graças ao uso de um sistema híbrido que combina geração solar e armazenamento em baterias.

Com a intensificação de eventos climáticos extremos e o crescimento da demanda energética no campo, especialistas apontam que a discussão sobre segurança energética no agronegócio tende a ganhar cada vez mais relevância. Nesse contexto, soluções que combinam geração distribuída, armazenamento e equipamentos de proteção elétrica passam a ser consideradas estratégicas para garantir a continuidade da produção rural.

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