ABGD apresenta ao ONS estudo sobre impactos da geração distribuída no sistema elétrico brasileiro

Share

A Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) apresentou ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) um estudo técnico que avalia os impactos da microgeração e minigeração distribuída (MMGD) no sistema elétrico brasileiro. O levantamento analisou aproximadamente 27 mil alimentadores de média tensão e cerca de 6 milhões de redes secundárias em todo o país.

O trabalho foi gerenciado pelo professor José Marangon, conselheiro da entidade, e desenvolvido pela MRST Consultoria e Engenharia em parceria com especialistas do setor elétrico e pesquisadores da Universidade de São Paulo. A análise utilizou a Base de Dados Geográfica da Distribuidora (BDGD), disponibilizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e aplicou uma metodologia baseada no agrupamento de redes representativas para reproduzir estatisticamente a configuração do sistema elétrico brasileiro.

De acordo com os resultados, a maior parte das redes analisadas apresenta baixa ou média penetração de geração distribuída. Nesses cenários, a inserção da MMGD está associada à redução de perdas técnicas, à melhoria de indicadores elétricos e ao potencial de postergação de investimentos em reforços e expansão da rede.

O estudo aponta que aproximadamente 3% das redes secundárias avaliadas apresentam alta penetração de geração distribuída. Mesmo nesses casos, eventuais violações de restrições elétricas podem ser solucionadas por meio de investimentos na rede, como ajustes em sistemas de proteção, instalação de equipamentos de controle de tensão, ampliação da capacidade de transformação e adoção de soluções de armazenamento eletroquímico.

A análise também avaliou os reflexos da MMGD na rede de alta tensão, considerando cenários com e sem geração distribuída. Para as premissas adotadas, foram observadas melhorias nos índices de severidade de tensão e fluxo, além da redução de perdas na área analisada em 20% no patamar de carga máxima diurna e em 16% no patamar de carga mínima diurna.

Em termos de confiabilidade, a comparação entre os cenários indicou redução da Expectância de Energia Não Suprida (EENS) de 20% no patamar de carga máxima diurna e de 38% no patamar de carga mínima diurna em relação ao cenário sem MMGD. Quando considerados, adicionalmente, sistemas de armazenamento por baterias (BESS) representativos nas simulações, a redução da EENS chegou a 57% no patamar de carga máxima diurna e a 48% no patamar de carga mínima diurna.

O levantamento também analisou cenários de inserção de armazenamento na rede de distribuição, identificando redução expressiva de fluxo reverso, da demanda líquida de ponta e do número de comutações de reguladores de média tensão, além de impactos pontuais sobre perdas técnicas.

Segundo a ABGD, a evolução da geração distribuída está associada ao avanço de soluções de armazenamento estacionário e à integração com novas tecnologias, como veículos elétricos com carregamento bidirecional, que tendem a ampliar a flexibilidade operacional do sistema elétrico.

A apresentação do estudo ao ONS integra a agenda institucional da entidade de diálogo com agentes do setor e autoridades regulatórias, com o objetivo de contribuir para o aprimoramento técnico e regulatório relacionado à inserção da geração distribuída no sistema elétrico brasileiro.

Este conteúdo é protegido por direitos autorais e não pode ser reutilizado. Se você deseja cooperar conosco e gostaria de reutilizar parte de nosso conteúdo, por favor entre em contato com: editors@pv-magazine.com.

Conteúdo popular

A “tempestade perfeita” na GD: reforma tributária e o novo custo da energia solar
05 março 2026 O setor solar entra em uma fase de maior exposição tributária e menor previsibilidade regulatória, consolidando sua transição para uma etapa de maturi...