A Empresa de Pesquisa Energética, em parceria com o Itaipu Parquetec, publicou o relatório Roadmap de Microrredes para Sistemas Isolados no Brasil.
Atualmente, os sistemas isolados brasileiros dependem majoritariamente de geração a diesel, uma solução cara, com logística complexa e sujeita à volatilidade de preços, além de impor crescente pressão sobre a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), que em 2025 demandou R$ 12 bilhões do orçamento da CDE.
O estudo aponta para uma oportunidade de redução de custos com a diversificação das fontes que atendem os sistemas isolados, além de identificar os desafios para essa transição. Do ponto de vista tecnológico, arquiteturas híbridas em CA e CC combinadas a conversores grid forming oferecem maior estabilidade operacional e ampliam a capacidade de integração renovável.
Microrredes são sistemas elétricos que combinam cargas e recursos energéticos distribuídos capazes de operar de forma coordenada, tanto conectados quanto ilhados. No cenário global, há uma expansão consistente das microrredes, impulsionada pela queda dos custos de tecnologias renováveis e de armazenamento e pela crescente necessidade de soluções descentralizadas para regiões remotas. Experiências internacionais mostram melhoria na diversificação da matriz, redução de custos operacionais e ganho de resiliência. As projeções de custos reforçam a competitividade das soluções híbridas.
Cenários para expansão das microrredes
O roadmap apresenta três cenários para 2025–2035:
- Cenário de continuidade: A adoção de microrredes com alta participação renovável permanece restrita a projetos-piloto e experiências pontuais, atingindo menos de 15% das localidades que continuarão fora do SIN até 2035. A CCC tende a apresentar apenas uma redução limitada, em grande parte associada às interligações já previstas, mas se manterá em patamares elevados, superiores a R$ 8–10 bilhões anuais, dada a persistente e ampla dependência do diesel na maioria dos sistemas. As emissões de gases de efeito estufa
recuam de forma marginal, insuficiente para colocar o setor em linha com as metas climáticas assumidas pelo Brasil. - Cenário de hibridização acelerada por políticas públicas: A adoção de microrredes híbridas se expande de forma acelerada, alcançando aproximadamente 40% a 50% das localidades isoladas ainda existentes até 2035. Essa transição promove uma redução
estrutural e significativa da CCC, que passa a se situar na faixa de R$ 4 a 6 bilhões anuais, diminuindo a pressão sobre as tarifas de todos os consumidores do país. A pegada de carbono dos SISOL é reduzida de maneira expressiva, configurando uma contribuição relevante para o cumprimento das metas climáticas assumidas pelo Brasil. - Cenário de transformação total: A combinação entre um marco regulatório estável e leilões competitivos direcionados atrai um fluxo expressivo de capital privado. Nesse ambiente, a implantação de microrredes avançadas, baseadas em alta participação de energia solar e sistemas de armazenamento em baterias, consolida-se como a solução dominante, chegando a mais de 75% das localidades isoladas até 2035. O efeito sobre a CCC é estrutural: o encargo se torna residual no sistema elétrico, com valor anual projetado inferior a R$ 2 bilhões. E as emissões caem 90%.
Benefícios das microrredes…
Tendo em vista a natureza das MRs, composta por recursos energéticos distribuídos (REDs) conectados próximos aos consumidores e ao elevado nível de controlabilidade destes sistemas em comparação aos sistemas de distribuição tradicionais:
• Ambiental: redução da emissão de CO2, especialmente pela presença de fontes de geração renováveis. Mesmo quando a geração provém de combustíveis fósseis, sua utilização em complementariedade com fontes renováveis ou dispositivos de armazenamento reduzem o impacto
ambiental. Da mesma forma, a formação de MRs pode diminuir a necessidade de construção de linhas de transmissão longas, o que é um desafio em regiões com reservas ambientais.
• Operacional e de investimento: como as cargas são atendidas localmente, as perdas e o congestionamento das linhas de transmissão são reduzidos. Portanto, grandes obras de infraestrutura podem ser evitadas ou postergadas e a tarifa reduzida. Mesmo com perturbações nos sistemas de transmissão e distribuição, o fornecimento de energia pode ser mantido, dado que a MR pode operar de maneira ilhada.
• Social: as MRs surgem com uma opção de fornecimento de energia elétrica em regiões que não estão conectadas ao sistema interligado nacional, como em áreas isoladas. Nesse sentido, as MRs propiciam aos moradores a melhora no bem-estar social e desenvolvimento econômico. Áreas rurais podem ser atendidas com energia elétrica dentro de padrões de qualidade, o que afeta na produção agroindustrial. As MRs em indústrias apresentam-se como uma solução para manter o abastecimento de energia elétrica mesmo em condições de indisponibilidade da concessionária, evitando que as atividades sejam interrompidas.
… e seus desafios
• Alto custo de implantação: Em geral, o custo de implantação de uma MR é maior que o de um sistema convencional. Neste caso, são necessários subsídios governamentais na maioria dos projetos.
• Dificuldades técnicas: Há uma falta de experiência técnica e de profissionais capacitados em quantidade suficiente para aplicação em casos reais. A capacidade da MR operar de maneira conectada ou ilhada resulta em um grande desafio de controle, especialmente nos períodos de transição para o modo ilhado ou na reconexão com a rede principal.
• Incertezas regulatórias, legais e de padronização: Muitos países não possuem legislação específica para as MRs. Neste caso, as normas para conexão de geração distribuída de cada concessionária costumam ser utilizadas. Nem sempre esta abordagem é adequada, podendo existir diferenças
Este conteúdo é protegido por direitos autorais e não pode ser reutilizado. Se você deseja cooperar conosco e gostaria de reutilizar parte de nosso conteúdo, por favor entre em contato com: editors@pv-magazine.com.






Ao enviar este formulário, você concorda com a pv magazine usar seus dados para o propósito de publicar seu comentário.
Seus dados pessoais serão apenas exibidos ou transmitidos para terceiros com o propósito de filtrar spam, ou se for necessário para manutenção técnica do website. Qualquer outra transferência a terceiros não acontecerá, a menos que seja justificado com base em regulamentações aplicáveis de proteção de dados ou se a pv magazine for legalmente obrigada a fazê-lo.
Você pode revogar esse consentimento a qualquer momento com efeito para o futuro, em cujo caso seus dados serão apagados imediatamente. Ainda, seus dados podem ser apagados se a pv magazine processou seu pedido ou se o propósito de guardar seus dados for cumprido.
Mais informações em privacidade de dados podem ser encontradas em nossa Política de Proteção de Dados.