O mercado brasileiro de armazenamento de energia junto à carga ainda está em fase inicial, mas reúne condições para uma expansão acelerada nos próximos anos. De acordo com a Deye, fabricante chinesa de microinversores, inversores híbridos e baterias, o país conta atualmente com cerca de 50 mil sistemas com baterias em operação, número considerado baixo diante do tamanho do sistema elétrico nacional e da diversidade de perfis de consumo.
Segundo Caio Lentini, diretor de operações da Deye no Brasil, Itália e Espanha, em entrevista à pv magazine Brasil para o especial Aplicações de baterias junto à carga em GD, esse patamar reflete mais uma fase de aprendizado do mercado do que uma limitação técnica. “O armazenamento ainda não chegou à escala que poderia, mas o potencial é enorme”, afirma.
Backup lidera a adoção das baterias no Brasil
Entre as aplicações já economicamente e tecnicamente viáveis, o backup energético aparece como o principal motor da demanda. “O Brasil é um país continental, com inúmeras concessionárias e realidades muito diferentes de qualidade de rede. Em muitos locais, a instabilidade no fornecimento prejudica o abastecimento contínuo e seguro, o que torna o armazenamento uma solução clara”, destaca Lentini.
A Deye observa que a decisão de investimento está fortemente associada ao impacto direto das quedas de energia na rotina dos consumidores, seja em perdas operacionais, desconforto ou riscos à segurança.
Time shift ainda é pontual, mas tende a ganhar espaço

Imagem: Deye
Aplicações como time shift e uso da bateria para substituição da energia da distribuidora no horário de ponta ainda estão restritas a nichos específicos. “Em alguns mercados já é possível trocar a energia da concessionária pela energia armazenada, mas isso ainda não é uma realidade disseminada no Brasil”, avalia o executivo.
A expectativa da empresa é que o avanço regulatório e a maior sofisticação dos sistemas híbridos ampliem essas possibilidades nos próximos anos, especialmente para consumidores com perfis tarifários mais complexos.
Quedas de energia aceleram a decisão de investimento
Eventos recorrentes de interrupção no fornecimento têm reforçado a busca por soluções de armazenamento, segundo a Deye. “Onde há dor, há necessidade. Muitas vezes, o custo oculto de ficar sem energia é o fator determinante para a decisão de investimento”, afirma o diretor da Deye.
Além da proteção contra apagões, começa a surgir um público interessado em conforto e previsibilidade energética, especialmente em ambientes residenciais e pequenos comércios.
Consumidores com GD lideram a curva de adoção
Na avaliação da fabricante, consumidores que já investiram em geração distribuída tendem a estar entre os mais propensos a adotar baterias. “São clientes que normalmente se interessam mais por novas tecnologias e buscam ampliar sua estabilidade energética”, explica.
O desafio, segundo o executivo, é ampliar o alcance dessas soluções para além desse público inicial. “O próximo passo é ‘furar a bolha’ e levar o armazenamento a um público mais amplo”, pontua.
Custo inicial ainda é barreira, mas tendência é de queda
Apesar dos avanços, o investimento inicial segue como um dos principais entraves à massificação do armazenamento no Brasil. Para a Deye, a redução dessa barreira passa pela combinação entre escala, inovação tecnológica e novos modelos de financiamento.
“O payback depende de várias variáveis e, no caso do armazenamento, ele tende a vir da soma de diferentes funções em um mesmo sistema, como backup, gestão de energia e otimização do consumo”, observa Lentini.
Evolução tecnológica e novas químicas no radar
No campo tecnológico, a Deye acompanha a evolução de soluções baseadas em novas químicas, como baterias de sódio e sistemas de lítio com eletrólito em estado sólido, além do avanço dos sistemas híbridos integrados.
A meta é ampliar a vida útil e a segurança das soluções sem elevar os custos, tornando o retorno econômico mais atrativo para diferentes perfis de consumidor.
2026 pode marcar ponto de virada do mercado
Para a Deye, 2026 tende a ser um ano disruptivo para o armazenamento de energia no Brasil. “Será o início de um crescimento exponencial do uso de baterias”, projeta o executivo.
Nesse contexto, o avanço das discussões regulatórias na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), como a Consulta Pública nº 39, é visto como um sinal positivo. “Toda discussão e regulação são muito bem-vindas. Só o fato de o tema estar em pauta já mostra o potencial enorme que esse mercado ainda tem no Brasil”, conclui.
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