O mercado brasileiro de baterias junto à carga começa a entrar em uma nova fase de adoção, impulsionado por aplicações que já entregam benefícios claros em continuidade de fornecimento, redução de custos e gestão energética. Segundo o diretor comercial da Livoltek, Mateus Gomes, em entrevista à pv magazine Brasil para o especial Aplicações de baterias junto à carga em GD, o armazenamento deixou de ser apenas uma solução de contingência e passa a ocupar um papel estratégico em projetos comerciais, industriais, no agronegócio e também em perfis residenciais, especialmente onde a confiabilidade da rede é um fator crítico.
De acordo com o executivo, as aplicações de BESS que hoje se mostram tecnicamente maduras e economicamente vantajosas no Brasil são aquelas em que o benefício é mensurável. “O BESS já faz sentido quando resolve um problema real do cliente, seja garantir continuidade e qualidade de energia, reduzir custos operacionais ou otimizar a estrutura tarifária”, afirma.
Entre as principais aplicações destacadas estão sistemas de backup para cargas críticas, resiliência energética em regiões com rede instável, gestão de demanda com peak shaving para consumidores do Grupo A, arbitragem tarifária entre ponta e fora ponta e o aumento do autoconsumo em sistemas fotovoltaicos.

Imagem: Livoltek
Em alguns casos, a hibridização com geradores a diesel ou gás também aparece como alternativa para reduzir consumo de combustível e melhorar a eficiência da operação. “Hoje, o armazenamento é vantajoso principalmente quando atua como solução objetiva para continuidade e redução de custos, sustentado por dados de carga e regras operacionais bem definidas”, ressalta Gomes.
Na prática, essas soluções atendem a necessidades recorrentes de consumidores C&I, agro e residenciais.
Em termos de mercado, o executivo avalia que o Brasil ainda apresenta baixa penetração de baterias junto à carga quando comparado a países mais maduros, mas a curva de crescimento é evidente. Levantamentos indicam que o país encerrou 2024 com cerca de 269 MWh instalados, enquanto estimativas citadas pelo executivo apontam que o volume comercializado em 2025 pode ter ficado entre 1,5 GWh e 2 GWh, dependendo da metodologia adotada.
Para 2026, a expectativa é de crescimento significativo, impulsionado principalmente por maior demanda por resiliência, amadurecimento da oferta e evolução dos modelos financeiros. “A adoção tende a acelerar quando se combinam necessidade operacional real, produto padronizado e financiamento viável”, avalia.
Eventos de interrupção no fornecimento elétrico também têm pesado cada vez mais na decisão de investimento. Segundo Gomes, quando as quedas deixam de ser pontuais e passam a afetar diretamente a rotina e a operação, o armazenamento deixa de ser uma discussão teórica. “Paradas de produção, perdas de insumos, falhas em TI e custos de retomada tornam o risco muito concreto, e o BESS surge primeiro como solução para não parar”, explica.
Consumidores que já investiram em geração distribuída tendem a liderar esse movimento. Para o diretor comercial da Livoltek, esses clientes já enxergam energia como um ativo e buscam mais autonomia e previsibilidade.
“Depois do solar, a bateria é uma evolução natural, porque protege o investimento feito, aumenta a aderência entre geração e consumo e reduz a dependência da rede”, afirma. Além disso, a existência de dados históricos de consumo e de um integrador de confiança reduz barreiras técnicas e acelera a implantação dos projetos.
Apesar do avanço, ainda existem limitações para a expansão do mercado, concentradas principalmente nos aspectos econômico-financeiros, regulatórios e na modelagem do valor entregue pelo armazenamento. O CAPEX inicial, a ausência de uma remuneração clara pelos serviços prestados ao sistema e incertezas quanto ao enquadramento regulatório ainda exigem projetos bem estruturados. “O mercado cresce mais rápido quando conseguimos combinar financiamento, regras previsíveis e uma entrega padronizada que dê conforto ao cliente em termos de performance e segurança”, destaca Gomes.
Nesse contexto, a Consulta Pública nº 39 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é vista como um passo relevante para destravar o segmento. Segundo o executivo, a proposta pode reduzir zonas cinzentas relacionadas à conexão, medição e contabilização da energia, além de ajudar a padronizar entendimentos entre distribuidoras. “Quanto mais clareza e previsibilidade a CP 39 trouxer, mais fácil será estruturar projetos replicáveis, financiamento de longo prazo e modelos como contratos de performance e locação”, conclui.
Este conteúdo é protegido por direitos autorais e não pode ser reutilizado. Se você deseja cooperar conosco e gostaria de reutilizar parte de nosso conteúdo, por favor entre em contato com: editors@pv-magazine.com.






Ao enviar este formulário, você concorda com a pv magazine usar seus dados para o propósito de publicar seu comentário.
Seus dados pessoais serão apenas exibidos ou transmitidos para terceiros com o propósito de filtrar spam, ou se for necessário para manutenção técnica do website. Qualquer outra transferência a terceiros não acontecerá, a menos que seja justificado com base em regulamentações aplicáveis de proteção de dados ou se a pv magazine for legalmente obrigada a fazê-lo.
Você pode revogar esse consentimento a qualquer momento com efeito para o futuro, em cujo caso seus dados serão apagados imediatamente. Ainda, seus dados podem ser apagados se a pv magazine processou seu pedido ou se o propósito de guardar seus dados for cumprido.
Mais informações em privacidade de dados podem ser encontradas em nossa Política de Proteção de Dados.