FoxESS projeta que baterias cheguem a 10% dos novos sistemas solares no Brasil este ano

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O mercado de baterias junto à carga na geração distribuída ainda está em fase inicial no Brasil, mas já apresenta sinais claros de consolidação. Segundo a FoxESS, cerca de 5% dos novos sistemas fotovoltaicos instalados atualmente no país já contam com baterias, percentual que deve dobrar até o fim de 2026, alcançando aproximadamente 10% das novas instalações.

De acordo com o gerente de Produtos – BESS da FoxESS, Fernando Domingos, em entrevista à pv magazine Brasil para o especial Aplicações de baterias junto à carga em GD, o crescimento é sustentado principalmente pela busca por maior confiabilidade no fornecimento de energia, pelo avanço do conhecimento técnico dos consumidores e pela redução gradual dos custos das soluções de armazenamento. “Trata-se de um mercado ainda em estágio inicial, mas com crescimento consistente e perspectivas bastante positivas”, afirma.

Apagões aceleram a adoção, inclusive em áreas urbanas

Fernando Domingos, Gerente de Produtos BESS da FoxESS.

Imagem: FoxESS

As quedas de fornecimento e eventos de interrupção no sistema elétrico têm desempenhado papel central na decisão dos consumidores. “Sem dúvida, as interrupções no fornecimento de energia têm sido um dos principais fatores que aceleram a demanda por sistemas com baterias”, destaca Domingos.

Segundo ele, a combinação entre inversores híbridos e baterias vem sendo percebida como uma solução prática para problemas recorrentes do dia a dia. “Temos observado um aumento significativo de instalações em São Paulo e em outras regiões urbanas, tanto em residências quanto em apartamentos e pequenos comércios, como forma de proteção contra apagões frequentes”, relata.

O executivo acrescenta que já há projetos em edifícios residenciais. “Inclusive, já contamos com instalações em apartamentos utilizando nossos produtos em cidades como Porto Alegre, o que reforça a versatilidade dessas soluções”, diz.

Consumidores com GD lideram o movimento

Assim como observado em outros players do mercado, a FoxESS identifica maior propensão à adoção de baterias entre consumidores que já investiram em geração distribuída. “Esses clientes já perceberam, no uso diário, os benefícios, a confiabilidade e a qualidade dos sistemas fotovoltaicos, o que aumenta a confiança para realizar upgrades”, explica Domingos.

Além disso, muitos desses consumidores já estão próximos do payback do sistema original. “Eles enxergam a adição de baterias como uma evolução natural, alinhada a uma nova fase do mercado e à busca por maior autonomia energética”, acrescenta.

Aplicações já viáveis e foco na continuidade operacional

Na avaliação da FoxESS, as aplicações que hoje fazem mais sentido no Brasil são aquelas ligadas à continuidade operacional e à gestão de demanda. “Backup para cargas críticas, peak shaving e aumento da resiliência energética já são tecnicamente maduros e economicamente viáveis, especialmente para operações sensíveis a interrupções”, afirma o executivo.

Essas soluções atendem a necessidades como mitigação de riscos, previsibilidade operacional e redução de custos associados à demanda e ao consumo fora de ponta. “Em muitos casos, a bateria funciona como uma ferramenta de transição, permitindo que o consumidor reduza a exposição à ponta e se prepare tecnicamente para operar no mercado livre com mais flexibilidade energética”, observa Domingos.

Aplicações puramente financeiras, por outro lado, ainda dependem do perfil tarifário e do contexto regulatório. “O empilhamento de receitas é fundamental para viabilizar esses projetos”, pondera.

Perfis de consumidores e capacitação dos integradores

Atualmente, os segmentos com maior demanda por baterias dentro da base da FoxESS são o residencial, o comercial e, em menor escala, o rural. Para ampliar a atuação em outros nichos, a empresa tem investido na capacitação dos parceiros.

“Estamos investindo fortemente em iniciativas como a FoxESS Academia, com treinamentos contínuos para integradores”, afirma Domingos. “O objetivo é ampliar o conhecimento técnico dos parceiros e, consequentemente, expandir nossa atuação para segmentos como serviços críticos e aplicações de maior porte.”

Regulação ainda é principal desafio

Apesar da evolução tecnológica e da queda dos custos, o ambiente regulatório ainda é visto como o principal entrave para a expansão do mercado. “As limitações hoje não estão tanto na tecnologia, mas no ambiente regulatório e econômico”, avalia o executivo.

Entre os desafios citados estão o CAPEX ainda elevado, a ausência de uma remuneração clara pelos serviços prestados pelas baterias ao sistema elétrico e incertezas relacionadas a encargos e tributação. “Além disso, muitos consumidores ainda não dispõem de dados de carga de boa qualidade, o que dificulta um dimensionamento mais preciso dos sistemas”, acrescenta.

Nesse contexto, a Consulta Pública nº 39 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é vista como um passo relevante. “A CP 39 começa a tratar o armazenamento como um elemento integrante do sistema elétrico, o que é fundamental para o surgimento de novos modelos de negócio”, afirma Domingos.

Segundo ele, a proposta ajuda a reposicionar o papel das baterias. “Ela cria as bases para que o armazenamento deixe de ser visto apenas como backup e passe a ser reconhecido também na gestão de demanda, na confiabilidade do fornecimento e, no futuro, na prestação de serviços ao sistema”, diz.

Custos em queda e avanços tecnológicos

Do ponto de vista econômico, a FoxESS observa uma trajetória de queda nos custos, especialmente com a consolidação da tecnologia LFP (lítio-ferro-fosfato). “O payback ainda depende muito do perfil tarifário de cada consumidor, mas projetos bem estruturados já apresentam retornos cada vez mais consistentes”, explica Domingos.

A tendência, segundo ele, é de melhora gradual entre 2026 e 2030, embora muitos projetos já sejam viáveis hoje a partir do empilhamento de receitas, combinando mitigação de riscos e otimização tarifária.

No campo tecnológico, o mercado brasileiro caminha para soluções cada vez mais integradas. “Vemos uma clara evolução para sistemas all-in-one, que combinam bateria, PCS (Power Conversion System, ou Sistema de Conversão de Energia) e EMS (Energy Management System ou Sistema de Gerenciamento de Energia), além de EMS orientados à lógica tarifária nacional”, afirma. “Também há uma convergência crescente entre armazenamento, geração própria e estratégias voltadas ao mercado livre, especialmente no planejamento energético dos próximos anos.”

Qualidade de energia ganha protagonismo

Além dos ganhos econômicos, as baterias têm assumido papel estratégico na qualidade de energia. “Elas ajudam a mitigar afundamentos de tensão, variações rápidas e interrupções no fornecimento”, destaca Domingos.

Para setores como agro e indústria, esse aspecto técnico pode ser decisivo. “Em muitos casos, a melhoria na qualidade e na confiabilidade do fornecimento pesa mais do que a economia direta na conta de energia”, conclui.

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