Agenda 2026: ABGD defende tarifa horo sazonal para incentivar armazenamento junto à carga

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A geração distribuída deve continuar diminuindo o ritmo de expansão da capacidade instalada em 2026, com a expectativa de adicionar 6,5 GW neste ano, acumulando 50,1 GW até o final de dezembro A projeção é da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), que observa uma desaceleração do crescimento tanto em nova potência instalada quanto em quantidade de sistemas e unidades consumidoras atendidas.

Em entrevista à pv magazine Brasil, o presidente da associação, Carlos Evangelista, observou, no entanto, que o segmento de pequenos sistemas em telhado deve seguir aquecido.

A área que continua crescendo são as casas, os telhados. A minigeração [usinas de maior porte, de 75 kW até 5 MW], praticamente estagnou“, comenta. Ele explica que sistemas maiores, que passaram a pagar integralmente pelo uso do fio no caso de projetos com pedido de conexão protocolados após janeiro de 2023, se tornaram inviáveis.

Segundo Evangelista, alguns fatores que ajudam a explicar a desaceleração são os juros altos que dificultam o financiamento — crucial para a maioria dos sistemas, especialmente para a classe média —; a crescente dificuldade de conexão devido à inversão do fluxo de potência; e a menor rentabilidade de novos projetos desde o início da cobrança, gradualmente maior, da tarifa de uso do fio, a partir da Lei 14.300.

Soluções para as restrições

Para esse ano, diante dessa desaceleração, a associação defende o desenvolvimento de novos modelos de negócio que ajudem a solucionar as restrições de rede e que valorizem corretamente o segmento que, segundo Evangelista, vem sendo atacado mesmo entregando benefícios para todos os consumidores do sistema.

Em fevereiro, a ABGD apresentará na Agência Nacional de Energia Elétrica, em Brasília, um estudo sobre os custos e benefícios da Geração Distribuída, que foi realizado com pesquisadores da USP. Essa apresentação ocorre em paralelo a uma tomada de subsídios que a Aneel conduz para discutir o tema, que deve ditar as regras de compensação da energia para novos sistemas conectados a partir de 2029.

Carlos Evangelista, presidente da ABGD.

Imagem: ABGD

Outro tema que a ABGD está trabalhando na Aneel é a atualização da regulação que permita a instalação de armazenamento sem que os consumidores percam os benefícios existentes. Segundo Evangelista, atualmente, sem uma regra explícita para a adição de armazenamento, as distribuidoras poderiam interpretar a instalação de uma bateria como um aumento de potência do sistema de geração distribuída, o que levaria a uma reclassificação do tipo de compensação pela energia gerada, com o início da cobrança do fio por exemplo.

“As miniusinas, que poderiam contribuir muito para evitar os cortes de geração colocando armazenamento, não investem enquanto não tiverem certeza absoluta de que não vão perder benefícios”, diz o presidente da ABGD. “Imagina uma usina com investimento de R$ 5 milhões em GD0 [classificação com desconto integral sobre a tarifa de rede], que coloca mais R$ 2 milhões de bateria. Ela vai melhorar muito a resiliência do sistema, vai evitar a inversão de fluxo, no horário que está todo mundo injetando, ela está armazenando nas baterias, vai injetar no horário de pico, é ótimo para o sistema. Só que aí chega a fiscalização da distribuidora e fala: “Opa, aumento de potência. A usina agora não é mais GD0, é GD2. A usina simplesmente quebra. Então precisa de uma atualização na regulação da Aneel que esclareça isso.

Incentivos para baterias

Além do esclarecimento sobre a adição de armazenamento aos sistemas existentes sem perda de benefícios, a ABGD defende um incentivo para todos os consumidores, inclusive aqueles que não possuem Geração Distribuída (GD), através de uma tarifa horária sazonal. Isso permitiria que os consumidores carregassem suas baterias quando a energia é barata e a descarregassem quando é cara, pagando assim pela bateria e aliviando a rede no pico de produção.

As baterias também são parte da solução para a crescente demanda do ONS de ter mais controle sobre a operação da geração distribuída.

“O ONS reclama, com razão, que não tem observabilidade nem controlabilidade sobre a GD. A solução para isso não é desligar a GD, mas sim ter agregadores de carga e DSOs independentes, como ocorre em outros países”, diz Evangelista. Ele enfatiza que os DSOs devem ser independentes e isentos. “Não podem ser empresas que possuem a concessão de distribuição, para evitar conflitos de interesse”.

Na visão da ABGD, a visibilidade que o ONS ou o DSO terá sobre os sistemas de geração distribuída poderá vir através do agregador de cargas, que reúne e gerencia cargas de diversos sistemas, de forma contábil, e que poderá receber as instruções sobre quais cargas ligar e em que horas para atender ao gerenciamento da rede.

Evangelista ressalta que, embora existam problemas pontuais inerentes à engenharia, como em todo o setor elétrico, a análise geral da geração distribuída no Brasil e do índice de penetração da GD em cada estado mostrou que os sistemas distribuídos geram um benefício financeiro para o setor elétrico e, consequentemente, para todos os consumidores.

“Quando a gente olha por exemplo o Subsidiômetro da Aneel, aquilo só considera os custos, mas não inclui os benefícios da GD. Mas, quem sabe [isso pode ser incluíd], a gente vai trabalhar nisso em 2026.”

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