ABSAE promove encontro estratégico e cobra celeridade na publicação das diretrizes para o leilão de baterias

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A mesa redonda reuniu representantes do MME, Aneel e EPE para discutir a urgência da tecnologia para garantir a segurança energética ainda em 2026

Em meio às mudanças no perfil de consumo de energia no Brasil, cresce um desafio técnico e regulatório ainda pouco visível ao grande público: a chamada crise de flexibilidade do sistema elétrico. Para discutir caminhos e soluções, a Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE) realizou, na última quinta-feira (23) em Brasília, o encontro estratégico “ A Flexibilidade do Setor Elétrico e a Urgência do Armazenamento de Energia”.

Durante o evento, associados da entidade, como a Huawei Brasil, Elera Renováveis e Axia Energia, sinalizaram a urgência para a realização do leilão de baterias e reforçaram o interesse do setor em investir no Brasil.

A abertura foi feita por Pedro Guerra, chefe de gabinete do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), representando o governo federal. “Nós não estamos no cenário ideal, mas certamente nós começamos a despiorar dada a complexidade regulatória e de players neste setor. A gente precisa associar esse processo de transição de segurança energética com o próprio processo de industrialização”, disse.

Na mesma oportunidade, o diretor-executivo da entidade, Fabio Lima, reforçou a urgência para que o Ministério de Minas e Energia (MME) divulgue a Portaria de diretrizes do LRCAP de BESS ainda neste mês. Caso contrário, não haverá viabilidade para sua realização ainda este ano. “O Brasil está diante de uma janela crítica. Já avançamos na transição energética, mas ainda não estruturamos os mecanismos necessários para garantir a operação segura desse novo sistema. Armazenar é o próximo passo necessário para o setor elétrico. O setor público reconhece a relevância e a urgência de avançar nesta agenda para aprimorar segurança, eficiência e economicidade para todos os brasileiros”, afirmou.

Logo depois, uma mesa redonda com representantes de órgãos públicos e representantes do setor discutiu o futuro da operação do sistema elétrico nacional. A mediação foi feita pelo jornalista Maurício Godoi, editor-chefe do CanalEnergia.

Participaram Markus Vlasits, presidente do Conselho de Administração da ABSAE; André Perim, diretor substituto do departamento de planejamento e outorga de geração do Ministério de Minas e Energia (MME); Felipe Calabria, superintendente adjunto da superintendência de regulação dos serviços de geração e do mercado de energia elétrica da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e Caio Leocádio, superintendente adjunto de geração da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Questionado sobre quando sairá a Portaria de diretrizes para o LRCAP, Perim afirmou que está para ser concluída. “Temos trabalhado diretamente nos ajustes finais. O LRCAP é um dos mecanismos mais eficientes para contratação de baterias. Um efeito benéfico para o desenvolvimento da indústria no Brasil. Trabalhamos com afinco. Nas próximas semanas

teremos esta portaria para colocar este leilão em frente. Todo mundo quer que ele aconteça”, disse

Caio Leocádio reforçou a importância da bateria para segurança energética. “Há um estrangulamento em termos de oferta e demanda. É sempre bom ressaltar que a bateria entrega um pacote de atributos, não somente de potência, mas quando a gente traz o aspecto locacional, a gente consegue extrair melhor o que a bateria também pode fornecer para o sistema”, afirmou o representante da EPE.

Felipe Calábria disse que a CP 39 deve ser concluída em breve para ajudar na regulamentação do BESS.

“Recebemos as contribuições dos agentes, como a ABSAE, e estamos tentando ser mais claros e objetivos sobre os requisitos. O debate tem diversas vertentes. O BESS precisa ser uma solução que faça parte da matriz para fazer frente às necessidades. Apesar da discussão da CP 39, ele já é uma realidade”, disse o superintendente da Aneel.

Markus Vlasits concluiu o evento reforçando a importância do tema. “A flexibilidade da matriz energética é uma preocupação constante. Estamos aqui para mostrar o quanto o setor está preparado para mostrar este elo que falta. É um ativo que pode prover potência e carga nos momentos que mais precisa, para que não tenhamos um novo “Dia dos Pais” com apagões”, disse.

O armazenamento é a chave para a transição energética segura

A ausência de definições sobre o armazenamento e a demora na publicação da Portaria de Diretrizes para a contratação de baterias, sobretudo diante de crises internacionais, como a do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, destacam a necessidade de respostas rápidas do sistema para equilibrar oferta e consumo em tempo real. Esse cenário tem evidenciado limitações estruturais e reforçado a urgência de soluções capazes de garantir estabilidade, confiabilidade e eficiência.

Especialistas alertam que, sem a inclusão adequada de soluções como o armazenamento, o país pode aprofundar o descompasso entre expansão da geração e capacidade de resposta do sistema.

O armazenamento de energia ganha protagonismo como uma ferramenta estratégica para a segurança do país. Além de permitir maior previsibilidade e controle operacional, os sistemas de armazenamento são apontados como essenciais para viabilizar a integração segura das renováveis e evitar custos adicionais ao consumidor.

Além de promover o diálogo entre setor público e privado, o encontro buscou consolidar o tema na agenda estratégica do país, especialmente às vésperas da publicação pelo Ministério de Minas e Energia da Portaria de Diretrizes para a contratação de baterias e da conclusão da CP 39 pela ANEEL, que terão impacto direto sobre a segurança energética e o custo da energia no Brasil.

Sobre a ABSAE

Fundada em 2023, a Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE) é uma entidade dedicada a impulsionar o setor de armazenamento de energia no Brasil. Comprometida com a promoção e integração efetiva dessas soluções no cenário elétrico nacional, ela foca em estimular a demanda, aprimorar o marco regulatório, zelar pela competitividade tributária, desenvolver a cadeia de suprimentos e disseminar informações cruciais sobre o armazenamento de energia. Suas iniciativas visam impulsionar a transição para fontes de energia mais sustentáveis e eficientes no país.