Um estudo recente analisa como os sinais de preço da eletricidade influenciam a adoção de sistemas fotovoltaicos residenciais no Brasil, com base no regime de compensação de energia. A pesquisa examina o papel das tarifas volumétricas — cobradas conforme o consumo — na decisão dos consumidores de investir em geração distribuída.
A análise foi realizada a partir de dados em nível municipal entre 2012 e 2021, período que abrange a expansão inicial e a consolidação do mercado de geração distribuída no país. Para estimar os efeitos econômicos, o pesquisador utilizou um modelo econométrico baseado em Poisson Pseudo-Maximum Likelihood (PPML), amplamente empregado em estudos de adoção tecnológica.
Os resultados indicam que aumentos nas tarifas volumétricas têm impacto direto na difusão da energia solar residencial. Segundo o estudo, a elevação dessas tarifas está associada a um crescimento de 6,5% na adoção de sistemas fotovoltaicos. Já o componente de compra de energia — parcela da tarifa relacionada ao custo da eletricidade fornecida pelas distribuidoras — contribui para um aumento adicional de 4,6%.
Esses dados reforçam que os consumidores respondem a incentivos econômicos claros, ajustando seu comportamento de investimento diante de mudanças nos preços da energia. Na prática, tarifas mais elevadas aumentam a atratividade financeira da geração própria, reduzindo o tempo de retorno dos sistemas fotovoltaicos.
O estudo também destaca o papel do mecanismo de compensação de energia, que permite aos consumidores utilizar créditos gerados pela energia injetada na rede. Esse modelo reduz o risco do investimento e potencializa os efeitos dos sinais de preço, ao garantir maior previsibilidade de retorno.
Ao mesmo tempo, o autor aponta que a estrutura tarifária pode gerar efeitos distributivos, uma vez que os benefícios econômicos da geração distribuída não são igualmente acessíveis a todos os consumidores. Esse aspecto levanta discussões sobre o equilíbrio entre incentivos à expansão da energia solar e a sustentabilidade do sistema elétrico.
A análise considera ainda diferenças regionais e características locais dos municípios, indicando que fatores como renda, perfil de consumo e acesso a financiamento também influenciam a adoção da tecnologia. No entanto, mesmo diante dessas variações, os sinais de preço se mostram um dos principais determinantes da difusão da energia solar no país.
Os resultados sugerem que políticas tarifárias e regulatórias continuarão desempenhando papel central na trajetória da geração distribuída no Brasil, especialmente em um contexto de transição das regras de compensação e de revisão dos subsídios ao setor.
O novo modelo foi apresentado pelo pesquisador independente Bruno Moreno Rodrigo de Freitas, no artigo “Price signals and distributed solar adoption under net metering: Evidence from Brazil”, publicado na revista Utilities Policy. A pesquisa foi conduzida com foco na análise econômica da adoção de energia solar distribuída no país, utilizando dados municipais e métodos econométricos para avaliar o impacto de tarifas e incentivos sobre o comportamento dos consumidores.
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