TrinaStorage: regras mais claras e expectativa crescente para o leilão de baterias

Trina Storage revela novo sistema de bateria de alta escala

Share

Com foco no segmento utility no Brasil, a TrinaStorage avança nas negociações para fornecer sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) para o leilão de reserva de capacidade esperado para abril. No país, a companhia oferta sistemas de armazenamento em unidades de 5 MWh (Elementa 2, com disponibilidade de envio imediato) e 6,25 MWh (Elementa 3, com entregas disponíveis a partir de 2027).

Além da concorrência, a companhia também mira outras aplicações de grande porte.

“Existem negociações em andamento, inclusive no mercado C&I, para equipamentos de 5 MWh. Mas são investimentos expressivos para este segmento, e as empresas acabam sendo mais cautelosas antes de tomar uma decisão desse porte”, disse à pv magazine Brasil a gerente de vendas da companhia no país, Mariana Goudel.

Segundo a executiva, muitos projetos ainda estão aguardando definições regulatórias ou algum tipo de autorização da Aneel, o que acaba retardando as decisões.

“Uma das negociações em andamento envolve a associação de uma bateria a um parque solar, como um projeto piloto, para que a própria empresa entenda melhor a tecnologia. Nesse caso, a decisão regulatória é essencial para permitir a conexão. Hoje, até é possível adquirir o equipamento, mas não há clareza sobre como operar corretamente sem que o sistema esteja preparado e aprovado dentro da outorga de autorização”, detalha.

Diante do avanço das regras do LRCAP de baterias, a busca pelas soluções da empresa aqueceram, com consultas vindo de geradoras, transmissoras e algumas distribuidoras.

“Nos últimos três ou quatro meses, enviamos propostas para mais de 30 empresas diferentes. O volume de projetos é muito grande, mas muitas empresas ainda estão avaliando os riscos de participar desse primeiro leilão. Algumas empresas já possuem portfólios que superam facilmente os 8 GWh [de demanda esperada]. Outras estão apostando em poucos projetos, mas muito bem estruturados. Isso varia bastante de acordo com a estratégia de cada empresa. O nível de discussão técnica está muito elevado.”

Para o leilão, a companhia também está estruturando parcerias comerciais, com EPCs, integradores e empresas que atuam no mercado utility, para oferecer pacotes integrados. “Ainda não há parcerias fechadas, mas há negociações avançadas e propostas conjuntas em andamento”.

Leilão com regras avançadas para grid forming

Gerente comercial da TrinaStorage no Brasil, Mariana Goudel.

Imagem: TrinaStorage

As regras desenhadas para o leilão de reserva de capacidade brasileiro demonstram uma boa preparação do governo para a concorrência, avalia Goudel. “As regras vêm com um nível de exigência elevado, o que favorece players mais estruturados. Um exemplo é o requisito de RTE (round-trip efficiency ou eficiência total do sistema), que considera as perdas de energia. O leilão exige 85% de eficiência ao longo de 10 anos. Isso favorece equipamentos de primeira linha.”

Outro ponto positivo é a nota técnica sobre grid forming incluída na Consulta Pública do leilão. Na avaliação da executiva, a definição de requisitos ficou mais clara do que em outros mercados onde grid forming também foi exigido, como na Argentina.

“O edital [do leilão argentino] exigia grid forming e black start, mas não especificava os requisitos técnicos. Agora que o operador do sistema argentino está definindo como esses sistemas devem operar. Ou seja, os projetos foram contratados primeiro e agora precisam se adequar. Esse é um dos pontos mais discutidos com clientes no Brasil, especialmente os do segmento utility que devem participar do leilão. As conversas giram em torno de custos adicionais, adequações necessárias e limitações operacionais associadas ao grid forming. Estamos trabalhando para oferecer configurações otimizadas para atender aos requisitos do leilão de reserva de capacidade.”

Ela conta que a TrinaStorage já considerava o grid forming nos projetos, mas sem saber exatamente quais parâmetros seriam exigidos. Agora, com a sinalização na consulta pública aberta pelo MME no final do ano, a companhia pode testar, em seu centro de integração na China, os PCS, baterias, PPC e EMS de acordo com os parâmetros de grid forming, antes de enviar os equipamentos ao campo. “Isso reduz a necessidade de ajustes complexos na planta e permite alinhar melhor a operação às expectativas do operador do sistema.”

Outras fontes de receita

Como os serviços de grid forming são pré-requisito do leilão, fazem parte da remuneração dos projetos. Entretanto, os sistemas não poderiam ter outras fontes de receita, conforme as regras colocadas em consulta. “Houve discussões sobre oversizing, com parte da capacidade dedicada ao leilão e outra parte a outros usos, mas, de acordo com a minuta do edital, o uso é exclusivo para o leilão de capacidade. As baterias só podem operar quando autorizadas pelo ONS”.

Goudel avalia que esse primeiro leilão tende a ser mais restritivo e discussões mais amplas sobre empilhamento de receitas devem ficar para leilões futuros. Ela cita que Na Argentina, por exemplo, também é um leilão de reserva de capacidade, mas com um modelo em que parte da receita é variável, associada à operação. No Chile, o mercado se desenvolveu primeiro no ambiente livre, e agora começam a surgir regras para serviços auxiliares e grid forming. “Esses serviços podem complementar a receita, mas dificilmente sustentam um projeto sozinhos”, ressalva.

Pressões sobre o preço das baterias

A TrinaStorage tem o objetivo de fechar seus primeiros contratos de fornecimento para o mercado brasileiro no primeiro semestre, mirando, além do LRCAP, o segmento C&I de grande porte. “Apesar de o custo dos equipamentos maiores, por MWh, ser menor, por conta da escala, ainda é um investimento relevante, especialmente considerando os impostos de importação, que pesam bastante no CapEx”, observa Goudel. Ela reconhece que a Lei 15.269 prevê a possibilidade de isenção de PIS e Cofins, via enquadramento no Reidi, e do Imposto de Importação para baterias, mas reforça que esses incentivos ainda não foram regulamentados.

“No Brasil, ainda não há isenção de imposto de importação nem ex-tarifário para baterias [embora a Lei 15.269 tenha permitido], o que significa uma carga de 16% a 18%. Em outros mercados, como Chile e Argentina, houve isenção total, o que melhorou significativamente os projetos. Esperamos que o Brasil siga esse caminho”.

Além disso, houve mudanças no export tax rebate da China, que além de zerar a restituição de imposto para exportação de módulos a partir de abril, e reduziu para 6% o incentivo para baterias, com previsão de zerar no início do próximo ano.

Também pressiona o custo das baterias globalmente o aumento do preço do carbonato de lítio nos últimos meses, que chegou a dobrar. Como as células representam mais de 50% do custo das baterias, isso impacta diretamente os preços. “Isso deve gerar um aumento nos preços das baterias neste ano, contrariando a expectativa de queda contínua”, alerta Goudel.

Com foco em segmentos de maior porte, além do leilão de reserva de capacidade no Brasil, a companhia concentra sua atuação também nos mercados chileno e argentino. “Isso faz parte da estratégia da empresa. O mercado brasileiro está movimentado, mas, como atuamos em um nicho muito específico de equipamentos grandes, ele ainda é relativamente pequeno”.

Este conteúdo é protegido por direitos autorais e não pode ser reutilizado. Se você deseja cooperar conosco e gostaria de reutilizar parte de nosso conteúdo, por favor entre em contato com: editors@pv-magazine.com.

Conteúdo popular

Ministro de Minas e Energia discute armazenamento de energia e minerais críticos com CATL
23 janeiro 2026 Alexandre Silveira apresentou as diretrizes do leilão de baterias, previsto para abril deste ano, e o trabalho do governo brasileiro para superar o mo...