A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) projeta que o mercado solar brasileiro manterá um ritmo de crescimento robusto em 2026, ainda que em um patamar inferior aos anos anteriores, refletindo um cenário mais desafiador para o setor. Segundo o presidente executivo da entidade, Rodrigo Sauaia, a expectativa é de que o país adicione 10,6 GW de capacidade solar no próximo ano, alcançando um total acumulado de 75,9 GW ao fim de 2026.
Do volume previsto para 2026, 6,8 GW devem vir da geração distribuída (GD) e 3,8 GW da geração centralizada. “É um crescimento robusto, mas é uma desaceleração, o que sinaliza um ano desafiador do mercado”, disse Sauaia à pv magazine Brasil. Ele destaca que apesar da aparente retomada da geração centralizada, que em 2025 adicionou 2,8 GW, muitos dos projetos que entrarão em operação foram desenvolvidos há dois ou três anos, em um outro cenário de competitividade.
O crescimento mais tímido projetado para 2026 contrasta com o recorde registrado em 2024, quando mais de 15 GW foram adicionados, consolidando o Brasil como um dos maiores mercados fotovoltaicos do mundo. Para 2025, a Absolar estima que 10,6 GW foram instalados, sendo 7,8 GW em GD e 2,8 GW em projetos centralizados, o que deve levar a capacidade acumulada a cerca de 65 GW até o fim do ano. “Com esse volume, a fonte solar se consolida como a segunda maior da matriz elétrica brasileira em termos de capacidade instalada, com larga vantagem sobre as demais”.
Sauaia atribui a desaceleração esperada para 2026 à redução do ritmo de crescimento do autoconsumo remoto e compartilhado, modalidades de geração distribuída que ficam menos competitivas com as regras introduzidas pela lei 14.300, enquanto os projetos em telhados continuam apresentando maior resiliência. Além disso, o cenário macroeconômico também pesa sobre o setor, com o aumento do custo de capital, com a Selic em 15% ao ano, e a elevação do imposto de importação para sistemas de geração distribuída — ainda que permaneçam cotas de isenção para projetos acima de 5 MW, consideradas uma conquista importante do setor no último ano.
Por outro lado, o executivo observa que há uma tendência de aumento das tarifas de energia elétrica, em algumas áreas de concessão chegando a dois dígitos, o que mantém a atratividade da fonte solar para os consumidores.
Restrições de rede seguem na pauta e abrem oportunidades em armazenamento
Na agenda regulatória, a Absolar aponta desafios recorrentes que seguem sem solução. Entre eles estão os problemas relacionados à inversão de fluxo de potência na rede de distribuição e as queixas sobre a contabilização dos créditos de energia, com relatos de créditos que “somem” antes do prazo de expiração e da devida compensação. Para Sauaia, a retomada de uma fiscalização mais ativa por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é fundamental. “Está na agenda a retomada da fiscalização mais ativa por parte da agência, agora que há a sinalização de que a Aneel vai recompor o seu quadro técnico”, afirma.
Outro ponto sensível envolve as negativas de pedidos de conexão, justificadas por distribuidoras com base em restrições operativas sistêmicas e em orientações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Paralelamente, a Aneel iniciou discussões sobre temas estruturantes, como os Operadores do Sistema de Distribuição (DSOs) e a tarifa branca, que devem ganhar corpo ao longo de 2026.
Nesse contexto, o armazenamento de energia surge como uma oportunidade estratégica para o setor solar, ainda que o sinal regulatório e econômico não esteja totalmente definido.
“Não necessariamente é algo que já está viável nesse momento — em alguns casos e áreas de concessão, sim — mas é definitivamente uma tendência, com a sinalização por exemplo da ampliação da tarifa horo sazonal. Então esse é o momento para as empresas se capacitarem para a projeção, execução, instalação e manutenção dessa tecnologia”, diz.
Ele defende a consolidação do chamado “Integrador 2.0”, capaz de ir além da instalação de sistemas fotovoltaicos e oferecer soluções energéticas completas, incluindo eficiência energética, substituição de equipamentos, sistemas de armazenamento (BESS) e migração para o mercado livre de energia.
Solução para cortes e atração de nova demanda para geração centralizada
Na geração centralizada, a prioridade da Absolar é avançar na discussão sobre o ressarcimento adequado dos cortes de geração. Sauaia reconhece que a solução trazida pela Lei 15.269 não era a recomendada pela associação, mas avalia que pode representar um passo relevante para destravar projetos. A Absolar acompanha de perto a consulta pública em andamento no Ministério de Minas e Energia (MME) e busca contribuir para avanços dentro do âmbito infralegal.

Imagem: Absolar
“Uma vez que esteja mais claro como será esse ressarcimento, os empreendedores vão rodar novamente suas planilhas para decidir sobre novos projetos. Essa é uma dificuldade crítica para o segmento”, afirma.
O executivo também aponta políticas como o Redata como potenciais indutoras de novos projetos centralizados, ao atrair grandes consumidores, desde que o país consiga criar um ambiente competitivo. Outros vetores de crescimento futuro da demanda incluem os projetos de hidrogênio verde, de maturação mais longa, e a eletrificação de usos finais da energia.
No curto prazo, porém, Sauaia reforço que muitos empreendedores estão focados em mitigar os impactos dos cortes de geração sobre projetos já em operação, financiados e com receitas comprometidas. “Precisamos encontrar uma solução viável para os agentes e para o Brasil manter a sua credibilidade e competitividade na atração de investimentos”, diz.
DSOs independentes
Em relação à possibilidade de cortes na geração distribuída, a Absolar defende uma abordagem baseada em lógica de mercado, inspirada em experiências internacionais, como a do Reino Unido, onde empresas oferecem serviços de redução de potência ou carga ao operador do sistema. A associação reconhece que a estabilidade do sistema é prioridade, mas questiona o papel exclusivo das distribuidoras nesse processo. “Isso não pode ser discutido sem a participação dos geradores distribuídos, somente entre as distribuidoras e o Operador”, afirma Sauaia, ao destacar que a entidade solicitou à Aneel participação em qualquer debate sobre cortes de GD e sobre a criação de DSOs.
Outros temas centrais da agenda institucional para 2026 incluem o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), que, segundo Sauaia, “vai ser um divisor de águas”, e a reforma tributária, com impactos diretos sobre o setor elétrico e a prestação de serviços. O executivo lembra ainda que o ano será marcado por eleições e que a Absolar pretende atuar de forma ativa junto a candidatos nos âmbitos federal e estadual. “É um ano de eleições, vamos atuar muito ativamente junto aos candidatos tanto no âmbito federal quanto no estadual, para contribuir com propostas para o setor solar”, afirma.
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