A Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE) vê em 2026 um ano de consolidação não só da regulação para o segmento como também das aplicações comerciais das baterias, que devem superar 2 GWh de capacidade junto aos consumidores de energia, especialmente comercias e industriais, e em soluções de descarbonização da Amazônia.
“Isso se explica pela velocidade com que esses sistemas estão avançando: são de implantação rápida e estão sendo cada vez mais demandados. Existe também um efeito dinâmico de mercado. Quem já implantou acaba gerando um efeito de ‘boca a boca’, o que acelera a curva de adoção da nova tecnologia”, disse à pv magazine Brasil o diretor executivo da associação, Fabio Lima.
Embora o balanço de 2025 ainda não esteja fechado, a percepção é de uma aceleração das instalações em 2026, baseada no volume de projetos que os associados estão enxergando.
“A aprovação da Lei 15.269 e as notícias sobre a regulamentação também têm incentivado o mercado e aumentado a busca por esses sistemas. Vemos 2026 como um ano de consolidação regulatória”, diz Lima.
“Além disso, vemos aplicações comerciais e industriais avançando, inclusive no agronegócio, tanto em soluções de final de linha quanto off-grid, em ambientes rurais e urbanos. Há muitas aplicações em hospitais, instituições de ensino e shopping centers, que são centros de carga com variação ao longo do dia e consumo relevante no período noturno”.
Drivers de crescimento
O leilão de reserva de capacidade também está no centro das expectativas, com as regras ainda em discussão, mas apontando para a priorização de projetos, com no mínimo 30 MW de capacidade cada, em locais mais vantajosos para o sistema e entrega a partir de agosto de 2028. Há muitos projetos sendo desenvolvidos e revisados para se adequar ao leilão, o que deve ser um turning point para o mercado, já que envolve sistemas de grande porte.
“A expectativa é da efetiva realização do leilão de capacidade ainda no primeiro semestre. O volume do leilão é um ‘segredo’, mas espera-se algo da ordem de 2 GW de potência/8 GWh de capacidade de armazenamento, o que multiplicaria o mercado brasileiro atual”.

Há expectativa também em relação a continuidade do processo de descarbonização da Amazônia. “O CGPAL entra agora no segundo ano e foi bastante exitoso na primeira rodada de seleção. Já vemos novos projetos surgindo”.
A eletromobilidade também está no centro da pauta da Aneel, com consulta pública aberta neste primeiro trimestre. A agência já enxerga o armazenamento como um ator importante para estações de recarga, tanto de veículos leves quanto pesados.
Outro ponto relevante são os data centers, que devem se consolidar no Brasil com a expectativa de aprovação do Redata. Eles vão demandar armazenamento internamente e também induzir a necessidade de armazenamento na distribuição e na transmissão, porque a rede precisa de ferramentas de controle e flexibilidade.
Há ainda uma discussão avançada na Aneel sobre tarifas horárias. Dependendo de como isso for implementado — com previsibilidade e segurança jurídica — pode se tornar um indutor importante, avalia Lima, inclusive para participação do armazenamento em unidades consumidoras residenciais, embora isso ainda esteja em desenvolvimento regulatório.
Além disso, com os incentivos corretos, a redução do corte de geração pode ser parte da remuneração de sistemas de armazenamento. “Houve avanços no âmbito legal, mas ainda há uma longa discussão regulatória”.
Projetos de grande porte além do leilão
A viabilidade de projetos de armazenamento de energia de grande porte para além da contratação no leilão de reserva de capacidade depende de uma maior clareza de outras fontes de receita, avalia Lima. De forma geral, o armazenamento no mundo se estabelece a partir do empilhamento de receitas, com uma parte fixa e outra variável.
“No modelo do leilão de capacidade, o projeto participa apenas da receita fixa, ficando vedada a atuação na receita variável. Isso leva à implantação de sistemas quase totalmente dedicados ao leilão. Em outros países, o pagamento de capacidade funciona como complemento, permitindo também arbitragem de preços de energia”.
Atualmente, as empresas estão desenvolvendo projetos desenvolvidos majoritariamente voltados ao leilão. “A multiplicidade de serviços deve aparecer mais claramente em projetos associados, por exemplo, a plantas solares, à luz da nova regulação. Esse é o espírito da Lei 15.269, que permite que o armazenamento atue como habilitador de novas conexões à rede e participe de mecanismos competitivos mais flexíveis, próximos da resposta da demanda”.
Nesse contexto, ter uma base de receita fixa sobre a qual é possível empilhar receitas de redução de corte, redução tarifária e outros serviços ao consumidor é o que vai viabilizar projetos “multisserviço”.
Ele acrescenta que alguns projetos estão sendo analisados para redirecionamento, especialmente em plantas que sofrem mais com corte de geração, mas isso é uma decisão caso a caso, dentro das empresas.
Consolidação da regulação
Um dos principais focos da ABSAE para 2026 está na consolidação da regulação do armazenamento de energia no Brasil. Entre os principais temas em debate estão a conclusão da CP 39 da Aneel, incluindo temas como o acesso à rede, o encargo de capacidade, as novas tarifas horárias e a integração com a eletromobilidade.
No campo legislativo, os desafios incluem viabilizar o acesso ao REIDI para PIS/Cofins, que dependem de previsão orçamentária, e revisar a regra do encargo de capacidade aplicada ao armazenamento, considerada anti-isonômica, ineficiente e geradora de insegurança jurídica. A mudança dessa regra depende de nova lei ou medida provisória, em articulação com o Congresso e o Executivo.
Já no âmbito do Executivo, a agenda envolve a realização do leilão, novas rodadas do CGPAL e do Proamazônia, além da regulamentação do REIDI por decreto.
“O objetivo é criar um ambiente em que o armazenamento se desenvolva de forma autônoma, com tributação isonômica e participação adequada em leilões e mecanismos competitivos”, resume o diretor executivo da ABSAE.
De forma mais ampla, ele avalia que o setor elétrico ainda enfrenta o desafio crescente da flexibilidade do sistema. “Com atrasos nos leilões de capacidade, torna-se essencial avançar em tarifas horárias, novos mecanismos competitivos e soluções que incentivem a flexibilidade, abrindo espaço para a expansão do armazenamento no país”, diz.
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