Dez anos após o Acordo de Paris, o Brasil aparece em posição ambígua no Production Gap Report 2025. De um lado, o governo anunciou recentemente a Política Nacional de Transição Energética e o Programa de Aceleração da Transição Energética, além de metas de reduzir emissões entre 59% e 67% até 2035. De outro, planeja elevar fortemente a produção de combustíveis fósseis: o petróleo deve crescer 56% entre 2023 e 2030 e o gás mais que dobrar, com alta de 118% até 2034. O país também sinalizou intenção de aderir à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP+).
Um relatório produzido pelo Stockholm Environment Institute (SEI), Climate Analytics e International Institute for Sustainable Development (IISD), avalia a produção planejada de carvão, petróleo e gás em 20 grandes países produtores, responsáveis por 80% da oferta global. A análise revela que, desde 2023, os governos planejam níveis ainda maiores de produção de carvão até 2035 e de gás até 2050, com a produção planejada de petróleo continuando a aumentar até 2050.
A análise revela que os governos planejam produzir mais que o dobro (120% a mais) de combustíveis fósseis em 2030 do que seria compatível com a limitação do aquecimento global a 1,5°C, e 77% acima do que permitiria manter o aquecimento em 2°C.
A concretização desses planos afastaria ainda mais o mundo das metas do Acordo de Paris, mesmo enquanto os países apresentam novos compromissos climáticos destinados a cumprir suas contribuições ao pacto. Quando essa avaliação foi realizada pela última vez, em 2023, a lacuna de produção de combustíveis fósseis era 110% acima do caminho de aquecimento de 1,5°C e 69% acima do caminho de 2°C.
O documento alerta que os planos atuais afastam o mundo das metas do Acordo de Paris, mesmo diante de novos compromissos climáticos. O texto lembra o Consenso de Dubai, firmado na COP28 em 2023, que reconheceu a necessidade de transição nos sistemas energéticos e de eliminação gradual de subsídios ineficientes a combustíveis fósseis.
Especialistas alertam que adiar a ação só agravará as emissões e os impactos climáticos, especialmente para as populações mais vulneráveis. A ex-Secretária Executiva da UNFCCC, Christiana Figueres, enfatiza a necessidade de ação deliberada para uma transição justa. Já o coautor do relatório, Olivier Bois von Kursk, destaca que muitos governos estão apostando contra a transição para energia limpa. Outro coautor, Neil Grant, também critica o desperdício de dinheiro público em ativos que se tornarão encalhados e os custos humanos e ambientais desses planos de expansão.
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