Em um ano desafiador para grandes projetos de geração solar distribuída — aquelas entre 1 MW e 5 MW, frequentemente desenvolvidas em clusters — e para as usinas fotovoltaicas centralizadas, a Sungrow, fornecedora de inversores centrais e string, uma queda nos pedidos para esses mercados mais tradicionais. Ao mesmo tempo, a companhia têm desenvolvido novos negócios para sua solução de armazenamento, incluindo pré-acordos para o aguardado leilão de reserva de capacidade com participação de baterias. A prorrogação de prazo para projetos centralizados entrarem em operação com descontos nas tarifas de transmissão também gerou novos negócios para a empresa.
A companhia estima vender 2 GW de equipamentos para o segmento de geração centralizada em 2025, contra quase 3 GW no ano anterior, de acordo com o country manager da Sungrow no Brasil, Rafael Ribeiro.
“As perspectivas a curto prazo ainda são bem desafiadoras. Ouvimos aqui na feira de um investidor ‘eu tenho que botar dinheiro do bolso mês sim, mês não, mês sim, mês não. Vou sendo cortado em 30% [da geração potencial]'”, disse Ribeiro à pv magazine Brasil durante a Intersolar South America 2025.
Apesar da desaceleração, ainda existem oportunidades, aponta o executivo. “A gente vendeu um projeto esse ano no Mato Grosso do Sul, no Mato Grosso e muito projeto conectado na rede da distribuidora, que ‘foge’ do ONS, daquilo que tem prejudicado a operação. São mais desafiadores, são menores, mas ainda estão acontecendo, tanto de autoprodução e quanto de PPA no mercado livre também.”
Mesmo no próprio mercado de geração centralizada, a MP 1.212, que prorrogou o prazo de entrada em operação de usinas que solicitaram outorgas até 2 de março de 2022, com incentivo tarifário, ajudou a fechar novos acordos. “Os projetos têm que apresentar agora até outubro o contrato do inversor e do módulo. Então a gente tem vendido para esses projetos também, já assinamos algo em torno de 1,8 GW, mas é para entrega em 2028”.
Usinas de geração distribuída buscam consumidores menores
Para o mercado de usinas de 1 MW a 5 MW, a Sungrow prevê entregar algo em torno de 750 MW em 2025. “Esse segmento teve uma queda grande, o que já era previsto, até pela própria regulação que mudou para os projetos que solicitaram conexão a partir de janeiro de 2023. Existe um volume ainda bem expressivo, mas esse ano a gente deve fazer metade do que a gente fez o ano passado”.
Na avaliação de Ribeiro, o grande desafio desse segmento não é nem capital e nem disponibilidade de projetos, mas alocar a energia para consumidores interessados no modelo de solar por assinatura.
“O mercado saturou, hoje tem muita usina e está faltando a demanda do consumidor de energia. O preço está razoável ainda, porque no mercado de geração distribuída estamos falando de uma tarifa regulada de R$ 1.000, R$ 900/MWh, então uma oferta de economia de 30% é interessante”, diz o executivo.
Entretanto, a maior parte das grandes contas corporativas, como redes de farmácia, supermercados e comércio em geral, já aderiu ao modelo, observa Ribeiro:
“Agora esse segmento está indo para o mercado de pessoa física. Só que pessoa física é um trabalho mais complexo. Um cliente nosso aqui que tem 10.000, 12.000, 15.000 clientes, às vezes até 50.000 clientes para poder fazer a gestão de uma usina de 1 MW a 5 MW. E cada cliente vai demandar 5 kW, 8 kW, para o empreendedor juntar e viabilizar uma usina, enquanto corre com o prazo de conexão para não perder o projeto dentro de GD1 [regras anteriores à Lei 14.300, mais vantajosas para a injeção de energia na rede]. É um desafio maior. Antigamente muita empresa fazia a usina primeiro e depois alocava os consumidores. Agora não está dando mais para fazer isso”.
No mercado de usinas de menor porte, atendido pelas distribuidoras de equipamentos, a importação caiu 10%, segundo o executivo. Embora o mercado ainda esteja movimentando novos pedidos, a concorrência é maior e o preço dos equipamentos, muito baixo. “Então, para a gente, como fabricantes, também é desafiador.”
84 propostas para um leilão que ainda não existe
Ribeiro destaca que em meio ao arrefecimento de usinas solares de maior porte, o mercado têm estudado o armazenamento em baterias como solução para continuar crescendo. Mas alerta que as oportunidades atuais ainda não são suficientes para compensar o soluço do mercado fotovoltaico. “Imagina que a gente vendeu esse ano até agora uns 3,2 GW [de equipamentos para usinas solares] contra 2 MW de baterias”.
Atualmente, as baterias estão sendo demandadas pelos clientes finais, especialmente os que têm problemas com o fornecimento de energia, mas mais clientes da Sungrow têm estudado a oferta de armazenamento como um serviço, observa o executivo.

Imagem: Marketing Sungrow
Além disso, há a grande expectativa do mercado em torno da realização do Leilão d Reserva de Capacidade para baterias. A Sungrow tem mantido conversas em preparação para a concorrência, incluindo novos potenciais clientes além dos tradicionalmente atendidos pela companhia, como investidores e transmissoras. “A gente tem visto o gerador também olhando mas ainda não está claro”, comenta Ribeiro.
“Já existe uma movimentação no mercado, todos estão procurando subestação, área para poder colocar uma bateria para tentar viabilizar algum projeto. Tem alguns players que estão muito avançados, querem fazer acordo, a gente está trabalhando, a demanda é muito grande. De janeiro a junho a gente fez 84 propostas para um leilão que ainda não existe. Então a gente não pode trabalhar com todo mundo, a gente vai fazer pré-acordos. Mas de novo, é para entregar daqui a três anos”, conta o executivo.
O prazo mais longo para a entrega torna ainda mais complexa a oferta de fornecimento, observa Ribeiro. “A gente tem desenhado o modelo considerando a curva de queda de preço, para dar competitividade para o cliente ganhar o leilão. A gente tem trabalhado muito forte nisso”.
A Sungrow forneceu 10 GW de capacidade de armazenamento na América Latina e estima ter um market share de 70% na região, trabalhando não só no fornecimento do produto, mas no long term service agreement.
“Isso tem levado a companhia. Quando você pega um parque solar, o inversor é chave, mas o valor no pacote é muito pequeno. Então não tem sentido um O&M para a Sungrow. Num BESS, isso representa 80%, dependendo da conexão, 90% do negócio. Então aí sim, o expertise tá com a Sungrow. Então a gente tem levado essa solução completa, inclusive do O&M da operação para o cliente durante todo o prazo do contrato”, conta o executivo.
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