Os sistemas fotovoltaicos off-grid seguem avançando no Brasil, ainda que de forma concentrada em nichos específicos e sem uma base consolidada de dados que permita dimensionar com precisão esse mercado. Em meio ao aumento das restrições de conexão à rede e à busca por maior confiabilidade energética, essas soluções começam a ganhar protagonismo em aplicações onde a infraestrutura elétrica é limitada ou inexistente.
Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a ausência de registros formais dificulta a mensuração da capacidade instalada no país. “Embora haja indícios claros de crescimento desse segmento, ele ainda não é plenamente capturado pelas estatísticas oficiais do setor”, afirma a presidente eleita para o Conselho de Administração da entidade, Bárbara Rubim, em entrevista à pv magazine Brasil para o Especial off-grid.
Mercado de nicho, com expansão consistente
No Brasil, os sistemas isolados permanecem majoritariamente associados a aplicações específicas, como eletrificação rural, telecomunicações, bombeamento de água e unidades em regiões remotas. Ainda assim, o segmento apresenta crescimento consistente nos últimos anos.

Imagem: Absolar
“Os sistemas isolados ainda são considerados um mercado de nicho, embora apresentem expansão contínua, especialmente em locais onde a rede elétrica não chega ou sua expansão é economicamente inviável”, explica Bárbara.
Apesar do avanço, o modelo ainda enfrenta limitações para expansão em larga escala, principalmente devido ao custo do armazenamento e à complexidade técnica dos projetos. Isso mantém o off-grid distante do volume observado na geração distribuída conectada à rede, que segue dominante no país.
Restrições de rede impulsionam soluções híbridas
O aumento das limitações técnicas das distribuidoras já começa a impactar o desenvolvimento de novos projetos solares. Segundo a Absolar, há uma migração pontual de sistemas originalmente planejados como on-grid para soluções alternativas, especialmente os modelos híbridos e zero-grid.
“Tem sido observada uma migração pontual de projetos motivada principalmente por restrições de conexão à rede elétrica”, afirma.
No entanto, a executiva ressalta que o off-grid tradicional ainda não é o principal destino desses projetos. “Os sistemas zero-grid são os que mais absorvem essa migração, funcionando como uma solução intermediária entre o on-grid e o off-grid”, explica.
Esse movimento é mais evidente em regiões com alta penetração de geração distribuída, como Sudeste e Sul, além de áreas rurais no Centro-Oeste, onde a infraestrutura elétrica é mais limitada.
Baterias no centro da transformação
O avanço dos sistemas off-grid está diretamente ligado à evolução das tecnologias de armazenamento. Nos sistemas isolados, as baterias deixam de ser um componente complementar e passam a ser o elemento central da operação.
Bárbara destaca que “no off-grid, as baterias são o coração do sistema, garantindo fornecimento contínuo nos períodos sem geração solar”.
Apesar dos avanços tecnológicos, o custo ainda é um fator determinante. O investimento em armazenamento representa uma parcela significativa do CAPEX dos projetos, o que limita a adoção em larga escala, especialmente em áreas com acesso à rede.
Ainda assim, a avaliação econômica do off-grid tem evoluído. “O custo das baterias deixou de ser um impeditivo absoluto e passou a ser um elemento de análise estratégica”, afirma a executiva, destacando aplicações em que a autonomia energética e a confiabilidade justificam o investimento.
Lacunas regulatórias e avanço por necessidade
Do ponto de vista regulatório, o Brasil ainda carece de um marco específico para sistemas isolados. Segundo a associação a regulação atual é voltada majoritariamente para sistemas conectados à rede, o que cria lacunas para o desenvolvimento do off-grid.
“Não há uma política nacional clara que trate de forma abrangente temas como incentivos econômicos, armazenamento de energia ou financiamento para sistemas isolados”, aponta.
Mesmo assim, o segmento avança impulsionado por demandas práticas, especialmente em regiões remotas e no agronegócio. Iniciativas recentes, como consultas públicas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) voltadas a sistemas isolados e programas para a Amazônia, indicam uma evolução gradual do ambiente regulatório.
Para a associação, o futuro do off-grid no Brasil deve ser analisado de forma contextual. Em regiões fora do Sistema Interligado Nacional, essas soluções já desempenham um papel estrutural no fornecimento de energia.
Já em áreas atendidas pela rede, a tendência é que sistemas híbridos e zero-grid assumam uma função complementar, contribuindo para maior resiliência e autonomia energética.
“O off-grid já é estrutural aonde a rede não chega e tende a permanecer complementar onde ela existe, ainda que com limitações”, conclui Bárbara Rubim.
Este conteúdo é protegido por direitos autorais e não pode ser reutilizado. Se você deseja cooperar conosco e gostaria de reutilizar parte de nosso conteúdo, por favor entre em contato com: editors@pv-magazine.com.






Ao enviar este formulário, você concorda com a pv magazine usar seus dados para o propósito de publicar seu comentário.
Seus dados pessoais serão apenas exibidos ou transmitidos para terceiros com o propósito de filtrar spam, ou se for necessário para manutenção técnica do website. Qualquer outra transferência a terceiros não acontecerá, a menos que seja justificado com base em regulamentações aplicáveis de proteção de dados ou se a pv magazine for legalmente obrigada a fazê-lo.
Você pode revogar esse consentimento a qualquer momento com efeito para o futuro, em cujo caso seus dados serão apagados imediatamente. Ainda, seus dados podem ser apagados se a pv magazine processou seu pedido ou se o propósito de guardar seus dados for cumprido.
Mais informações em privacidade de dados podem ser encontradas em nossa Política de Proteção de Dados.