O Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026 (LRCAP), realizado nesta quarta-feira (18/03), na sede da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo, contratou 19 GW de potência. A concorrência contratou 60 usinas termelétricas novas que representam 8,86 GW de disponibilidade de potência, 35 térmicas existentes que somam 7,61 GW e 5 ampliações de hidrelétricas, que contribuem com 2,5 GW para o SIN.
Das usinas térmicas, 90 são movidas a gás natural (15 GW), três são a carvão mineral (1,4 GW) e apenas duas a biometano, somando 10 MW. Os contratos variam de 10 a 15 anos e com início de suprimento entre 2026 e 2031. O resultado completo da concorrência pode ser visto aqui.
“Nós fizemos o maior leilão de térmicas da história desse país”, disse o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
O leilão apresentou preço médio de R$ 2,33 milhões por MW instalado por ano. A negociação deve gerar uma receita total de R$ 515,7 bilhões para os empreendimentos, o que representa um deságio de 5,52% em relação ao preço-teto. Os projetos demandarão R$ 64,5 bilhões em investimentos.
O objetivo da concorrência é garantir potência adicional para atender à demanda em momentos críticos do sistema elétrico brasileiro, ampliando a flexibilidade e a segurança energética diante do expressivo crescimento das fontes renováveis intermitentes.
Na próxima sexta-feira, será realizado ainda o LRCAP para usinas existentes à óleo diesel e possível conversão para biodiesel com prolongamento contratual.
Em nota, a ABSAE, disse que, considerando os custos das novas usinas termelétricas contratadas, a substituição por sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) na contratação representaria uma economia próxima a R$ 1,5 bilhão por ano para cada 1 GW de potência. Segundo a associação, os BESS podem prover potência, flexibilidade e controle a custos fixos até 44% menores que o preço médio do LRCAP realizado nesta quarta-feira (18/03), sem o custo adicional de combustível, desde que haja condições contratuais equivalentes.
“Naturalmente que BESS e Usinas Termelétricas ou Hidrelétricas são soluções distintas para o déficit de potência, com características próprias. Porém, quando observamos o quadro brasileiro com curtailment elevado, riscos de controle no vale de carga, rampa diária íngreme e risco de déficit concentrado em poucas horas na ponta noturna, vemos um caso evidente para a aplicação de sistemas de armazenamento de energia”, diz o texto divulgado pela associação.
A ABSAE ainda destacou o contexto internacional marcado por crescente instabilidade nos mercados de combustíveis fósseis, influenciado por tensões geopolíticas e guerras que afetam cadeias globais de suprimento e preços de gás, petróleo e carvão.
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