A Aurora Energy Research prevê que serão necessários 21 GW de nova capacidade firme até 2030 para atender a picos de demanda e garantir segurança de suprimento no Brasil. Neste contexto, analisaram-se os custos e benefícios das principais tecnologias que participarão dos próximos leilões de reserva de capacidade (LRCAPs): usinas térmicas a gás, hidrelétricas e, pela primeira vez, baterias.
A Aurora Energy Research conclui que as hidrelétricas apresentam uma relação custo-benefício até 64% mais competitiva do que a energia térmica para o sistema. No caso das baterias, essa relação custo-benefício chega a 51%. Isso se deve principalmente ao menor CAPEX/OPEX e à ausência de consumo de combustível, em comparação com as turbinas térmicas.
Contudo, a Aurora Energy Research destaca que todos os concorrentes estão expostos a riscos particulares. Para térmicas, é importante destacar o risco representado pela volatilidade dos preços do gás, especialmente no atual contexto geopolítico internacional. Também têm sido relevantes os gargalos mundiais no fornecimento de turbinas, devido à alta demanda, associada especialmente a grandes demandas como data centers para inteligência artificial.
Para a energia hidrelétrica, existe o desafio de fornecer a capacidade contratada nos LRCAPs nas horas críticas sem reduzir muito a geração em outras horas, devido aos requisitos mínimos de geração de cada usina.
Para os sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS), há uma grande dependência das receitas fixas do leilão, enquanto outras fontes de receita ainda estão em fase de amadurecimento no Brasil, como os serviços ancilares e a operação no Mercado de Curto Prazo.
As tecnologias contratadas nos LRCAPs podem ter grandes impactos no mercado de energia brasileiro como um todo. Em um cenário de intensa implantação de BESS (33 GW até 2040), a demanda adicional pode aumentar os preços da energia no meio do dia em 22% e reduzir o curtailment energético de usinas solares em até 50%. Para a geração térmica, se os preços do gás natural sofrerem uma alta extrema, semelhante à dos últimos 5 anos, o aumento nos custos de despacho térmico pode elevar os spreads diários de preço para mais de R$300/MWh até 2040.
O sistema elétrico brasileiro é operado à base de custos e predominantemente hidrelétrico, mas o crescimento recente provém quase inteiramente de fontes renováveis intermitentes, como a eólica e a solar.
Essa rápida expansão criou desafios operacionais, como o excedente de geração renovável durante o dia e a oferta insuficiente nos horários de pico noturno, quando a produção solar diminui. A capacidade térmica limitada e a menor flexibilidade da energia hidrelétrica aumentam a preocupação de atender a picos de demanda e garantir a confiabilidade do sistema.
Compreender plenamente os custos e benefícios das principais tecnologias que concorrem no leilão — térmica, hídrica e baterias — é fundamental para planejar os próximos leilões e distribuir a capacidade que deve ser contratada entre as fontes disponíveis.
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