Carnaval no Brasil: Trio elétrico emprega sistema híbrido e armazenamento

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Em meio à folia que tomou as ruas nos circuitos Barra-Ondina e Campo Grande durante o Carnaval 2026, um dos ícones mais emblemáticos da cultura baiana — o trio elétrico — foi palco de uma experiência inédita no país: a aplicação de uma solução energética híbrida que combina baterias, inversores e geradores para reduzir o uso de combustíveis fósseis e inaugurar um novo capítulo da transição energética nas festas populares brasileiras.

O diretor de Negócios Solar, BESS & Building da WEG, Harry Neto apresentou a iniciativa em um post em uma rede social, compartilhado diretamente de Salvador, onde a empresa colocou em operação um sistema híbrido embarcado em um dos trios do cantor Carlinhos Brown — referência cultural da festa baiana e protagonista da abertura oficial do Carnaval no circuito Dodô (Barra-Ondina).

“A WEG está aqui em Salvador, junto a um trio elétrico híbrido do Mr. Brown, que marca o começo da transição energética no Carnaval”, afirmou Neto, destacando que a solução tecnológica emprega inversores simples que se comunicam com sistemas de baterias e se integram a um gerador tradicional. Segundo o executivo, o sistema tem capacidade de 180 kW/h, oferecendo até duas horas de operação na potência máxima e cerca de quatro horas de autonomia em carga média, sem necessidade de geração contínua por diesel.

O uso de baterias permite, nas fases de maior demanda, reduzir a operação dos geradores — tradicionalmente a diesel — implicando em menor consumo de combustível, ruído e emissões ao longo do percurso do trio. Caso a energia armazenada não seja suficiente para sustentar todo o trajeto, o sistema automaticamente recorre ao gerador, carregando as baterias e mantendo a continuidade do fornecimento sem interrupções.

A proposta chega em um momento em que Salvador, berço do trio elétrico — veículo sonoro adaptado para festividades criado no início da década de 1950 pelos músicos Dodô e Osmar — continua a reinventar sua tradição. Esta é a primeira vez que uma solução híbrida desse tipo é aplicada em um trio elétrico de grande porte, reforçando a festa como um verdadeiro laboratório urbano de inovação e adaptação cultural.

De acordo Carlinhos Brown, transições tecnológicas como essa “levam tempo e trabalho”, e reconheceu que o carro elétrico levou séculos para atingir desempenho competitivo. Ele afirmou que graças à tecnologia empregada pela WEG “estamos próximos de realizar a continuidade do sonho de Dodô e Osmar”, em referência à evolução histórica do trio elétrico. O artista agradeceu à empresa por “aceitar o desafio e trazer inovação” para uma das maiores celebrações populares do Brasil.

Além da aplicação em um trio específico, a estratégia energética híbrida está inserida em um esforço mais amplo: segundo Neto, dez geradores a diesel já estão operando com apoio das baterias, reduzindo o uso total de diesel ao longo da folia. A expectativa é que esta redução não só diminua a emissão de poluentes e o impacto sonoro, como ofereça inspiração para outras manifestações culturais e eventos de grande porte em território nacional.

Com a experiência, o Carnaval de Salvador reforça seu papel como vitrine cultural e agora também como laboratório de soluções energéticas, aproximando tradição e tecnologia em um ambiente de alta demanda elétrica e grande visibilidade pública.

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