O Ministério de Minas e Energia abriu consultas públicas para receber contribuições ao Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035 e ao Plano Nacional de Energia (PNE) 2055, dois dos principais instrumentos de planejamento do setor energético brasileiro, elaborados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
No cenário de referência apresentado na consulta pública do PDE 2035, o país alcançaria 107 GW de capacidade instalada da fonte solar fotovoltaica em 2035, saindo de 60 GW até dezembro de 2025. No período, as usinas solares centralizadas sairiam de 20 GW para 29 GW e a geração distribuída de 40 GW para 78 GW.
Tal expansão colocaria a fonte como a segunda maior da matriz elétrica brasileira, com participação de quase 30%, e bastante próxima da hidrelétrica, que somará 113 GW, representando 32% da matriz.

Imagem: EPE
38 GW de nova geração distribuída
Nos primeiros anos do período avaliado no PDE, a expansão da energia solar concentra-se na modalidade de Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), com projeções de alcançar expressivos 78 GW até 2035.
Em contraste, a expansão otimizada para a geração solar centralizada reflete um momento de excedentes de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN), resultado da significativa adição de fontes renováveis variáveis. Nesse contexto de curtailment energético (sobra de energia em relação à carga a ser atendida), a expansão adicional da geração solar fotovoltaica centralizada torna-se economicamente e operacionalmente desvantajosa para o SIN.
O descompasso entre a produção solar, no período diurno, e os picos de demanda líquida do sistema, geralmente no início da noite, intensifica os excedentes de geração, resultando em cortes (curtailment) e pressionando os preços no mercado de curto prazo para valores mais baixos.
“Como a simulação do Cenário de Referência considerou contribuição nula da tecnologia solar centralizada em momentos de demanda líquida elevada (período noturno), novas adições de projetos solares podem não gerar tantos benefícios ao equilíbrio entre oferta e demanda e à confiabilidade do sistema elétrico brasileiro como em ciclos anteriores do PDE. Entretanto, a avaliação da inclusão de sistemas de armazenamento nos parques solares surge como um vetor de aumento da competitividade da tecnologia, especialmente por ampliar sua contribuição nos períodos de maior necessidade sistêmica e, em tese, de preços potencialmente mais elevados”, diz o texto em consulta pública.
Maior necessidade de térmicas
Em termos totais, o Brasil ampliará sua capacidade instalada de 249 GW em 2025 para 359 GW em 2035, uma expansão de 110 GW no período de dez anos.
A participação da fonte hidráulica no cenário de referência de 47% em 2025 para 35% em 2035 (incluindo UHEs e PCHs). A participação das fontes solar centralizada e eólica seriam mantidas, enquanto a MMGD ampliaria sua participação em 6 p.p., chegando a 22% ao final do horizonte.
Além disso, estão indicados o aumento da participação de usinas térmicas, partindo de 12% em 2025 e chegando a 14% em 2035, e o surgimento mais relevante do armazenamento, representando 2% da capacidade instalada do SIN no horizonte do estudo. Já o potencial de Resposta da Demanda alcança 1% em 2035.
A participação das fontes renováveis na matriz deve recuar no período analisado, segundo o cenário de referência do estudo, de 94% em 2025 para 88% em 2035.
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