A demanda global por energia deverá crescer mais de 3,5% ao ano, em média, até 2030, com a geração de eletricidade a partir de fontes renováveis, gás natural e energia nuclear se expandindo para acompanhar esse ritmo, segundo o relatório “Eletricidade 2026“, nova edição do estudo anual da Agência Internacional de Energia (IEA).
O documento projeta que o Brasil terá um crescimento de demanda por energia elétrica acima de 3% em 2026 e acima de 2% durante o restante da década, ficando acima de outros países das Américas, que deve ficar em média em 2% ao ano. Na região, a demanda por eletricidade cresceu 2,1% em 2025, em comparação com 2,8% no ano anterior, quando ondas de calor intensas em vários países aumentaram o consumo. Por outro lado, um clima mais ameno contribuiu para a moderação do crescimento da demanda em 2025, especialmente no Brasil e no México.
Eventos climáticos extremos, como ondas de calor e invernos mais frios ou mais quentes, continuarão a afetar significativamente os picos de carga e a demanda na região, injetando níveis mais altos de volatilidade nas previsões.
Os Estados Unidos, o segundo maior consumidor de eletricidade do mundo depois da China, serão responsáveis por mais de 60% do crescimento nas Américas durante o período de previsão. A expansão massiva de centros de dados, impulsionada pelo crescimento acelerado da IA e dos serviços em nuvem, aumenta a demanda na região, especialmente nos Estados Unidos, onde representam mais da metade do aumento total até 2030, enquanto Brasil, Canadá, Chile e México também estão se consolidando como atores importantes.
Segundo o relatório, lançado nesta sexta-feira (06/02), a demanda por eletricidade deverá crescer pelo menos 2,5 vezes mais rápido que a demanda total de energia até 2030, à medida que a “Era da Eletricidade” se consolida. Esse crescimento é impulsionado pelo aumento do uso industrial de eletricidade, pela crescente adoção de veículos elétricos, pelo maior uso de ar-condicionado e pela expansão de data centers e inteligência artificial.
Embora as economias emergentes e em desenvolvimento continuem sendo os principais motores do crescimento da demanda por eletricidade, o consumo das economias avançadas também está aumentando após 15 anos de estagnação, contribuindo com um quinto do aumento total da demanda por energia até 2030.
Crescimento por fontes
O relatório constata que a geração global de eletricidade a partir de fontes renováveis – impulsionada pela implantação recorde de energia solar fotovoltaica – está agora em processo de ultrapassar a geração a partir do carvão, depois de praticamente igualá-la em 2025, com base nos dados mais recentes disponíveis. A produção de energia nuclear também atingiu um novo recorde. O impulso em torno das fontes de geração de baixa emissão continua até 2030, altura em que as energias renováveis e a energia nuclear deverão, juntas, gerar 50% da eletricidade global, contra 42% atualmente.
A produção de energia a gás natural também deverá crescer até 2030, impulsionada pelo aumento da demanda por eletricidade nos Estados Unidos e pela contínua substituição do petróleo pelo gás natural na geração de energia no Oriente Médio. A geração de energia a carvão perde espaço globalmente com a expansão das energias renováveis, retornando aos níveis de 2021 até o final da década. Como resultado, espera-se que as emissões globais de CO₂ provenientes da geração de eletricidade permaneçam praticamente estáveis entre agora e 2030.
Expansão da rede e flexibilidade de sistemas
O relatório enfatiza que essas tendências – demanda crescente, uma matriz energética cada vez mais dependente das condições climáticas e a evolução dos padrões e tecnologias de consumo de eletricidade – exigem uma expansão rápida e eficiente tanto das redes elétricas quanto da flexibilidade do sistema. Atualmente, mais de 2.500 gigawatts em projetos – incluindo energias renováveis, armazenamento e projetos com grandes cargas, como data centers – estão paralisados em filas de conexão em todo o mundo.
Uma nova análise do relatório conclui que, à medida que a expansão das redes elétricas avança, a implantação de tecnologias que aprimoram a rede e a implementação de reformas regulatórias que permitam conexões e uso mais flexíveis da rede podem viabilizar a integração no curto prazo de até 1.600 gigawatts de projetos em espera. Juntas, essas medidas permitiriam que a rede fosse usada com mais eficiência e liberariam uma capacidade substancial.
“Em um momento de significativa incerteza nos mercados de energia, uma certeza é que a demanda global por eletricidade está crescendo muito mais fortemente do que na última década. Nesta Era da Eletricidade, o aumento no consumo global de energia até 2030 deverá ser equivalente a mais de duas Uniões Europeias”, afirmou Keisuke Sadamori, Diretor de Mercados e Segurança de Energia da Agência Internacional de Energia (IEA). “Atender a essa demanda exigirá um aumento de 50% nos investimentos anuais em redes elétricas até 2030. A expansão da flexibilidade também será crucial à medida que as redes de energia continuam a evoluir – assim como um forte foco em segurança e resiliência.”
Armazenamento
O relatório constata que as instalações de armazenamento de energia em baterias em escala de serviços públicos aumentaram acentuadamente, proporcionando uma importante fonte de flexibilidade a curto prazo. Mercados como Califórnia, Alemanha, Texas, Austrália do Sul e Reino Unido registraram um forte crescimento na implantação de capacidade de armazenamento de energia em baterias em escala de serviços públicos nos últimos anos.
Segundo o relatório, são necessários maiores esforços para melhorar a segurança e a resiliência dos sistemas de energia em todo o mundo, que enfrentam riscos crescentes associados à infraestrutura obsoleta, eventos climáticos extremos, ameaças cibernéticas e outras vulnerabilidades emergentes. Modernizar o funcionamento dos sistemas, bem como fortalecer a proteção física da infraestrutura crítica, será essencial para combater essas ameaças, enfatiza o relatório.
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