Sungrow vê pressão no custo de inversores, mas projeta resiliência e avanço da energia solar no Brasil

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A reintrodução do imposto de importação de 12,6% sobre inversores fotovoltaicos, após a revogação dos ex-tarifários no Brasil, está provocando ajustes na cadeia de suprimentos e maior cautela nas decisões de compra, segundo avaliação do diretor comercial da Sungrow Power Brasil, Eduardo Gama. Em entrevista à pv magazine, o executivo afirma que a mudança já era esperada, mas ocorre em um momento sensível para o setor, ainda amplamente dependente de equipamentos importados para expandir capacidade, garantir competitividade e fomentar inovação tecnológica.

De acordo com o executivo, a medida pode pressionar custos ao longo da cadeia, influenciando principalmente segmentos mais sensíveis a CAPEX. No entanto, ele ressalta que a mudança tributária não deve comprometer estruturalmente a competitividade dos equipamentos estrangeiros no médio e longo prazo.

“O mercado brasileiro segue priorizando desempenho, confiabilidade, eficiência e inovação — critérios que continuam determinantes para integradores e investidores”, destacou.

Eduardo Gama é o diretor comercial da Sungrow Power Brasil.

Imagem: Sungrow

O executivo observa que distribuidores e integradores já demonstram um comportamento mais cauteloso, com foco maior em gestão de estoque, planejamento e até postergação de compras, sobretudo em tecnologias emergentes como sistemas de armazenamento. “O impacto no storage tende a ser ainda mais sensível, já que é um mercado inicial no Brasil e depende fortemente de tecnologia importada. Qualquer ajuste tributário pode atrasar sua adoção”, afirma.

A Sungrow ainda não divulga números sobre impacto direto nos volumes de vendas para 2026, mas trabalha com diferentes cenários internos. Segundo Gama, é possível haver uma desaceleração no ritmo de crescimento, embora a empresa mantenha confiança na expansão do mercado nacional, impulsionado pela regulação e pelo avanço do armazenamento de energia nos próximos anos.

O cenário se torna ainda mais desafiador com o anúncio do governo chinês de que abolirá, a partir de 1º de abril de 2026, os descontos do IVA aplicados às exportações de produtos fotovoltaicos. Gama explica que a retirada dos rebates, somada ao aumento tributário brasileiro, deve elevar a pressão sobre preços. “É um movimento relevante, mesmo implementado de forma gradual. Isso reforça a necessidade de eficiência operacional, escala industrial, inovação e otimização logística”, diz.

Apesar do ambiente tributário mais rígido, o executivo afirma que a Sungrow está bem-posicionada devido à sua cadeia produtiva integrada e foco em eficiência de longo prazo. Ele defende, porém, a importância de diálogo contínuo entre indústria e governo para garantir que o avanço da transição energética no Brasil ocorra de forma sustentável, competitiva e com segurança jurídica.

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