Armazenamento e mobilidade elétrica dominam a estratégia da Huawei no Brasil

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O estande da Huawei na Intersolar 2025 impressionava já na entrada, com uma estrutura que mais parecia a própria porta de acesso à feira. Foi em um momento mais tranquilo da agenda que o diretor-técnico da Huawei Digital Power, Dr. Roberto Valer, além do gerente comercial da Matrix Energia, Gledson Torquato, receberam a pv magazine Brasil para uma conversa sobre tendências do setor e a nova fase da companhia no Brasil.

Valer destacou a transformação em curso no setor de energia. “A grande tendência desta Intersolar, já observada também na SNEC, é a forte presença das baterias. Esse modelo em específico tem grande potencial de vendas no Brasil”, disse. Ele lembrou que o país conta hoje com cerca de 680 MW instalados em sistemas de armazenamento, sendo 70% em off-grid, mas que a tecnologia começa a ganhar espaço em aplicações maiores.

“Já vemos baterias sendo usadas em arbitragem de energia, backup para clientes residenciais e industriais, redução de demanda contratada, irrigação e até substituição de geradores a diesel”, explicou. Como exemplo, citou um projeto na Amazônia. “É uma região que depende muito do diesel, mas a logística de transporte é difícil. Esse sistema de armazenamento aliado ao solar ajuda a reduzir essa dependência e está em linha com os esforços do governo.”

A terceira revolução do consumidor de energia

Na visão do executivo, o armazenamento representa uma virada histórica. “A primeira revolução foi a criação do Mercado Livre, permitindo acesso a grandes consumidores. A segunda, a geração distribuída, que abriu caminho para pequenos consumidores gerarem sua própria energia. A terceira, agora, é o armazenamento, que dá autonomia energética real”, afirmou.

Segundo ele, os benefícios são claros: economia, segurança e independência da concessionária. “Ano passado instalamos quase 70 MW em clientes e já evoluímos para tecnologias híbridas mais compactas e eficientes, com custos decrescentes, assim como ocorreu com os painéis solares.”

Entre os avanços tecnológicos, Valer destacou a refrigeração mista para melhor performance e o modelo modular em contêineres, com PCS integrado e gerenciamento EMS. Além disso, ressaltou a importância da tecnologia Grid Forming, que permite às baterias fornecerem inércia ao sistema, algo até então típico de grandes usinas hidrelétricas. “Essa inovação já foi testada em diferentes cenários no mundo, como no Mar Vermelho e nas Filipinas, em projetos de grande porte. A regulação no Brasil ainda precisa avançar, mas esse tipo de aplicação já é realidade em países como Austrália, Europa e Chile.”

Mobilidade elétrica: gargalos e soluções

Já Torquato reforçou a importância da integração entre armazenamento e mobilidade elétrica, especialmente no transporte público. Ele citou os desafios das garagens de ônibus em São Paulo, que muitas vezes não possuem infraestrutura suficiente para a recarga.

“Com sistemas de armazenamento, conseguimos carregar as baterias durante o dia e usar a energia no momento da recarga dos ônibus. Assim, uma garagem que não podia carregar nenhum veículo passa a carregar sete, oito ou até dezenas de ônibus, dependendo da capacidade instalada”, explicou.

Essa solução combina armazenamento, power units e dispensers de alta potência da Huawei. O primeiro projeto-piloto já opera em São Paulo há mais de um ano, oferecendo carregamentos rápidos e maior vida útil para as baterias.

O executivo da Matrix também reforçou o foco em segurança elétrica. “Todas as nossas soluções estão acima das exigências internacionais. Assim como fizemos no passado com tecnologias como AFCI, hoje promovemos padrões mais elevados em baterias, pensando em segurança antes mesmo de se tornar obrigatório.”

Além da mobilidade, os sistemas vêm sendo aplicados em setores como frigoríficos, mineradoras e indústrias em expansão. “O cliente não precisa investir de imediato em toda a capacidade. Ele começa pequeno e amplia conforme a demanda. Isso traz flexibilidade financeira e operacional”, disse.

Meta de 400 carregadores ultrarrápidos

A Huawei anunciou ainda uma meta ambiciosa para os próximos anos: vender 100 unidades de potência (Power Units) e 400 dispensadores de recarga ultrarrápida no Brasil até o fim de 2026.

Segundo Valer, a estratégia está alinhada ao crescimento da frota de veículos eletrificados no país. De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o Brasil superou em 2024 a marca de 400 mil veículos eletrificados em circulação. No primeiro trimestre de 2025, o mercado cresceu 10%, com quase 40 mil unidades emplacadas.

“Quando trouxemos essa tecnologia ao Brasil em 2024, apresentamos uma visão. Agora, em 2025, estamos falando de implementação e escala”, afirmou Valer. “Nossa meta de 400 dispensadores é ambiciosa, mas reflete a urgência do mercado e a confiança que temos em nossa solução, já em operação com a frota de ônibus elétricos de São Paulo.”

Os novos carregadores oferecem recarga equivalente a 200 quilômetros em apenas cinco minutos, adotando a lógica de “um segundo por quilômetro”. A solução é baseada em uma unidade de potência de 720 kW, escalável para até 12 pontos simultâneos, com refrigeração líquida e tecnologia Load Balance, que distribui energia de forma inteligente entre os veículos conectados.

Descarbonização e futuro energético

Para a Huawei, a combinação entre carregamento ultrarrápido, geração solar e sistemas BESS é o diferencial para viabilizar a mobilidade elétrica em larga escala no Brasil. “A mobilidade elétrica não funciona sem um ecossistema de energia robusto por trás. Nossa vantagem é integrar o carregamento ultrarrápido com o solar e o armazenamento em baterias, oferecendo uma solução completa, inteligente e sustentável”, concluiu Valer.

Os porta-vozes reforçaram que o armazenamento já não é promessa, mas realidade em expansão acelerada no Brasil. “Estamos diante de uma revolução energética, e o armazenamento é peça central desse processo”, afirmou o diretor-técnico.

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