Da ESS News
Para as seguradoras que trabalham com sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) de escala gigawatt, a fuga térmica não é mais o único problema. A velocidade do desenvolvimento de produtos, a integração inexperiente e as vulnerabilidades no restante da planta são os fatores que mantêm o setor de seguros em constante alerta.
Michael Carrington, subscritor da TMGX, especialista em seguros para energias renováveis, observou à ESS News que o setor está evoluindo mais rapidamente do que as seguradoras conseguem construir modelos históricos.
“O lançamento do primeiro Megapack em 2019 foi um gabinete de 3 MWh”, diz Carrington. “Já no último ano, produtos de ponta como o HaoHan da BYD estão atingindo 14,5 MWh. Nesse curto período, vimos um aumento de quase 500% em megawatts-hora por gabinete.”
Não é surpresa que essa rápida expansão, juntamente com desenvolvimentos como a formação de redes elétricas e a capacidade de partida a frio, limite os dados atuariais nos quais o mercado de seguros normalmente se baseia.
“Estamos nos aventurando em território desconhecido, onde nem nós nem os clientes temos um histórico longo e sólido no qual possamos confiar para a tomada de decisões críticas”, observa Carrington. “Ao optar pelos produtos mais recentes, mais novos e maiores, isso acarreta riscos adicionais.”
Carrington acrescenta, com um sorriso, que o setor de seguros não está de forma alguma a impedir o avanço da tecnologia, observando: “Quase temos o dever de apoiar a transição verde e desempenhar o nosso papel como facilitadores dessa transição… Existem maneiras, como o envolvimento precoce e a utilização de produtos que nos ajudam a compreender quais medidas de mitigação de riscos estão a ser tomadas.”
Onde há escassez de dados, as seguradoras estão se apoiando fortemente em testes de incêndio em grande escala para se sentirem mais seguras com os novos modelos de alta capacidade. Mas, à medida que os riscos térmicos se tornam mais compreendidos, as seguradoras estão voltando sua atenção para os instaladores e para o calcanhar de Aquiles do sistema de balanceamento de instalações, que afetou gravemente a Super Bateria Waratah na Austrália .
Interfaces de integração e erros não forçados
O ritmo de iteração de produtos significa que as empresas de Engenharia, Aquisição e Construção (EPC) raramente instalam o mesmo sistema duas vezes. Carrington observa que essa falta de homogeneização de produtos é responsável por uma parcela significativa das solicitações de indenização de seguros.
“Os contratados trabalham com tantas versões diferentes de projetos de baterias, ou até mesmo dentro de um mesmo fabricante, com produtos diferentes, o que significa que a interface é diferente a cada vez”, diz Carrington.
Essa falta de familiaridade no nível de integração, onde diferentes contrapartes, empreiteiras civis e engenheiros elétricos se encontram, às vezes resulta em erros dispendiosos e evitáveis. Carrington destaca que o setor ainda é culpado de “tratar as baterias como algo mais simples do que realmente são”.
Problemas aparentemente insignificantes nessa área podem rapidamente se transformar em grandes perdas de componentes.
“Os compartimentos das baterias têm uma classificação IP”, explica Carrington, referindo-se às proteções contra a entrada de poeira e água que podem ser afetadas inadvertidamente ou por descuido durante a instalação, acrescentando: “[s]e essa classificação IP for comprometida, as próprias baterias ficam expostas. Vemos situações em que a temperatura e a umidade foram comprometidas devido a falhas nos equipamentos”.
Outros erros de integração facilmente evitáveis que afetam o mercado de seguros incluem a “liberação inadvertida de aerossóis de combate a incêndio dentro de contêineres” durante o comissionamento.
“As perdas que observamos, em sua maioria, não estão relacionadas às próprias baterias”, afirma Carrington. “Elas estão relacionadas a equipamentos auxiliares ou a muitos erros dos contratados, o que demonstra certa inexperiência por parte deles.” Ele ressalta, então, que, com o crescimento e a crescente pressão sobre a disponibilidade de contratados no mercado, a questão se resume a decidir entre esperar e contratar equipes experientes e comprovadas ou seguir em frente utilizando um contratado de segundo nível, com menos experiência no desenvolvimento de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS).

Suando o equilíbrio da planta
Além dos contratempos com empreiteiras, as seguradoras estão acompanhando de perto os “pontos únicos de falha” em toda a infraestrutura existente. A falha ocorrida em outubro de 2025 na superbateria Waratah, na Austrália, que envolveu um problema em um transformador de alta tensão durante os testes finais, ilustra essa mudança no perfil de ameaças.
“A perda de um compartimento de bateria é muito diferente da perda de um transformador de alta tensão”, explica Carrington. “O transformador de alta tensão pode funcionar como um ponto único de falha se houver apenas um. Se ele for perdido, isso pode representar uma perda enorme tanto para o cliente quanto para as seguradoras.”
Embora um incêndio localizado em uma bateria seja uma perda isolada e controlável, a substituição de um transformador de energia principal personalizado, especialmente no final da construção e a poucos dias do comissionamento, pode comprometer a receita de um projeto por meses devido aos prazos de entrega extremamente longos da cadeia de suprimentos.
Cadeias de suprimentos e a mudança para íons de sódio
Em relação às preocupações que pairam há algum tempo sobre a geração de energia renovável e as baterias, principalmente a dependência geopolítica da cadeia de suprimentos, essa continua sendo uma grande vulnerabilidade para os desenvolvedores de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS). Carrington fez questão de enfatizar como o surgimento contínuo de químicas alternativas, como as de íon-sódio, é altamente atrativo para a indústria e o mercado.
“As baterias de íon-sódio representam uma alternativa interessante que não depende tanto dessas cadeias de suprimentos transfronteiriças”, observa Carrington, acrescentando que as vê como uma tecnologia complementar à de íon-lítio, e não como uma substituta.
Fabricadas com materiais abundantes como alumínio e sódio, as baterias de íon-sódio reduzem significativamente a volatilidade geopolítica e de preços associada ao fornecimento tradicional de íon-lítio. À medida que a produção nacional dessas alternativas se intensifica nos EUA e na Europa, as seguradoras acompanham de perto os dados de desempenho necessários para respaldá-las em larga escala.
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