Solar será a principal fonte de crescimento da oferta global de eletricidade até 20230

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A demanda global por eletricidade deve crescer a uma taxa média anual de 3,6% entre 2026 e 2030, impulsionada pela eletrificação da indústria, expansão dos veículos elétricos, uso crescente de ar-condicionado e proliferação de data centers e aplicações de inteligência artificial (IA), de acordo com o relatório Electricity 2026, da Agência Internacional de Energia (IEA).

De acordo com a publicação, a geração de eletricidade renovável deverá aumentar a cada ano em cerca de 1.050 TWh. Desse total, mais de 600 TWh, em média, deverão vir da energia solar fotovoltaica anualmente até 2030. Em volume de geração, a solar deve ultrapassar a energia eólica e nuclear já em 2026 e superar a hidrelétrica até 2029, consolidando-se como um dos pilares centrais da matriz elétrica global.

Participação das fontes na matriz elétrica global

A participação das energias renováveis ​​ultrapassou o marco de um terço da geração global de eletricidade em 2025, um aumento significativo em relação aos 23% de uma década atrás. Fontes de energia de baixa emissão – renováveis, lideradas pela solar, e nuclear – verão sua participação na geração global de eletricidade subir para 50% até 2030, ante 42% em 2025. A fonte solar deve corresponder a 15% da geração global de energia em 2030, quase dobrando a sua participação de 8% em 2025.

Ao mesmo tempo, a produção de energia a carvão deve contrair em média 0,9% ao ano até 2030. Apesar da tendência de queda, o carvão continuará sendo a maior fonte individual de eletricidade no período. A estabilização da geração de energia a carvão na China, onde se concentra mais da metade da produção mundial desse tipo de energia, é um dos principais catalisadores dessa tendência. Em contrapartida, a produção global de energia a gás deverá crescer a uma taxa acelerada de 2,6% no período de 2026 a 2030. Esse crescimento é impulsionado pelo forte aumento da geração de energia a gás nos Estados Unidos, em meio à robusta demanda por eletricidade, e no Oriente Médio, com a rápida expansão da substituição do petróleo pelo gás, especialmente na Arábia Saudita.

Restrição de rede e curtailment são desafios globais

A falta de capacidade da rede elétrica está se tornando um gargalo crítico em muitas regiões, destaca o relatório, causando níveis mais altos de congestionamento e retardando a implantação de novas usinas de geração, armazenamento e demanda de eletricidade. As filas de espera para conexão à rede atingiram níveis recordes em todo o mundo.

Mais de 2.500 GW em projetos de energia renovável, grandes cargas e armazenamento estão atualmente paralisados ​​em filas de espera na rede elétrica em todo o mundo. Com o investimento na rede muito aquém do investimento em projetos de geração, muitos sistemas de energia já enfrentam um aumento nas restrições de geração relacionadas ao congestionamento da rede. Atender à demanda de eletricidade até 2030 exigirá um aumento anual de aproximadamente 50% no investimento na rede, partindo dos atuais US$ 400 bilhões, além de uma expansão nas cadeias de suprimentos da rede e uma gestão mais eficaz dos desafios relacionados à força de trabalho.

O desafio é agravado pelo fato de que planejar e executar a expansão da rede exige prazos mais extensos, a partir de cinco anos, do que a expansão de tecnologias como geração fotovoltaica e infraestrutura de recarga de veículos elétricos, que levam em torno de um a dois anos.

Perspectivas para o Brasil

Com o crescimento da demanda por eletricidade, aumenta também a necessidade de reforçar a segurança regulatória e modernizar a infraestrutura elétrica no Brasil, sobretudo para ampliar a oferta de fontes limpas, renováveis, mais competitivas e de rápida implantação, avalia a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Segundo a entidade, no contexto brasileiro, a expectativa de crescimento médio anual é de 3,3% no consumo de eletricidade no Brasil até 2035, projetado no Plano Decenal de Expansão de Energia, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), e que está em fase de Consulta Pública.

“É preciso superar importantes desafios estruturais, como os cortes de usinas renováveis sem o devido ressarcimento aos empreendedores prejudicados e os obstáculos de conexão nos pequenos sistemas dos consumidores, sob a alegação de incapacidade das redes e inversão de fluxo de potência, bem como destravar o mercado de armazenamento energético, com legislação e regulamentação adequadas”, pontua Rodrigo Sauaia, CEO da Absolar.

“Os cortes e a dificuldade conexão de pequenos sistemas acendem um alerta para a necessidade de modernizar o planejamento e acelerar os investimentos na infraestrutura do setor elétrico, sobretudo em linhas de transmissão e novas formas de armazenar a energia limpa e renovável, gerada em abundância no país”, acrescenta.

Os dados da IEA confirmam que o mundo vive a “era da eletricidade”, marcada por uma transição acelerada para fontes renováveis e pela crescente eletrificação dos setores produtivos.A eletrificação da economia global está se intensificando e a energia solar se destaca como a principal protagonista desse novo ciclo. Trata-se da fonte mais competitiva, rápida de implantar e que também está alinhada às metas de descarbonização. O Brasil, por sua abundância de recursos solares, tem uma oportunidade estratégica de liderar esse movimento”, diz Ronaldo Koloszuk, presidente do Conselho de Administração da Absolar.

O relatório também destaca a expansão robusta do armazenamento em baterias como elemento-chave para dar mais flexibilidade aos sistemas elétricos. Atualmente, há mais de 600 gigawatts (GW) de projetos de armazenamento em baterias em estágio avançado nas filas de conexão às redes elétricas em todo o mundo. A tecnologia terá papel cada vez mais relevante para apoiar a integração de fontes renováveis variáveis nas matrizes elétricas.

“Neste sentido, a combinação da geração solar com sistemas de armazenamento em baterias representa uma oportunidade estratégica para ampliar o suprimento, aumentar a segurança da operação do sistema elétrico, reduzir custos aos consumidores e contribuir de forma ainda mais consistente para o desenvolvimento do Brasil”, conclui Sauaia.

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